Teste da Juve mostra o melhor Dybala afetando o melhor de Douglas Costa

Retomo aquela famosa opinião de Paulo Dybala sobre a incompatibilidade de jogar junto com Lionel Messi. O argentino da Juventus não é um jogador conhecido pela polivalência. O lado direito do meio-campo ofensivo é o lugar dele. Parece um ímã. Com Dybala em campo, o setor o atrai – e, de certa forma, faz o mesmo com o compatriota.



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É o movimento natural de Dybala, assim como Neymar ou Cristiano Ronaldo caindo pela esquerda em várias oportunidades por partida. Na Juve, a fluidez tática oferece essas opções aos atacantes, porém, até então restava entender algo: como a Joya entraria no time?


O começo da temporada não tem sido tão favorável ao argentino, algo bem diferente em relação ao ano passado. O técnico Massimiliano Allegri declarou que o atacante não estava em plenas condições físicas e, por isso, não queria antecipar a entrada dele no time. As primeiras participações vieram contra Sassuolo e Frosinone, sem qualquer impacto nas principais ações. Nesta quarta-feira (26), uma partida exuberante e gol contra o Bologna.



O próprio Allegri afirmou durante a semana que esperava que a evolução de Dybala acontecesse aos poucos. Ao contrário da crítica que bateu no atleta após a vitória no Lácio, o treinador disse que Dybala fez, sim, uma boa partida, mas que desejava que ele se movimentasse um pouco mais e não ficasse ansioso (“você pode ser o melhor do mundo, mas se não estiver 100% mentalmente, os outros te roubam a bola”.)


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A Juventus iniciou essa campanha com esquemas mais abertos (três atacantes, sendo um ou dois extremos) e meio-campistas voluntariosos. Dybala foi o “ponta” contra Sassuolo e Frosinone. O problema que sempre retorna: o argentino é incapaz de desempenhar essa função – ainda que João Cancelo pelo setor ajuda demais quem atua por ali. Contra o Bologna, a teoria deu indícios de sinal verde.


O prognóstico era que o camisa 10 finalmente marcasse no campeonato se jogasse ao lado de Ronaldo. Dito e feito. Allegri rodou o elenco e retornou aos três zagueiros, permitindo que Cancelo, Juan Cuadrado e um dos meias atacasse junto com a dupla de frente. Dybala se sentiu confortável, e as chances aconteceram.


As experiências táticas do treinador são novidade somente para quem nunca viu essa equipe. Time ideal das últimas três temporadas? Dá para montar algumas bases, mas o efeito camaleônico é traduzido na dificuldade em escalar as últimas Juventus – basta lembrar que o teste extremo com os principais jogadores ofensivos (Dybala, Cuadrado, Miralem Pjanic, Mario Mandzukic e Gonzalo Higuaín) só foi colocado em prática quando o time estava precisando de uma vitória para sair de uma zona incômoda no campeonato.

Getty Images
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Cena boa demais para ser apreciada rapidamente


O esquema acima se tornou mais comum, mas não o padrão – tampouco era incomum ver três zagueiros em situações para segurar resultados. As respostas obtidas na Allianz, hoje, são importantes para que a Juventus tenha mais de um plano. Até então, o que parecia dar certo era Douglas Costa e Federico Bernardeschi vencendo duelos individuais para gerar oportunidades de gol.


É aí que o brasileiro entra no jogo.


Se as melhores exibições de Dybala são ao lado de um atacante, o 3-5-2 (números meramente ilustrativos, mas que facilitam o entendimento) ou o 4-3-1-2 são os caminhos para o dueto com Ronaldo fique no mesmo tom. Esses planos, contudo, afetam diretamente o ex-Bayern, que também começou o ano voando (Bernardeschi parece não ser um problema tão grande pela capacidade de adaptação dele pela ala ou por dentro).


É excelente que o bianconero crie repertórios e, neste momento, a balança pesa para Dybala no momento que Costa está suspenso pelo Italiano. Porém, certamente, o próximo plano de Allegri é juntar o que tem de melhor. Para essa pergunta, por enquanto, a resposta é vaga.