Serie A começou para quem?


“É hora de acordar, pessoal”. (Lapo Elkann, neto do ex-presidente da Juve Gianni Agnelli).



Duas derrotas, três gols sofridos, um feito e o pior início de campeonato desde 1912-13, quando as ligas nacionais ainda eram divididas por região. A pausa para a data Fifa dá tempo para Massimiliano Allegri repensar alguns conceitos implantados neste começo de temporada e chance de ambientar os novos contratados a Vinovo.


Perder para Udinese, em casa, e Roma não é o fim do mundo, óbvio. As derrotas neste início de época tampouco importam - reitero: neste momento! Na estreia, o vacilo de Lichtsteiner na cobertura a Théréau e as chances claras desperdiçadas por Pogba e Mandzukic culminaram na primeira derrota na Arena desde março, pela Coppa Italia, ou janeiro de 2013, na Serie A.


Em Roma, o 3-5-2 testado pela segunda vez consecutiva foi péssimo. O primeiro tempo da Juventus foi horrendo; ao mesmo tempo, o adversário jogou muita bola. Padoin, Pogba e Sturaro foram engolidos por Keita, Nainggolan e Pjanic, bem como Evra e Lichtsteiner por Florenzi e Digne. O segundo gol da partida, de Dzeko, saiu exatamente no momento que Allegri tentava algo diferente - com Morata, Pereyra e Cuadrado. A expulsão de Evra acabou dando o mínimo de ânimo para que Pereyra e Dybala somassem para o único tento do time no campeonato. Só não teve empate porque Szczesny salvou a cabeçada de Bonucci no último minuto.


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O golaço de falta de Pjanic deu AQUELA complicada no Olímpico


Pogba falhou em impressionar novamente. Pressão de vestir a camisa 10 e ter de carregar o time na falta de Marchisio e Khedira no setor? Divagações, apenas. A equipe está longe de estar coesa. A importância de Marchisio foi evidenciada nas três partidas oficiais da temporada: vitória e título da Supercoppa, contra a Lazio, e derrotas na Serie A. O que foi visto na liga foram muitas jogadas despreparadas e um chuveirinho desnecessário (quando o cruzamento é certo) para Mandzukic.


A lesão do Principino abriu posição na equipe exatamente para Padoin, que, segundo o treinador, “é o único jogador capaz de atuar nessa posição”. Mas não dá. Ele esteve completamente perdido em campo nos dois jogos. Contra a Roma, ele basicamente se escondeu atrás de Dzeko na saída de bola. Talvez seja a hora de abandonar a função de regista.


A função só foi integrada ao pensamento juventino única e exclusivamente devido à contratação de Pirlo, em 2011. Antes dele, a última vez que a Juve realmente teve um jogador para atuar na mesma posição foi há quase 40 anos, com Fabio Capello. Desde o último Europeu conquistado, Tiago, Cristiano Zanetti, Paulo Sousa e Aquilani passaram por ali; nenhum fez função exata do regista.


Aqui, duas possibilidades: se apenas Padoin consegue atuar ali, ou falta visão do treinador, ou não existe profundidade no plantel. Caso seja a segunda opção, o empréstimo de Lemina (1,5 milhões de euros + obrigação de compra de 9 M de euros) é plausível. Uma alternativa mais barata aos quase 50 milhões de euros pedidos pelo Zenit para negociar Witsel.


Sou um profundo admirador do trabalho do diretor Giuseppe Marotta no Piemonte, mas fica cada vez mais evidente que o executivo não sabe vender. A Juventus dificilmente negocia bem. Llorente saiu de graça para o Sevilla após muitas recusas de equipes francesas e espanholas e o máximo que a Signora conseguiu foi um novo empréstimo de Isla - que desgraçou meia dúzia de jogadas ofensivas ante a Udinese.


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"Valeu pelo interesse, Juventus, mas não"


Transferir Coman por empréstimo foi uma jogada bastante estranha. Allegri disse que o jogador queria sair. Até aí, OK. Mas por que não vendê-lo logo de uma vez? Financeiramente compensaria, já que o Bayern vai pagar 7 milhões de euros pelo vínculo de dois anos (e pode acrescer mais 21 milhões de euros se quiser comprá-lo ao fim da temporada de 2017. Coman fez partidas razoáveis em bianconero e mostrou que tem potencial. De qualquer forma, pode ser um novo Thierry Henry, destruidor de defesas, ou um Kapo, quem?


Marotta vinha sendo um péssimo comprador no fim das janelas, com Bendtner e Elia nas últimas temporadas. Perder não é o verbo que define perfeitamente a negociação por Draxler. O Schalke 04 fez aleluia com o jogador e o despachou para quem ofereceu mais no leilão. A ideia da Juventus nunca foi gastar 42 milhões de euros (sendo 5 de bônus) pelo jovem meia-atacante - que, aliás, gostaria de permanecer na Alemanha.


A venda confirmada após a ida de De Bruyne ao Manchester City obrigou a Marotta a correr contra o tempo. Isco? Impossível. Götze? Deixa pra lá. Lamela? Puta merda. Vázquez? O Palermo dificilmente venderia os dois melhores atletas na mesma janela. A compra de Hernanes foi uma surpresa.


O fechamento da época de transferências explica o que é desembolsar 11 milhões de euros para contratar um reserva de 30 anos a um ano do fim de contrato. O brasileiro é tática e tecnicamente valiosíssimo para as pretensões da Juventus na temporada. Era o que tinha, porém, aquém de tudo o que foi noticiado em dois meses.