A família unida é deles: Atlético e Simeone dão aula para a Juventus

Não tem essa de sorte ou azar nem mesmo uma superioridade tão grande em relação aos elencos, mas o jogo irretocável do Atlético de Madrid com um segundo tempo arrasador tirou qualquer chance da Juventus no Wanda Metropolitano. De Oblak a Diego Costa, os colchoneros foram monumentais na execução de jogo. Quando o vacilo único se repete, bingo, a desvantagem para o jogo de volta começa a fugir do controle.



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De cabeça, não lembro ao certo quantas vezes escrevi algo como "(algum bianconero) não soube lidar com o adversário" nos últimos meses. É outra tônica desse time instável, de erro repentino que decreta uma vitória do adversário -- ou custa uma eliminação vide a derrota para a Atalanta na Coppa Italia.


Getty Images
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Bonucci tentou cavar uma falta no gol de Giménez: não funcionou


Costa foi grandíssimo em Madri, importunando Bonucci, Chiellini e quem mais o marcasse, e sempre no limite da regra — creio que cavou o pênalti de De Sciglio que virou falta no primeiro tempo e, sendo assim, nem completaria o restante da partida.


O lateral da Juve, por outro lado, foi pressionado ao extremo pelo espanhol e Filipe Luís. Para quem foi escolhido ao invés de Cancelo justamente para conter o ataque do Atleti, o resultado foi triste. Alex Sandro, então, uma sombra do jogador de grandes momentos no ano passado. O jogo foi tão ruim que abaixou o próprio nível já bem reduzido da temporada.


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Entender o Atleti ajuda a explicar a Juventus e colocar o resultado em perspectiva. Porque os espanhois tinham, até então, uma contribuição ofensiva menor em relação à época passada e ainda assim venceu por 2 a 0. Sem usar uma arma poderosa (escanteio curto) e excluindo uma deficiência latente (pressão alta) ao deixar Lemar no banco por grande parte do jogo — essa análise sobre o rival está excelente.


Enquanto isso, a Juve buscou o simples — como se atuar no Metropolitano fosse fácil — ao tentar não ser vazada. Controlou a etapa inicial e ficou perdida com as alterações de Simeone no quarto final. Ainda por cima, viu Oblak fazer duas defesas cruciais em momentos importantes, negando a vantagem por Ronaldo e o desconto de Bernardeschi.


Com Koke e Saúl movendo de fora para dentro, Dybala ficou completamente encaixotado nos espaços quase indisponíveis para jogar — um dos pontos fracos do rival que mal foi visto nesta quarta-feira (20). Soma-se a isso o excelente trabalho de Thomas e Rodri para antecipar as ações italianas. Para piorar a situação da Juve, Pjanic teve tempo e espaço para circular, porém, a forma compacta do Atleti impossibilitou alcançar tanto Ronaldo como Mandzukic na área.


Uma desvantagem desconfortável dessas justamente na temporada que desembolsou mais de € 100 milhões para contratar o jogador que traria o tão sonhado título pesa e infla a desconfiança em Allegri. Torcedor, fã ou simpatizante quer ver o time dele ganhar. Às vezes de forma escusa porque, dane-se, o desejo e a sensação de vitória são estimulantes. E essa gana que se torna raiva depois de uma derrota causa reações também malucas: técnico errou por não escalar aquele, deveria ter colocado aquele outro e aquele outro, que mal joga, era a salvação dos problemas.


Tudo isso para não dar o braço a torcer que, nesse primeiro jogo das oitavas da Liga dos Campeões, Atlético e Simeone, com Godín e Gimenez representando a solidez sul-americana desse time, simplesmente foram melhores que Juventus e Allegri, da escola italiana de defesa que viu Chiellini e Bonucci em partida esquecível.