Juventus é um supertime com dificuldade para ser super

Parte da torcida da Juventus acredita que estamos vendo o melhor time da história do clube. A empolgação é verdadeira, e fico tentado a concordar: melhor que o de 2015, 2005, 1985 e 1960. O que freia essa superequipe em ser realmente super são as lesões que afetam sua coluna vertebral antes mesmo de atingir 15 partidas na temporada.



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A contratação de Cristiano Ronaldo por si só demonstra poder e anseios do bianconero. O ataque, contudo, demonstra fragilidade apenas com Douglas Costa, que tem se lesionado com frequência nos últimos anos e, atualmente, está no departamento médico cuidando da coxa esquerda. Ele provavelmente vai perder o confronto desta semana contra o Manchester United, assim como Federico Bernardeschi (tornozelo); João Cancelo (fadiga) é dúvida.


Getty Images
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Eles têm jogado muito – e em sequência


O problema mesmo mora no meio-campo. A saída de Claudio Marchisio ao Zenit se deu pela falta de espaço para um reserva de luxo. De forma semelhante ao que aconteceria com Gonzalo Higuaín, a Juve tinha no camisa 8 um titular em potencial que acabava sendo uma segunda opção vindo do banco.


Blaise Matuidi afirmou que os jogadores estavam bastante cansados na vitória de virada contra o Empoli, justamente após ganhar em Manchester. No último sábado (3), nem ele, nem Miralem Pjanic atuaram durante os 90 minutos. A razão era dar descanso aos atletas que mais jogaram até agora – apenas Alex Sandro participou de todos os jogos da temporada.


Inteiro, a Juve tem somente Rodrigo Bentancur. Por mais que o uruguaio tenha crescido de produção – o desempenho dele na Inglaterra foi excelente –, a exaustão dos companheiros preocupa num momento em que alternativas também não estão prontos: Emre Can passou por uma cirurgia para retirada de um nódulo na tireoide e Sami Khedira corre para se aprontar fisicamente após lesão na coxa.



Enquanto Pjanic tem sido o ponto focal da Velha Senhora nas últimas temporadas, a chegada ao sucesso depende de uma junção entre a qualidade do bósnio para sair para o jogo ao lado de meio-campistas muito mais físicos que técnicos. Khedira fez um bom 2016 e marcou 10 gols no último ano, mas a inconsistência dele superava as boas apresentações (e teve o contrato renovado até 2021). Matuidi tem imprimido fôlego e recomposição para que Alex Sandro tenha liberdade para atacar pela esquerda, contudo, o francês é outro que tem mais vigor que jeito.


A situação poderia ser atenuada caso usasse a base? Sim, mas não. Matheus Pereira, Grigoris Kastanos e Leandro Fernandes – todos participaram da pré-temporada nos Estados Unidos – estão com a equipe sub-23 que disputa a terceira divisão, assim como Nicolò Fagioli (talvez tenha o maior potencial entre eles). Para o técnico em uma liga que dificulta a evolução dos garotos, nenhum deles deve ganhar chances num futuro tão próximo.


A Juventus jamais negou que o grande sonho é voltar ao topo da Liga dos Campeões e, para isso, buscou até Leonardo Bonucci – algo que Mehdi Benatia não gostou muito, uma vez que demonstrou a possibilidade de sair em janeiro caso não tenha mais minutos em campo. Só que o elenco enxuto e físico debilitado causa irregularidades. Existe, então, a possibilidade concreta do clube buscar qualquer tipo de reforço para o setor na próxima janela. A especulação de Paul Pogba, portanto, conecta os pontos.