Allegri ou (O Irônico Desespero Atrás de uma Encenação)

Não existe roteiro de Alejandro Iñárritu e Nicolás Giacobone, mas, como em uma cena de "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)", o técnico Massimiliano Allegri tenta retomar o pico de sucesso na carreira. Mesmo que não tenha sido em âmbito continental, ele foi o último campeão antes do período avassalador da Juventus.


Agora como treinador bianconero, a equipe tem a vantagem do empate para obter a tão desejada classificação à fase seguinte do campeonato mais importante da Europa. O comandante disse em entrevista coletiva que a Juventus precisa jogar de forma inteligente, técnica e agressiva contra o Borussia Dortmund. Talvez não seja necessário tudo isso. Talvez Allegri esteja equivocado.


Getty Images
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Allegri ainda não precisa usar uma peruca igual a de Michael Keaton


O diretor de futebol da Juve, Giuseppe Marotta, falou no fim de fevereiro que a temporada inteira depende da partida desta quarta-feira (18). A frase do treinador soa como um irônico desespero de mostrar novamente um futebol envolvente - bastante parecido com aquele mostrado antes da virada do ano ou em janeiro, sobretudo com as goleadas contra Chievo e Verona. Seria o ápice da temporada se uma vitória contra o Borussia e um jogo bonito coincidissem de acontecer em uma mesma noite.


Não é de hoje que a equipe anda preguiçosa; tirando um cochilo aqui e acolá. Mas Allegri está feliz (sem usar o trocadilho barato com o nome do comandante). Os três pontos conquistados ante o Palermo foram os primeiros desde o Napoli em janeiro. A vitória na Sicília foi a primeira derrota do rosanero em casa desde setembro. Adversário difícil, conquista louvável.


A equipe parece ter incorporado a mentalidade de "vitória-simples-para-manter-os-pés-no-chão" do treinador. Bem verdade que o 1 a 0 na Alemanha, obviamente, dá a classificação ao bianconero. Contudo, ser técnico e agressivo em Dortmund não é a melhor coisa a ser feita.


O primeiro semestre da equipe aurinegra em nível nacional foi péssimo - lembra quando o Borussia estava na zona do rebaixamento? Os pontos perdidos, em sua maioria, foram entregues aos times com táticas exatamente o oposto do pretendido por Allegri: nada técnicas ou agressivas. Os adversários do Dortmund se postavam em campo, majoritariamente, de forma defensiva e aproveitavam as brechas que encontravam. Algumas até mesmo em contra-ataques (olha, foi o que aconteceu na partida de ida, em Turim).


Pode ser que seja apenas uma encenação. Uma vez que a tarefa é difícil, Allegri estimulou o apreço e a gana pela vitória com resultados simples.


Pode ser que seja verdade, com a Juve partindo para cima dos aurinegros como se não houvesse o amanhã.


A primeira opção tende a ser a melhor: frear qualquer ousadia agressiva do Dortmund com a defesa mais rápida disponível (Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini e Evra) e buscar o contra-ataque de forma bastante inteligente com a presença de Pereyra no meio de campo, visto que Pirlo ainda é incógnita para começar o jogo. Mesmo se estivesse recuperado, tenho minhas dúvidas acerca da necessidade do regista na Alemanha. Sahin e Gundogan estão preparados para interromper o início do jogo recuado; Pereyra, mais móvel, seria uma interessante válvula de escape.


Sendo assim, uma grande mentira envelopada como irônico desespero auxilia a manter o retrospecto da Juventus no Signal Iduna Park. Afinal, a Juventus nunca foi derrotada no estádio do Borussia. Tomara que não seja hoje.


Colaborou Walter Paneque, do Muralha Amarela