Juventus: em Madri, é Dybala e mais 10

Nós cobramos aqueles que acreditamos que podem decidir. Reeditar a final europeia da temporada passada e encerar o Real Madrid logo nas quartas-de-final é exatamente o duelo que Paulo Dybala precisa para se firmar entre os jogadores que têm a capacidade de mudar o jogo.



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Porque, convenhamos, é algo bem mais simples se destacar contra o Crotone no Ezio Scida. Nenhum demérito, porém, crescer em partidas teoricamente menos complicadas. Na última década, a Juventus teve uma porção de jogadores que atormentavam os adversários de menor expressão na Serie A e refugavam em torneios europeus – um deles, inclusive, se especializou em ser um fantasma em partidas eliminatórias da Liga dos Campeões. A diferença é que Dybala ainda é jovem e quer algo a mais.


“Dybala pode fazer história pela Juventus e no futebol mundial”, declarou o vice-presidente do clube, Pavel Nedved, na última sexta-feira (16). E essa marca no futebol mundial passa por derrotar os melhores – ou, ao menos, os principais rivais que disputam a supremacia no continente. A começar pelo Madrid.


Getty Images
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Dybala foi decisivo contra Lazio e Tottenham mesmo debilitado fisicamente


O argentino, em princípio, precisa afastar a pecha de amarelão. Recentemente, os gols contra a Lazio e Tottenham minimizaram esse discurso. Ele já tinha participado ativamente de jogos importantes, com gol ou assistência contra Napoli, Milan e Barcelona, mas as grandes atuações de Dybala estavam restritas ao Allianz Stadium. Ante o Real, a chance é dupla; afinal, existe a expectativa de que ele consiga, desta vez, sair do bolso de Casemiro.


É inevitável criar um clima de revanche, porém, a perna de 180 minutos pode ser muito melhor para a Juventus. Coletivamente, este Real Madrid é inferior ao da temporada passada. Não modifica o todo, pois os espanhois seguem como favoritos. Só que estes problemas merengues - sobretudo pelo lado direito da defesa, pois Dani Carvajal tem deixado a desejar - podem ser fatais para o adversário. A Juventus busca uma performance de encher os olhos a nível continental, e os atletas deste elenco estão melhor preparados para resolver soluções que o time que jogou na final de Cardiff.


Nos últimos jogos, a Juve delegou funções de início de ataque para outros jogadores que não eram Miralem Pjanic. O bósnio, por vezes, era sobrecarregado. Aconteceu na decisão no País de Gales, na derrota para a Lazio na Supercoppa e era uma das minhas preocupações para enfrentar o Tottenham. Na temporada, estava sendo simples interromper o raciocínio da Velha Senhora: ou deixava Pjanic com marcação cerrada e ele não conseguia criar, ou fechava a linha de passe para o resto (geralmente Sami Khedira e Blaise Matuidi subiam ao ataque e ficavam presos entre os rivais). Contra Udinese e Atalanta, Douglas Costa, Gonzalo Higuaín e Dybala têm realizado este tipo de ação, permitindo que a bola chegue mais rápido ao setor ofensivo.


Pois definitivamente o Real vai atacar os pontos fracos da Juve, sobretudo no primeiro jogo. Pjanic está suspenso e Mehdi Benatia também cumpre automática. Na teoria, Andrea Barzagli joga ao lado de Giorgio Chiellini, enquanto Mattia De Sciglio vai na lateral. Ou será Daniele Rugani na defesa e Stephan Lichtsteiner do lado? Ou o próprio Barzagli deslocado? Em todo o caso, não ter o marroquino é uma baixa considerável contra um ataque rápido. Apesar do coletivo madrilenho ser pior em relação a 2017, Cristiano Ronaldo está em plena forma, Toni Kroos e Luka Modric estão finos e Lucas Vasquez tem sido fenomenal. O individual pesa.


A agenda juventina de fevereiro estava complicada e março não será diferente. Os quatro pontos de vantagem na Serie A seguem em disputa, e existe um confronto ante o Milan antes das pernas contra o Real - que felizmente tem um jogo mais difícil (Atlético de Madrid) no fim de semana entre as partidas da Liga. O duelo é osso duro, mas o cachorro quando está com fome...