Juventus: um Allegri para a história

Essas primeiras linhas foram escritas alguns minutos após o apito final em Roma. O Milan ainda não desembarcou na Lombardia e sigo com sentimentos contrastantes para com Gianluigi Donnarumma. Do céu ao Inferno e além. A vitória do adversário, a Juventus, demonstrou a diferença teórica entre os dois times. O placar elástico até sugere mundos distintos, porém, os desempenhos recentes falam que 4-0 foi muito. E por culpa do goleiro.



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Donnarumma pegou tudo quando encarado por Paulo Dybala - inclusive numa jogada individual maravilhosa, driblando quatro marcadores. O muro que o argentino esbarrou parecia uma cerca carcomida ao enfrentar Douglas Costa e Mario Mandzukic. Em oito minutos, três gols; depois de mais 12, um contra para sacramentar um título bianconero que foi impiedoso a partir do escanteio esquerdo, local de origem de três deles.


Getty Images
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Szczesny ficou pouco contente com o título – o 4º da carreira dele


Tudo bem que limitar a Juve às jogadas aéreas seria um erro. O segundo tempo foi de uma Senhora ofensiva contra um Milan combalido, aberto e que se segurava no goleiro gigante. Quando não deu mais, a porteira abriu. Mas abriu tanto que nem parecia a líder do campeonato que só jogava bem se Costa fazia algo. Contra o Bologna, na última rodada da Serie A, a virada veio após a entrada do brasileiro, ampliando a influência que ele tinha sob os resultados recentes da equipe. O meia era o termômetro e o mercúrio: era bola nele e “vamos ver no que dá”.


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A Coppa Italia também é uma senhorinha. É uma idosa de 96 anos. Nenhum clube nem técnico conseguiram conquistar mais de dois títulos seguidos. Essa Juve e Massimiliano Allegri somam quatro consecutivos. É a história para a História que ainda tem outro troféu em aberto: um ponto separa o time da 4ª dobradinha em sequência.


A pergunta, óbvio, foi realizada no pós-jogo: “Allegri, você fica ou sai?” A resposta é sempre a mesma: ainda está sob contrato [vínculo termina em 2020] e vai se reunir com a diretoria, como é de costume, após o fim da temporada para avaliar os próximos objetivos.



E o que continua motivando Allegri? É perfeitamente compreensível entender caso ele opte por deixar a Itália – seja sacramentando alguma especulação que respira há dois anos ou tirando um tempo para relaxar. Liga dos Campeões à parte, não há muito o que provar nacionalmente. Ele é um técnico extremamente objetivo no comando da equipe mais rica do país.


Acredito, também, que estamos perto demais do acontecido para realmente entendê-lo. Daqui alguns anos talvez vejamos a conquista deste grupo como os mais velhos veem as dinastias dos anos 30, 50 e 70.