Cogitar o retorno do vilão Bonucci diz muito sobre as pretensões da Juventus

Há um ano, discutia-se a venda de Leonardo Bonucci ao Milan e suas consequências para a Juventus e o futebol italiano. O zagueiro é novamente assunto, agora de uma transação reversa. O jogador que saiu pela porta dos fundos, para comissão técnica e torcida, vê somente a Velha Senhora como próximo passo para a carreira. Num mercado incrível com a compra de Cristiano Ronaldo e manutenções de Miralem Pjanic, Alex Sandro e Douglas Costa, a Juve ainda consegue ser criticada – e com razão.



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O retorno de Bonucci está condicionado a alguns fatores. De acordo com a imprensa italiana, o camisa 19 voltou a ficar interessado pelo projeto do ex-empregador (tanto é que o salário dele cairia praticamene pela metade na Juve). O jogador mencionou a vontade de ser negociado com a diretoria dias após o imbróglio fiscal do Milan vir à tona. Aliás, as mudanças de Leo entre italianos satisfazem o ideal de um jogador que não quis deixar o país anteriormente para não submeter à família às distâncias e outros processos incômodos.


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Bonucci jantou Chiellini e Barzagli para escorar o escanteio no Allianz e marcar contra o ex-time


Para a Juventus, receber o zagueiro de volta não seria um problema irreversível. As publicações dão conta que o técnico Massimiliano Allegri, com quem Bonucci teve atritos no início de 2017, deu aval para que as negociações continuassem. Só que o Milan queria alguém em troca. É aí que mora o perigo. O defensor está avaliado em 40 milhões de euros, mesmo valor de Mattia Caldara que está conversando com o rival numa operação que beira a sandice.


A diretoria juventina bate na tecla que mira presente e futuro. Toda oferta é pensada e repensada – tanto é que Daniele Rugani, sondado pelo Chelsea, permanece entre o elenco e tem tudo para permanecer no plantel para a temporada. Entregar Caldara para o Milan é dar um presente para a década: com ele, o rossonero tem uma defesa de anos ao lado do excelente Alessio Romagnoli.


O ano de Bonucci não foi dos piores, e superior aos concorrentes jovens da Velha Senhora. Ainda que tenha aparecido menos nos lançamentos, ele melhorou a capacidade de vencer duelos pelo alto e perdeu menos bolas em relação às últimas temporadas com a Juve (veja a thread abaixo). Por outro lado, a saída do zagueiro não teve relação direta com a performance defensiva, visto que o bianconero permaneceu um forte – segunda defesa menos vazada do continente.




Tirando Cristiano Ronaldo da equação, a idade é um fator importante nas negociações. Nesta, a Juventus está reforçando o rival com um zagueiro-sensação de 24 anos para capturar novamente um atleta de 31 num setor que está envelhecido. Se Caldara e Rugani eram projetados como a defesa do futuro em Continassa, somente o segundo (e olhe lá) parece manter o fluxo.


É um pouco estranho entender como essa operação foi pensada. Por que pagar 25 milhões de euros para a Atalanta e enviar Caldara para o Milan na primeira chance que teve? Foi uma transação que partiu do jogador/agente para que ele possa continuar com minutagem alta e não vire um Rugani 2.0 (como terceira ou quarta escolha)? Bonucci, aquele que virou capitão no rival e comemorou com raiva quando marcou contra o ex-time, é a resposta para um clube que deu contornos finais ao desejo principal de voltar ao topo da Europa? Aliás, a pergunta anterior também é uma dica para Mehdi Benatia...


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Pipita é a solução para o problema crônico do Milan em relação aos gols


Simultaneamente, existe Gonzalo Higuaín. O empréstimo com opção de compra ofertado pelo Milan foi aprovado pela Juventus. O rossonero depende de uma conversa com o irmão e empresário do jogador para acertar os termos, em caso de resolução favorável.


A negociação do argentino é um movimento natural de um mercado no qual dificilmente daria espaço para ele em um time recheado de jogadores ofensivos. Maurizio Sarri estava interessado em levá-lo para Londres, mas se o empréstimo de 18 milhões de euros foi a melhor proposta, a oferta do Chelsea não cumpriu as demandas juventinas.


Embora as transações sigam em paralelo, o Diavolo é o grande vencedor dessa história. O time que havia iniciado a janela com punição da Uefa e viu mudanças diretivas às pressas – com novos donos e presidente – conquistou aprovações interessantes para arrumar uma equipe com problemas na defesa e ataque.


Compreendo perfeitamente que foi este pessoal que pavimentou o caminho para o recorde histórico na Serie A. A reclamação contra Bonucci é exigir demais? Para o curto prazo, em campo, neste pensamento de formar uma superequipe para levantar o troféu da Liga dos Campeões, o retorno do zagueiro tende a ser a opção mais sensata. Para a Juve, apostar novamente em Leo é mais fácil que progredir neste momento com os jovens.


Só sei que um gol pode mudar tudo. Veremos se para mim também será assim.