Juventus, a bicicleta de Ronaldo e o impossível

Não tem jeito. A Juventus não somente está longe do patamar de elite da Europa, como encontrou uma forma de enfrentar Cristiano Ronaldo – nem Bayern de Munique, Paris Saint-Germain, Napoli e Atlético de Madrid conseguiram nos últimos continentais. O segundo gol em Turim, aquele para estampar em todos os noticiários, foi um crime. Se já era difícil antes de começar, acabou ali.



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Porque tudo aconteceu de forma natural caso você nasça e evolua um Ronaldo. Um erro besta de Giorgio Chiellini, que só não virou gol imediato porque Gianluigi Buffon defendeu o chute de Lucas Vázquez. Mas aí veio o cruzamento. Cristiano não estava no local certo dois segundos antes da finalização. E surge uma bicicleta, do nada.


Silêncio.


Getty Images
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Nem fim, nem começo: só lamentação


O terceiro, de Marcelo, seguiu a ordem natural. A expulsão de Paulo Dybala se deve, também, ao golaço sobrenatural. A Juve criou, atacou, martelou e finito. Bocas abertas, aplausos dos torcedores adversários, Andrea Barzagli abrindo os braços para dizer “o que diabos eu posso fazer?”. O lance envolvendo o argentino foi somente um de vários no quarto final da partida, quando se via os atletas bianconeros desconcentrados.


Não basta fazer um jogo excelente. Talvez nem um jogo perfeito valha, pois este Real Madrid aparenta estar além. É o terceiro ano consecutivo que “ah, dessa vez não vai” para os merengues. E eles vão. E pela segunda temporada seguida parece que os comandados por Zinedine Zidane jogam no automático. Tudo nos devidos conformes até nos piores momentos (como no primeiro tempo das oitavas ante o PSG).


O técnico Massimiliano Allegri disse que a Juventus tinha aprendido algumas lições sobre Cardiff. Alguns pontos positivos, realmente, foram percebidos. Sami Khedira e Rodrigo Bentancur mesclaram momentos bons e ruins – acredito, porém, que foram importantes para um futuro próximo – e Dybala tentou chamar a responsabilidade. Mais que isso: a Senhora foi muito melhor nesta terça-feira (3) que na perna anterior em casa, contra o Tottenham. Entretanto, o segundo tempo, que pesou um bocado no País da Gales, foi novamente decisivo.


E ainda que exista uma descompensação apenas dois meio-campistas com contribuições defensivas acima da média do elenco, Cristiano está lá. É chato e repetitivo ouvir sobre o atacante sempre. Mas ele cria a própria relevância, seja com os 10 gols nos últimos cinco jogos da Liga dos Campeões de 2017 ou com uma movimentação assombrosa para marcar a Juventus em menos de três minutos em Turim.


Para vencer a Liga dos Campeões, a Juve precisa de Cristiano. E Lionel Messi. E olhe lá.