Juventus: a paciência como virtude em Florença

A Fiorentina é um time tão traiçoeiro como irregular. A equipe com a menor média de idade do campeonato está cheia de atletas com um futuro incrível pela frente – e talvez seja justamente por isso que tropece mais que o habitual. A vitória da Juventus em Florença, então, pode ser entendida como natural, mas deve ser observada como uma declaração de paciência.



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A Juve precisava resolver duas questões principais: 1) como parar Federico Chiesa? e 2) como segurar o ímpeto inicial florentino? O ponta da Viola trocou de lado para buscar a vida fácil contra Mattia De Sciglio, mas conseguiu criar nada no primeiro tempo. O bianconero, tampouco. Com Miralem Pjanic poupado, Juan Cuadrado começou pelo meio para que Mario Mandzukic, Paulo Dybala e Cristiano Ronaldo atacassem com liberdade.


Getty Images
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A "descoberta" da temporada


O resultado dessas escolhas foi a ausência de opções ofensivas. De Sciglio não avançava e Cuadrado não chegava à linha de fundo. Dybala tentava sair do lado para entrar pelo meio e se via cercado por três adversários, bem próximos da defesa.


Paciência


A Juventus esperou pelo vacilo do trio de meio-campistas para punir o rival. Avanço de Rodrigo Bentancur, tabela com Dybala e caminho livre, orquestrado pela movimentação de Ronaldo, para terminar com um toque delicado no canto do gol. Ao permitir que a Senhora infiltrasse pelo centro, a Fiorentina abriu a porteira – para sorte dela mesma, ninguém mais aproveitou.


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O uruguaio fez uma partida discreta em relação às últimas apresentações por atuar na vaga liberada por Pjanic, porém, o gol coroa a temporada que Bentancur faz. Reserva durante o ano passado inteiro, ele foi titular na campanha charrua na Copa do Mundo e ganhou a posição depois que Sami Khedira e Emre Can se machucaram. A evolução nítida do jogador é valiosa demais para o time, que existem alternativas mais convincentes que o ex-Real Madrid.


O técnico Massimiliano Allegri gostou bastante da atuação de Dybala contra o Valência justamente porque ele foi mais físico, mais combativo. Este é um dos pedidos antigos do treinador e o argentino, finalmente, tem mostrado capacidade para carregar o time em direção ao gol e usar o corpo como vantagem. Contra a Fiorentina, Dybala fez outro ótimo jogo.


Allegri também exigia que a Juve não sentasse em cima das vitórias pelo placar mínimo. Ainda que a Viola teve oportunidades para fazer mais de um gol no segundo tempo, a defesa bianconera conseguiu ser eficiente até que o resultado se estendesse para uma vantagem tripla – se dependesse de Cuadrado ou João Cancelo, a partida seria 1 a 0 mesmo.


Babacas


Antes do jogo, Giorgio Chiellini colocou flores como homenagem ao capitão adversário Davide Astori, que morreu no início do ano. Durante a partida, no minuto 13, torcedores dos dois times continuaram com as prestações de respeito, aplaudindo por Astori.


Só que a rivalidade imperou, além disso, entre as homenagens de torcidas odiosas entre elas (entenda mais sobre a relação entre Juve e Fiorentina aqui). Enquanto alguns torcedores da Viola picharam um muro com uma frase “celebrando” a morte do ídolo juventino Gaetano Scirea e o episódio absurdo de Heysel, outros babacas dentro do estádio cantaram “Eu amo Liverpool”, também em referência à tragédia.


Minorias de torcedores idiotas estão em todos os lugares. O problema é que eles se proliferam.