Trezeguet foi tão grande quanto Del Piero ou Buffon

Rebaixamentos trazem muitos prós e outros tantos contras a um clube. Investidores podem se afastar, bem como jogadores costumam procurar outro lugar para atuar. Magrão, Roger, Rosinei, Amoroso e Nilmar deixaram o Corinthians antes do início da Série B de 2008. Cinco anos antes, Arce, Galeano e Zinho saíram do Palmeiras que disputaria a segunda divisão. 


Dinheiro ou amor? Uma das grandes perguntas do futebol. Porque não sou eu quem deve dizer que o Zé não pode jogar nos Emirados Árabes Unidos, China ou Canadá. Se não devo dizer, muito menos posso julgar a decisão dele. (Ricardo Goulart fez bem em deixar o bicampeão nacional para atuar na China? Vai saber). 


Às vezes, alguns jogadores simplesmente ficam. Ficam porque é vantajoso financeiramente. Ficam porque aquele lugar lhe faz bem. Pois se sentem em casa - mesmo, e muitas vezes, bem longe da terra natal. Por que se sentem confortáveis e apaixonados por aquele lugar. Ficam, outras vezes, porque desejam a retomada do sucesso coletiva e individualmente.


Getty Images
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Trezeguet foi homenageado pela Juve antes do clássico ante a Roma, em janeiro de 2014


Quando a Justiça italiana revogou o título nacional e rebaixou a Juventus, em 2006-07 (leia sobre o Calciopoli aqui), seis titulares e um reserva imediato saíram do clube: Emerson e Cannavaro foram para o Real Madrid, Thuram e Zambrotta assinaram com o Barcelona, Mutu trocou a Senhora pela Fiorentina e Vieira e Ibrahimovic fecharam com a Inter. Traição, ambição ou condições melhores para trabalhar?


Del Piero, Buffon, Camoranesi, Nedved, Legrottaglie, Chiellini e ele, David Trezeguet, ficaram. E é o que importa. O francês contratado no verão de 2000 junto ao Monaco por quase 18 milhões de euros permaneceu porque a Juventus adorava ele. E o atleta adorava Turim. Não à toa renovou contrato por quatro anos em 2007.


Trezeguet esteve longe de ser apenas um bom-atacante-sempre-bem-posicionado, como Vieri ou Pippo Inzaghi. Ele sabia fazer gols como poucos e, apesar de não fazer jogadas mirabolantes com os pés, tinha uma técnica refinadíssima. Ambidestro, o movimento preferido era o chute de primeira. O gol não era um mero detalhe, pois ele tinha certeza que balançaria a rede.


E foram 171 no total. Com a perna esquerda, direita, cabeça, de voleio, de bicicleta. Na história, somente três jogadores têm mais gols que Trezeguet com a camisa bianconera - Del Piero, Boniperti e Bettega. Dessa marca, 30 foram em competições europeias. Aqui, só Ale vence o francês. Dificilmente David chegaria aos 183 tentos de Boniperti, mas a cirurgia no joelho direito que abreviou o tempo do jogador em campo na temporada 2008-09 certamente impossibilitou o terceiro lugar na lista. Bettega soma apenas sete gols a mais que o atacante recém-aposentado.


Exceto a temporada de estreia, quando Carlo Ancelotti o deixou na reserva de Inzaghi, foram nove excelentes temporadas de Trezeguet e Del Piero. Que dupla de ataque. Não vi Pelé e Tostão (não vale vídeo de internet), mas vi Trezeguet e Del Piero. Conseguimos reconhecer os ídolos pelas façanhas e identidade com o clube. O francês sobrenatural dentro da área adversária sempre será um ídolo.


Cinquenta atletas foram homenageados pelos serviços prestados ao clube e para representar a Juventus na calçada da fama localizada na Arena Juventus. Os que abandonaram a agremiação na Serie B não foram lembrados; Trezeguet, sim. Não é ousadia alguma afirmar que Trezeguet foi tão grande quanto Del Piero ou Buffon.