Orgulho, vontade e bola: a Juventus foi quase perfeita em Madri

Acredito que são poucos os que acompanham este blogueiro fora desta página. Alguns, assim, já devem ter percebido, mas direi claramente: sou péssimo com palpites. Estou para os resultados certos como a Liga dos Campeões está para Gianluigi Buffon: o negócio não vai. Critico Juan Cuadrado? Faz gol. Falo bem de Gonzalo Higuaín? Some. Mas também tenho minha superstição, apesar de não usá-la com frequência. No jogo contra o Napoli no primeiro turno, disse que a Juve perderia por 2-1. Deu certo.



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Sinceramente não estava confiante para Madri. Ainda mais depois do que a Roma fez no Olímpico. Optei por juntar duas zicas: a minha e a do jornalismo. Existe uma quase-verdade na profissão que é o gol fode-lide. O texto está pronto e você apenas aguarda o apito final para liberá-lo ao editor. Aí alguém empata o jogo. O nível 2 é quando você deixa um texto frio em caso do resultado certo. Assim, uma hora antes da bola rolar no Bernabéu eu já tinha um texto pronto. Críticas e mais críticas ao bianconero.


Foi quase. Acho que faltou um parágrafo para concretizar o improvável. Por isso, perdão.


Getty Images
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Pela entrevista após o jogo, Buffon praticamente confirmou a aposentadoria quando a temporada acabar


Agora, que puta orgulho que esse time deu nesta quarta-feira (11). Porque a Roma, de novo ela, estabeleceu um parâmetro ao eliminar o Barcelona de forma épica - na bola e no pontapé. A única coisa que se esperava contra o Real Madrid era brio. Teve muito.


Se a Juventus atingiu esse nível no Bernabéu, quase conseguindo outra classificação imprevisível, significa que o teto desta equipe é mais alto que o esperado. Todo time, nalgum momento, esbarra em suas próprias limitações. Ainda que não seja o suficiente para lutar lá em cima todas as vezes, essa Senhora mostrou que pode mais.


Este foi, definitivamente, um dos três melhores jogos de Massimiliano Allegri no comando do clube. Ele foi inteligente, sagaz, botou pilha e, pena, parou no quase mais uma vez. O problema em beirar a perfeição e flertar com o crime é que eliminatórias não permitem a casualidade. Mesmo que Buffon tivesse defendendo tudo, o erro de posicionamento de Mehdi Benatia custou um pênalti no último minuto (e foi pênalti, sim).


O presidente Andrea Agnelli declarou que existem dois ou três times acima do patamar da Juve. O Real é um deles (nota: os outros não devem fugir de Bayern de Munique e Barcelona). O bianconero tem outros dois ou três ao lado dele (Atlético, PSG e Manchester City?) e que o resto está abaixo. O trabalho dele é alcançar o trio do topo. Hoje, a Juve teve dia de elite; ontem, foi a Roma. Felizmente uma alegria para a Serie A.


Mas falo nada sobre os giallorossi. Não quero zicar.