Adidas peca na camisa da Juve, mas compensa no acordo

A perda da invencibilidade de 20 jogos para o rebaixado e falido Parma passou quase desapercebido por aqui. Fiquei muito mais preocupado com o visual da camisa da próxima temporada, da Adidas, com três estrelas. Ficou horrível. O vínculo com a empresa alemã, válido a partir de 2015-16, entretanto, é muito melhor que da Nike. E nem eles acertaram a mão na primeira tentativa.


O presidente Vittorio Caissotti di Chiusano, juntamente com a sua diretoria, colocou no papel a assinatura que entregava a marca Juventus a Nike em 2001. A empresa americana deteria o direito de sublicenciar a terceiros através da recém-criada Juventus Merchandising S.r.l. (o equivalente italiano para Sociedade Limitada). Estes poderiam anunciar, produzir ou vender produtos e serviços da equipe. Um exemplo seria as parceiras Gatorade e Caffè Mauro estamparem Alessandro Del Piero tomando café ou isotônico nas propagandas.


Reprodução/Trivela
Reprodução/Trivela

As partes laterais, brancas, são desastrosas


Naquele momento, a Nike seria benéfica aos cofres do clube. O contrato de 12 anos foi formulado mediante um valor mínimo de 157,25 milhões de euros (todos os valores mencionados no texto são em euro). O montante anual da Juventus consistia em uma parcela não constante. A média durante todo o vínculo foi de 13,1 mi. Além disso, o clube embolsava um valor de fornecimento de material técnico e royalties sobre os produtos comercializados.


O acordo também garantia a abertura de duas lojas físicas da Juventus em Turim e Tóquio, a loja online e escolas de futebol do time italiano. A Nike se comprometeu a pagar 50% do lucro líquido de serviço e atividades do varejo, bem como 10% dos rendimentos excedentes de venda quando arrecadava mais de 22,7 mi. Este último valor foi renegociado ao longo dos anos e, em determinado momento, atingiu 34,1 mi, com a Juventus recebendo 14% do lucro.


É difícil precisar o valor exato que a Juventus recebeu em seu primeiro ano com Nike por conta dos balanços e documentos fragmentados. As demonstrações financeiras também não são explícitas (e olha que a diretoria os lançam fiel e periodicamente no site oficial) sobre o montante recebido do fornecedor. Os americanos pagaram aproximadamente 15 mi na primeira temporada, de 2003-04. A Lotto, antiga parceira do clube, desembolsou 12,1 mi na época anterior (10,6 mi + 1,5 mi de bônus).


O contrato com a Nike era muito mais saudável a Juventus no nível esportivo: tinha um preço mínimo acordado maior que da Lotto, arrecadava em royalties, material e, em caso de vitória dentro de campo, prêmios adicionais seriam entregues pelos americanos.


Reprodução/Trivela
Reprodução/Trivela

A parte traseira é um pouco mais parecida com a camisa da atual temporada


A Nike não renegociou o contrato com a Juve devido ao esquema de manipulação de resultados, em 2006. No documento original, a fornecedora resguardou ao direito de rescindir o vínculo a cada três anos. Esta foi a forma da empresa se proteger em caso de crise econômica do grupo.


A Juventus até deu a opção à empresa de terminar o acordo em caso de exclusão dos campeonatos - a federação, à época, ainda não tinha punido a agremiação. A Nike quis manter o contrato apesar da proibição de participar da Liga dos Campeões e rebaixamento à Serie B. Os americanos queriam findar a parceria somente na data anteriormente estipulada (em 2015), porém, reajustaram a taxa mínima. O clube deixou de receber 9 mi durante os oito anos restantes, sendo 4,5 mi na primeira temporada na segunda divisão.


Oficialmente, a Adidas se tornou parceira da Juve em 24 de outubro de 2013, quando firmaram o acordo para fornecimento de materiais esportivos por seis anos. Ao invés de trabalhar com taxa mínima, os alemães operam com montante fixo distribuído pelo período do contrato - 139,5 mi. Este valor não inclui material técnico ou bônus. Outra grande diferença entre as duas empresas é o valor de licenciamento e merchandising, fixado em 6 mi com possibilidade de aumento dependendo do número de vendas.


Isso tudo significa que, mesmo sem precisar os montantes dos dois fornecedores, a Juventus receberá, aproximadamente, 15,9 mi a mais por temporada. Como? Se considerarmos a venda de 90 mi em produtos originais relacionados ao clube - totalmente plausível -, as receitas médias da Nike chegariam ao teto de 13,3 mi. Na Adidas, o valor anual é de 29,2 mi.


Para manter a tradição, a empresa alemã copiou a rival e não acertou na mão na primeira camisa. A de 2003-04 era uma caca; a de 15-16, também. Ficou parecida demais com a do Newcastle. Juventus até parece o primo riquíssimo do Ascoli.


Mas tudo bem, vai. O acréscimo financeiro compensa.