O que realmente o clube ganha com o sócio-torcedor?

É possível criar inúmeros projetos de marketing e campanhas para enaltecer sua equipe nas redes sociais e conquistar mais sócios-torcedores. De que adianta, porém, o São Paulo ter 55 mil sócios se a média do clube no campeonato é de 21 mil? A lotação máxima do Morumbi é de 67 mil, ou seja, a média não passa de 1/3 da capacidade.


Os sócios da Juventus acabaram com os 28 mil ingressos colocados à venda para a temporada de 2015-16 em apenas um dia - promessa de, pelo menos, 70% do estádio cheio nos 19 jogos da Serie A na Arena. É o quarto ano consecutivo que os fãs indicam prosperidade financeira somente no caráter das bilheterias.


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Contra o Napoli, torcedores da Juventus lotaram a Arena em mais um jogo da Serie A


Os dois mundos não são completamente diferentes. A Itália ainda caminha a passos lentos rumo à reestruturação esportiva depois dos acontecidos no Calciopoli, a mentira da década. O Brasil ainda não se deu conta do baque que aconteceu junto à CBF. Quanto mais tempo demorar, mais vai tardar a renovação.


Os clubes são minimamente organizados em relação - aqui somente uma comparação - à Juventus, que entendeu o contexto onde estava situada e buscou a melhora do todo. Pois a ajuda é mútua: se a Signora se impõe sobretudo em nível continental, o campeonato nacional atrai mais incentivos. Até mesmo para rivalizar. É impossível não ligar os pontos das grandes contratações de Napoli (Higuaín, Mertens e Callejón), Roma (Nainggolan e Pjanic), Milan (Ménez, Cerci e Bacca), Sampdoria (Eto'o) e Inter (Miranda, Hernanes, Icardi) com a tentativa, fracassada, de tirar o poder do bianconero.


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Não sou tradicionalista a ponto de debater a função da arena multiuso no futebol moderno, tampouco progressista para ficar contente em ver meu time permitindo que eu narre a escalação no estádio ou ajude o roupeiro no vestiário. Admito o conforto e o cara suado ao meu lado no estádio, pulando como maluco. Quero oportunidades exclusivas. Quero conhecer ex-jogadores do clube ou participar de promoções para ver o jogo ao lado deles. Quero ter acesso aos treinamentos, quando possível, ou comprar ingressos de forma antecipada.


Não quero pontos para trocar por ingressos de cinema. Temos incentivos suficientes de outras empresas para o mesmo serviço. Milhas para passagens aéreas? Só se for para onde meu time for jogar. O “Voe para Turim”, por exemplo, sorteia viagem, acomodação, passeio no estádio, jogo, fotos e autógrafos com os atletas. Não quero ser mais um número de rede social ou um índice para a equipe de marketing festejar.


No fim das contas, existe apenas uma forma de segurar o torcedor ao seu lado: com o time. Se for bom, traz resultados dentro e fora do campo - mesmo sendo clichê, é bom reiterar.