Uma carta para o maior de todos: Buffon

Por Douglas Dayube


(Essa carta, talvez, nunca seja lida pelo seu destinatário.)


Quem diria, hein, Buffon? Que aquele menino nascido em Carrara, que chegou há 17 anos na Juventus vindo de um grande Parma, se tornaria o maior goleiro da história.


Foram tantos anos, tantas defesas, tantos títulos. Mas também foram aqueles três vices naquela competição que insiste em ser cruel contigo, a permanência na segunda divisão, o renascimento de uma Juventus que ousa ser a maior mais uma vez.


Getty Images
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Idolatria


Com certeza, se olharmos para trás em busca de um grande momento seu, teremos dificuldade em achar apenas um. Sou egoísta demais, talvez torcedor demais, para dizer que a Copa do Mundo de 2006 foi a sua magnum opus, simplesmente porque eu não saberia apontar qual dos seus 21 títulos com a Velha foi o maior. Esse heptacampeonato foi sensacional, né?


Ahhh, meu amigo (se me der a honra de chamá-lo assim), foram tantas finais! As de Manchester, Berlim e Cardiff não o definirão, pois não foi o Gigi que não ergueu o troféu da Champions, e sim o troféu que nunca foi erguido por você. Azar dele! Problema dele!


Por isso, muitos ainda vão lhe dizer que falta algo em sua carreira, que ela não foi completa. Grande engano! Não falta nada; quer dizer, na verdade, falta uma única coisa.


Ao longo dos anos, vi essa Juve comandada por você mudar, se reformular, você se despediu de amigos, e eu, de ídolos no velho gramado do futebol. Primeiro, Nedved, depois Del Piero, em seguida a aposentadoria de Pirlo. Sofri por muitos jogos, gritei em tantos outros, mas tenho a honra de dizer que vi mais vitórias que derrotas, afinal de contas, foram 14 títulos nos últimos 7 anos.


Você venceu mais do que perdeu. Nós vencemos mais do que perdemos.
No dia que você anunciou que não vestiria mais o manto, eu preferi não assistir a coletiva. Quando soube que o jogo contra o Hellas seria o último em bianconero fiquei meio sem ação, sem saber o que fazer. Um sentimento estranho tomou conta de mim. Simplesmente parei e fiquei pensando em como será daqui por diante, sem você, nosso super-herói, para nos defender, para dizer que está tudo bem após o gol adversário, para salvar aquele empate do título no último minuto com uma defesaça que só você sabe fazer.


Porra, Buffon! Sabe o que lhe falta? A eternidade.


Para sempre, obrigado.