Messi é a razão para Tévez vencer a Liga dos Campeões

Enquanto clube, o título da Liga dos Campeões vale muito para a Juventus. A glória europeia após passar por tempos difíceis, como o escândalo de manipulação de resultados e rebaixamento nacional, seria incrível. A tarefa é hercúlea, visto que do outro lado do campo estará o Barcelona.


Individualmente, os jogadores buscam força, inspiração ou valentia de diferentes lugares. Buffon, por exemplo, conquistou o maior título da carreira em Berlim: a Copa do Mundo de 2006. Bonucci tenta se firmar como um dos grandes zagueiros da Europa. A atuação contra Messi, Suárez e Neymar pode ajudar - e muito - para isso. Evra e Pirlo procuram uma nova chance de dominar a Europa após sair de qualquer forma dos antigos clubes, enquanto Morata quer o bicampeonato consecutivo para provar a boa fase como futuro do ataque bianconero.


Para Tévez, a história é um pouco diferente, pois o ingrediente extra da decisão é exatamente o compatriota rival: Lionel Messi.


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Tévez comemora o gol de Messi contra o México, nas oitavas de final do Mundial de 2010


Em 2009, a dúvida era se o Manchester United conseguiria parar o Barcelona mais uma vez. A diferença para as semifinais da temporada anterior era a proposta de jogo espanhola. Em 2007-08, os ingleses avançaram à final do torneio continental com um gol solitário de Paul Scholes. Tévez e Messi jogaram e passaram em branco. Na decisão do ano seguinte, Frank Rikjaard já não estava mais no banco culé.


A partida em Roma colocava frente a frente os recém-campeões nacionais. Messi dividiu o protagonismo do Espanhol com Samuel Eto’o, Thierry Henry e Xavi. Tévez foi relegado ao banco, em Manchester, para Dimitar Berbatov ou Park Ji-Sung. Enfim, no Olímpico, o argentino com camisa 32 viu de perto - nem tanto, pois a jogada foi um contra-ataque - a bola levantada por Xavi e a cabeçada certeira de Messi no segundo gol do Barça. O título saiu da Inglaterra.


O atacante voltou a ser protagonista na Europa ao trocar o Manchester City pela Juventus, em 2013. Ao fim da temporada, os 21 gols colocaram a dúvida no torcedor da seleção argentina: será que o técnico Alejandro Sabella mudará de opinião e convocará Tévez para a Copa do Mundo?


A decisão do treinador estava vinculada às desobediências extracampo do Apache e a incompatibilidade tática com Messi. Simples assim. Um não conseguiria brilhar ao lado do outro, muito porque eles desejam terminar as jogadas que começam. À época do Mundial, Tévez chegou a ironizar Sabella, dizendo que o técnico "não teria Sky Italia" para acompanhar os jogos da Serie A.


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Apache e Cristiano Ronaldo lamentam a derrota na final da Liga dos Campeões de 2009


O amigo e jornalista Pedro Spiacci lembrou nesta semana que o argentino, em entrevista recente, negou qualquer tipo de chateação ou abatimento acerca da lista final de convocados para a Copa.

Por vezes penso o que seria da Argentina no Mundial caso fosse Tévez quem recebesse aquele passe completamente equivocado de Kroos, cara a cara com Neuer. Teria a Alemanha, assim, vencido a Copa do Mundo? Em um universo paralelo, naquele que Apache fora convocado, o título não seria uma certeza; a rede do Maracanã, porém, teria balançado.


A medalha de ouro nesta temporada ainda ajudaria o atacante da Juventus a ser lembrado por capitães e técnicos na votação para melhor jogador do mundo. Muito mais difícil que arrancar o título do favorito Barcelona no Europeu. Nenhum jogador da Velha Senhora fica entre os três melhores desde 2006, quando Buffon foi o vice-colocado na Bola de Ouro. Na votação da Fifa, somente Zinedine Zidane levou o prêmio com o nome do clube na última década, em 2000.


De certo, a Bola de Ouro é um símbolo de marketing. Duas vagas são cativas - e assim permanecerá por mais, quem sabe, seis ou sete anos: as de Messi e Cristiano Ronaldo. Uma honrosa terceira posição, por que não? A bola que ele jogou em 2014-15 coloca Tévez como um top 3 em potencial.


Para Tévez, essa final é contra ter Stegen, Piqué, Busquets, Xavi, Rakitic e Neymar. É contra Messi. É contra o favoritismo do adversário. É contra todos os maus momentos que viveu nos últimos anos antes de chegar ao Piemonte. É contra quem falou mal dele. É para quem gosta de volta por cima e dos torcedores argentinos que ficaram possessos com a decisão da Copa do Mundo. E também é para fãs de Juventus e Boca Juniors, provavelmente unidos por um atleta de ambos.