Fui manipulado

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Meu time era bem mais forte que esse aí, mas a imagem é só para ilustrar


Crescer na minha família foi bacana. Claro, é minha família. Mas de um lado, o paterno, tinha o avô santista e uns primos são-paulinos; do outro, palmeirense. Inclusive tem muito palmeirense na família da minha mãe. A grande maioria está longe, no interior do estado. Ninguém conseguiu manipular minha escolha de equipe. 


Só que meu problema são os jogos. Os de videogame e os managers de computador. Vício que começou lá em 2003. Saía de casa apenas para estudar e praticar handebol. O que eu mais queria fazer era colecionar álbuns de futebol, tocar guitarra e jogar International Superstar Soccer no Nintendo 64. Daí um vizinho me apresentou o Championship Manager 01/02. Foi neste momento que se deu o início do fim da vida.


Pelizzoli, Cafu, Aldair, Samuel e Candela; Emerson, Tommasi e Fuser; Totti, Batistuta, Montella (Delvecchio). A Roma era o único time que era possível vencer um campeonato sem se movimentar no mercado de transferências. Dizia ele, que já tinha certa experiência no jogo (havia realizado uma temporada completa). Porém, compreendia a razão: Batistuta marcava sete gols por partida; Montella, mais dois. Com 12 anos, o que eu desejava era ganhar um scudetto de qualquer jeito. Logo, o time vermelho foi a minha primeira opção.


Contudo, as cores não eram bacanas. Vermelho com laranja naquele menu retrô do CM. Meu conhecimento de futebol, à época, não era horroroso. Do Campeonato Brasileiro sabia tudo; na Europa, conhecia alguns bons times também. Já conhecia a Juventus. Sabia da existência de um jogador deles, lá, um tal de Del Piero. Descobri que Carboni, o grisalho da seleção italiana do International Superstar Soccer, usou preto-e-branco sob alcunha de Ravanelli. E tinha outro também que conhecia: Marcelo Salas. Ah, quase esqueci. Tinha outro também, aquele que jogava de óculos. Quem joga de óculos, caramba?! "Esse deve ser muito fera", pensei na primeira vez que vi Davids. 


Juntei o útil ao agradável, assimilando as cores do meu time no Brasil com o da Itália, no CM 03/04. Outra escalação: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Fábio Luciano e Birindelli; Vieira; Camoranesi, Nedved e Cerci; Del Piero e Toledo. Nedved como artilheiro da temporada com mais de 100 gols... Equipe campeã de tudo em três temporadas consecutivas. 


Veio Winning Eleven, Football Manager e Fifa. Agora já com a certeza de que eu tinha um time em outro continente. Desconheço o porquê gosto mais de uma equipe gringa que a de minha terra natal. Sei que torço. Torço bastante. E escolho a Juve apenas em partidas off-line e contra o computador, no videogame. Detesto perder. Detesto ainda mais perder jogando com a Juventus.


Meu vizinho me manipulou. Sorte que não me manipulou corretamente. Se tivesse, estaria escrevendo sobre o Milan.