Bonucci: o que resta para um zagueiro que errou em 70% dos gols?

A Juventus permanece na corrida pelo título italiano com ampla vantagem. São nove pontos de diferença para o Napoli, 14 para a Inter. O time permanece invicto e tem os melhores ataque e defesa do campeonato. Então qual é o problema? Talvez seja um dos zagueiros que não sai do time: Leonardo Bonucci errou em 70% dos gols até o momento. O alerta é sonoro.



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Todo jogo é um grande exemplo do que o defensor pode proporcionar ao time. Bonucci foi recontratado a peso de ouro – na transação que cedeu um dos mais promissores zagueiros do país – justamente para auxiliar na trajetória da Liga dos Campeões. O de sempre: traz experiência, maturidade, lançamentos longos.


Getty Images
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Bonucci faz a alegria dos adversários


Quando o retorno foi oficializado, escrevi que Bonucci não necessariamente declinou: ele estava se posicionando melhor na tentativa de evitar que os atacantes tirassem vantagem e também construía de forma mais efetiva. O problema é que isso não tem funcionado. Excetuando algumas partidas (como contra o Empoli e Inter), Bonucci repete o que acontecia em Milão: apresentações que mesclavam consistência e um erro fatal. Diante a Atalanta, porém…


Os dois gols de Duván Zapata foram marcados em cima ou com contribuição do camisa 19. No primeiro, marcou o vento depois do giro do atacante; no outro, furou na primeira trave antes de ver Emre Can perdendo o trator colombiano. Este mesmo Zapata foi responsável pelo gol da Udinese no Friuli em 2016 ao deixar o zagueiro comendo poeira. Há duas semanas o Young Boys havia obliterado a reputação de Bonucci, mais lento que um navio manobrando.




O técnico Massimiliano Allegri confirmou que Bonucci vai descansar na partida deste fim de semana contra a Sampdoria. Mehdi Benatia, que reclamou nos últimos dias publicamente pela falta de tempo de jogo, está pronto e recuperado de qualquer problema físico para a partida em casa. Daniele Rugani apenas está.


Seria o tempo de reinventar o zagueiro como um regista, atuando na posição de Miralem Pjanic e liberando o bósnio para armar mais à frente? Particularmente acho complicado justamente pela falta de agilidade para a função. Retornar ao esquema com três zagueiros, de fato mais confortável para Bonucci, desbanca a possibilidade de atuar ou com Paulo Dybala perto da área, ou sem algum dos meias que fazem boa temporada.


É igualmente intrincado chegar à fase final da Liga dos Campeões com um defeito latente na defesa que se supera com um ano descomunal de Giorgio Chiellini, carregando Bonucci como um bebê de colo. Também por isso que existe a vontade de assinar com Matthias de Ligt justamente depois do Barcelona apresentar Jeison Murillo. Trazer o holandês nas estações finais de Benatia – deve sair pela falta de oportunidades, e ele tem total razão – e Andrea Barzagli – aposentadoria – é de suma importância.


Até lá, o coração vai bater mais forte quando jogarem em cima de Bonucci. Tenha piedade.