Tevez mostrou que existe vida após Del Piero

Tévez nunca teve medo - ou pelo menos não mostrou esse defeito. O Apache trocou Boca Juniors pelo Corinthians, atuou nos dois times de Manchester e chegou na Juventus como incógnita para vestir a camisa 10 que, até a temporada anterior, era de Alessandro Del Piero.


Em dois anos, o argentino mudou a imagem que tinha na Europa. Atualmente, Tévez está longe de ser o jogador-encrenca, a peste que contamina o vestiário e o ambiente do clube. Não somente o atacante retornou a fazer gols em competições europeias como foi protagonista dos campeonatos locais e voltou à seleção.


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96 jogos, 50 gols e quatro títulos em duas temporadas: razoável?


Desde o vice-campeonato da Liga dos Campeões, há duas semanas, os comentários sobre a saída de Tévez voltaram a ser manchetes dos jornais. O presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, deu a certeza do retorno do Apache exatamente no Dia dos Namorados. Na última quarta-feira (17), Pavel Nedved disse que o atacante “quer voltar à terra natal”. A decisão, segundo o conselheiro da Juventus, já foi tomada.


Só que nenhum acordo foi fechado. Por enquanto, Tévez segue como atleta bianconero. O contrato vai até junho de 2016. As negociações para a liberação antes do fim do vínculo estão em andamento. Os agentes do jogador e Giuseppe Marotta trabalham para liberar o Apache antes do fim do contrato. Para o Boca, seria ótimo se Tévez e Juventus entrassem em acordo para liberação de graça; o diretor da Velha Senhora, porém, deseja uma compensação entre 5 a 8 milhões de euros.



“O jogador é humano e temos de respeitar o aspecto humano da situação” (Giuseppe Marotta).



A Juventus está sendo nobre com a decisão de toda uma vida de Tévez. A saída do argentino será pela porta da frente e com a cabeça erguida. Ainda mais pelos quatro títulos que ajudou a conquistar em um ambiente perfeito. Turim ajudou demais na reestruturação da carreira do Apache. A pressão seria muito maior se tivesse escolhido outros clubes da Itália, como Napoli, Roma ou Milan, último campeão nacional antes da Juve.


De certo, esta situação é bem menos conturbada se comparada a de uma venda a qualquer outro clube da Europa. Os exemplos claros são os de Tévez saindo a um ano do fim do contrato para o Paris Saint-Germain, que pagaria 5,5 milhões de euros de salário, ou aceitando o pedido informal de Diego Simeone para se transferir ao Atlético de Madrid.


ESPNFC.com: Juventus ou Boca: o que você faria se fosse Tévez?


Em um futuro ideal, Tévez seria o professor confiável de Dybala no Piemonte. O ex-Palermo, que custou 32 milhões de euros (e, possivelmente, mais 8 mi se cumpridas determinadas cláusulas), teria a oportunidade de atuar sem qualquer pressão por resultados imediatos. Assim, ele iria adquirir a experiência necessária para jogar ao lado de Morata - isso se o Real Madrid não exercer o direito de recompra em 2016 ou 2017.


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Forte Apache sempre preparado para receber um de seus filhos


Financeiramente, a volta do Apache à Argentina reduz a folha salarial da Juventus, pois ele tem o maior rendimento do clube - 4,5 mi/anual. O valor pago pela quebra de contrato auxiliaria na contratação de qualquer reforço para a posição. A especulação da vez é Mandzukic: 15 mi por um vínculo de quatro anos. O salário do croata do Atleti seria equivalente ao de Llorente e Chiellini - 3,5 mi.


Em pós-temporadas, as especulações desinformam mais que informam. Impossível não lembrar dos 10 boatos bizarros desde 2010. Em 15 dias, já teve Embolo, Falcao, Jackson Martinez, Salah, Cavani e os de sempre - van Persie e Jovetic. É bem provável, contudo, que ou Zaza, ou Berardi comecem a temporada jogando com uniforme preto e branco. A ideia propagada pela imprensa italiana é que Zaza seja o escolhido, enquanto o jovem ponta permaneça por mais seis meses no Sassuolo.


De qualquer forma, a Juventus se mexe mesmo sem a definição de Tévez - que deve ocorrer até o fim da semana. O escolhido entre Zaza e Berardi será companheiro de reserva de Dybala, ao menos inicialmente. Se ficar mais seis meses, o Apache será o titular; se voltar ao Boca, veremos. (Ainda mais porque Mandzukic tende a ser o substituto de Llorente). Marotta tenta suprir a falta do principal jogador do time na Serie A da melhor maneira. Apesar da idade mais avançada, Tévez está em uma posição menos afortunada se comparada ao meio de campo. Caso Vidal ou Pogba saíssem, as opções para o setor são melhores que para o ataque, com Pereyra, Sturaro e Khedira.


O “sim, estou retornando imediatamente” do Apache demonstra respeito entre jogador e clubes. Se existe vida na Juventus depois de Del Piero, por que não teria após Tévez?