Juventus, Bonucci, dinheiro e o futuro que é presente

Alguns motivos me fizeram não listar outros motivos sobre a transação envolvendo Milan, Juventus, Leonardo Bonucci, Gonzalo Higuaín e Mattia Caldara. Existem uns mais importantes, apesar de uma visão diferente da apresentada no texto publicado na última segunda-feira neste mesmo espaço. A ideia central da parte I era compartilhar como enxergo o esporte – dispensando um zagueiro-sensação – e discutir se reforçar um rival era justificável.



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Getty Images
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Título da Coppa Italia 2017: Higuaín e Bonucci não vão se reencontrar no mesmo clube


Ainda que a base não seja utilizada no time principal, a negociação dos jovens jogadores ajuda para que o cofre não fique tão comprometido. Antes, algumas considerações:


O balanço financeiro da última temporada ainda não foi liberado. Por balanço, entenda qualquer custo para o clube: operacionais (contratações, salários, materiais de jogo, etc) e de receita (venda de ingressos, direitos televisivos, patrocínio, comercialização de produtos…)


O clube, atualmente, está tranquilo junto à Uefa. Ao fair play financeiro, os dois caminhos: ou se está de acordo e nenhuma sanção é prescrita, ou os advogados começam a trabalhar para diminuir a punição da entidade. A temporada de 2017-18 foi a única no último triênio na qual a Juve terminou com prejuízo (o colega Arjun Pradeep estima 10 milhões de euros). Nos dois anos anteriores, os balanços foram bastante positivos – pouco mais de € 85 mi, somados.


O perigo mora nas próximas revisões da Uefa. Para 2019, o lucro obtido sobretudo pela saída de Paul Pogba ao Manchester United pode não estabilizar as contas; afinal, a próxima temporada, 2018-19, pode ficar, também, no vermelho. Em 2020, então, o prognóstico não é tão promissor. A venda de Higuaín, portanto, satisfaz equipe (dispensando um jogador sem espaço) e clube.


A Juve precisava negociar o atacante por, pelo menos, € 54 mi em definitivo ou emprestá-lo por € 18 milhões – exatamente os valores do acordo com o rossonero – para amortizar parte da operação financeira por Cristiano Ronaldo. Outro fator importante para a Senhora era se livrar do segundo maior salário do time. O pesadelo seria falhar com o fair play e ser obrigado a fazer caixa com Dybala ou Miralem Pjanic.



Por ora, compartilho novamente a minha dúvida: essa foi a única proposta que chegou para Higuaín? Se sim, ainda falta uma semana para o encerramento da janela da Inglaterra – o sonho de Pipita – e um mês para as outras principais ligas. Não dava para esperar mais um pouco? Seguimos.


As categorias de base da Juventus dão retorno em campo e ao time principal sem que qualquer atleta crescido em bianconero tenha chances entre os profissionais. O atacante Andrea Favilli, que tem feito uma pré-temporada interessante nos Estados Unidos, deve firmar contrato com o Genoa na próxima semana por € 5 mi e obrigação de compra por mais € 7 mi. Ele se junta ao grupo de negociados neste verão europeu que já conta com Rolando Mandragora, Nicola Leali, Emil Audero, Joel Untersee, Andrés Tello, Alberto Cerri e Giangiacomo Magnani. Levando em consideração que o Bologna é obrigado a desembolsar mais € 6 mi para ter Riccardo Orsolini em definitivo, a Juve conseguiu mais de € 70 mi neste processo.


Mandragora talvez seja o jogador mais promissor dos selecionados, porém, jogou mais pela seleção italiana que com o uniforme preto e branco. A Juventus trata esses jovens com cautela, entretanto, não subjuga o talento: ele, Filippo Romagna (vendido ao Cagliari no ano passado) e Luca Clemenza (potencial reforço de Ascoli ou Palermo), por exemplo, têm opção para recompra.


Em Bonucci, a Juventus tem a esperança de um novo titular para uma defesa que novamente precisa se readaptar – como foi no ano passado depois que ele saiu brigando com tudo e todos. Mais que isso, o clube paga pra ver como um jogador que atualmente é melhor que o reserva enviado ao Milan continuará desempenhando nos poucos anos que lhe resta no auge (se é que este já não ficou no passado…)




O retorno do defensor é uma clara demonstração que o título da Liga dos Campeões é a meta definitiva. Que cerque Ronaldo, então, com o melhor elenco possível. Se Caldara virar um excelente acréscimo para o rival, pena; se não, bom para a Juventus. Além disso, o novo milanista gerou aproximadamente € 20 mi de lucro sem sequer entrar em campo. E assim a roda gira. 


Uma hipótese maluca, porém justificável, é que Bonucci retome a posição ao lado de Mehdi Benatia e Giorgio Chiellini. É um movimento interessante para liberar João Cancelo, Alex Sandro e quaisquer extremos que estarão em campo, contrabalanceando Pjanic e outro meio-campista com caráter mais defensivo (tenho predileção a Blaise Matuidi, por exemplo). Em todo o caso, essa construção de jogo a partir da defesa melhora bastante com o ex-capitão rossonero – com quem o bósnio pode dividir função tal qual Andrea Pirlo em partidas que estava cercado.