Nedved, Totti e o clássico que nunca vai acabar

O clássico do último domingo não vai acabar tão cedo. A partida será falada por muito tempo em jornais, programas televisivos, Twitter, rádio, no ônibus, no trem. As farpas trocadas por Francesco Totti e Pavel Nedved podem ser interpretadas como o ponto máximo de uma rivalidade recém-criada, mas as frases do capitão da Roma são bem mais que isso.


Getty Images
Getty Images

Falta amor no futebol


Nedved é diretor na Juve. Como jogador, antes de chegar em Turim, atuou pela rival da Roma, a Lazio. Ele afirmou: 



"As declarações de Totti nos irritaram. Ele não conseguiu atuar por um clube da grandeza da Juventus e por isso é complicado entender o que ele está dizendo. Quando você trabalha na Juve, você tem todo mundo contra você".



As frases, ditas na noite da última segunda-feira durante o programa "Tiki-Taka" do canal Italia 1, foram não somente uma resposta ao capitão romanista. Elas foram também um complemento às ideias de Giuseppe Marotta. O diretor de futebol bianconero não gostou da atitude de Totti, muito menos da capa da Corriere dello Sport, publicação de Roma, com a manchete "Campionato falsato".



"Afirmar que a Juventus é uma ladra e a liga é falsa é levar as coisas a outro patamar". 



Francesco Totti, logo ao término da partida, declarou que o árbitro Gianluca Rocchi teve três decisões importantes no jogo - e errou em todas. A principal crítica do capitão era a do pênalti em Pogba (bastante duvidoso, mas ainda acho que foi falta fora da área). De cabeça quente, claro, disse:



"Não fomos vencidos pela Juventus. Essas coisas acontecem todos os anos e elas definem o restante das temporadas. No fim da época, em maio, eles sempre vencem". 



Em suma, o clássico terminou com jogadores, comissão técnica (Rudi García foi expulso do jogo após o lance envolvendo Pjanic e Pogba), dirigentes acusando a arbitragem. A Roma nunca vai acreditar em "apenas um erro" quando do outro lado tem a Juventus. 


Leia mais: O árbitro é o 12º juventino em campo


Em 1981, os giallorossi não conquistaram o título italiano, o primeiro em quase 40 anos, porque o gol de Maurizio Turone foi invalidado, em Turim. Equívoco do assistente Giuliano Sancini, um vendedor de Bologna, que não viu Cesare Prandelli dando condições no lance. Para a Roma, ele errou conscientemente.


Em 1983, a Roma foi campeã, porém, existiu uma polêmica: o então presidente do clube romano, Dino Viola, argumentou sobre a legitimidade do gol decisivo na vitória de 3 a 1 da Juventus. O mandatário bianconero, Giampiero Boniperti, comprou uma régua para medir quanto Platini estava fora de jogo antes de cruzar para o tento de Sergio Brio.


Dizer basicamente que tudo é comprado e, com as palavras de Totti, "precisam fazer uma liga somente para eles [Juventus], porque em maio..." é jogar no lixo o pós-Calciopoli e a tentativa de reestruturação do futebol italiano. A rede influenciada por Luciano Moggi foi completamente desmantelada no escândalo de 2006 e a Juve pagou por isso: caiu para a Serie B, venceu, retornou à primeira divisão e terminou em sétimo lugar duas vezes antes do tricampeonato consecutivo com Antonio Conte.


A rivalidade entre os clubes não é parecida com Milan-Inter, Juve-Fiorentina ou Lazio-Roma. A rivalidade entre Juve-Roma se tornou gigantesca, atualmente, porque coloca frente a frente os dois clubes com melhor futebol na Itália. Tem sido assim há duas temporadas - outrora os giallorossi eram a segunda força contra Milan, no início da década de 2000, e Inter, sobretudo após o escândalo de apostas.


E tem mais: para a Roma, sempre existirá suspeita quando o assunto for Juventus. Mas e se voltarmos para o ano de 2010, quando o árbitro marcou um pênalti pra lá de duvidoso - uma falta cobrada por Totti que bateu no braço de Pepe? A partida foi decidida por este lance. Entretanto, apenas um erro, não?!


O que foi dito, por ambos os lados, foi bem duro. James Pallotta, presidente da Roma, ao menos foi sensato no caso, em nota oficial:



"Todo mundo precisa respirar fundo e se acalmar. Futebol é um jogo rápido e às vezes acontecem lances polêmicos ou erros. Acontecem dos dois lados. No fim do dia, somos grandes times. É bom para o futebol italiano".



Obrigado pela classe, Pallotta. Talvez seja bom ensinar uma coisa ou duas para o capitão do seu clube. 


_



  1. O Ministério Público italiano vai julgar as ofensas de Francesco Totti.

  2. Alberto Ferrarini, motivador de Leonardo Bonucci, deu balas de alho para o zagueiro antes da partida. "Eu falei para ele baforar na cara de Gervinho e Totti". Climão de guerra.

  3. Eu ficaria puto se fosse um bom jogador, com história e tal, fosse jogar contra a Juventus e visse Rubinho no banco de reservas. Ele teria mais títulos italianos que eu.