‘Dybala será um dos cinco melhores jogadores do mundo’

Olhar a escalação inicial da Juventus e ver Dybala entre os 11 nomes da lista já traz uma sensação boa. Desacreditava que o argentino estaria nessa crescente logo nos primeiros meses em Vinovo. A afinidade no primeiro toque, a ousadia em enfrentar os trogloditas das defesas adversárias, as meias baixas. Puta merda, os meiões baixos… Difícil encontrar atletas nesta década que joguem desta forma, com as meias mostrando metade da caneleira. Sobretudo quando são dois gambitos magricelas, aqueles que os zagueiros visam para quebrar mesmo. “Como ousa invadir meu território, seu traquitana?”.


Dybala encontrou um caminho para chegar ao time inicial exatamente devido às lesões e fases irregulares dos companheiros de posição. Primeiro, Morata se quebrou; depois, Mandzukic, que corria um bocado e errava gols na pequena área, também ficou sob cuidados do departamento médico. Durante o período sem vitórias na Serie A, o moleque era um dos jogadores mais lúcidos de um time quase apático.


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O pupilo de Omar Sivori, outra canhotinha com meias na altura da canela


Os 32 milhões de euros investidos em Dybala, neste verão de 2015-16, mostrava para quem não acompanhava o Campeonato Italiano que a equipe da Sicília fez um ótimo trabalho de garimpo. Para amenizar as saídas de Vidal, Tevez e Pirlo, a Juve queria (e como queria…) comprar Vázquez. O ítalo-argentino teve sua melhor temporada no Belpaese atuando justamente ao lado de Dybala no Palermo extremamente divertido do treinador Giuseppe Iachini. O presidente rosanero afirmou que rejeitou uma proposta de 20 milhões de euros pelo trequartista; depois, declarou que não exista a menor possibilidade de uma transferência do jogador à Juve.


Vázquez foi contratado em 2011 para substituir Pastore, de saída para o Paris Saint-Germain. Contou Luca Cattani, ex-olheiro e diretor de futebol do Palermo, que ouviu o nome de Dybala pela primeira vez exatamente quando viajou a Córdoba para selar a compra do meio-campista naquele ano.


Um dos diretores do Belgrano organizou um jantar e, por ventura, Cattani sentou-se ao lado do presidente do Instituto. À época, quando Dybala estava no período de transição à maioridade, declarou que tinha um jovem atleta que era “melhor que Vazquez”. O dirigente apenas anotou o nome do pequeno atacante, porque não fazia a menor ideia de quem aquele jogador era e o clube estava na segunda divisão da Argentina.


A transferência de Dybala foi acertada no primeiro semestre do ano seguinte; a oficialização do Palermo aconteceu em abril. Cattani afirmou que só foi atrás do atacante após uma conversa com Antero Henrique. O diretor de futebol do Porto é um dos profissionais que o ex-rosanero mais admirava e temia. Foi ele, o português, quem falou muito bem sobre o moleque magricela que usava meias baixas.


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Bromance de Dybala e Vázquez: dupla barulhenta do Palermo em 2014-15


As falas de Cattani foram retiradas da entrevista concedida ao jornal “Gazzetta dello Sport”. Costumeiramente, esse tipo de pessoa ligada ao futebol - ainda mais quando responde por um clube - tende a tratar seus produtos como bens máximos e supervalorizados. Basta ver o que Mino Raiola faz com Pogba e Balotelli. A diferença, neste caso, é que o ex-dirigente já não tem ligação com o Palermo.


“Meu trabalho era encontrar talentos. Claro, ele foi um ótimo investimento e nunca tive dúvidas. A Juventus será ótima para ele e tenho certeza que Paulo irá melhorar. Você vai ver que ele se tornará um dos cinco melhores jogadores do mundo”.


Não adianta contar aquele time cheio de potencial em 2009-10, que fez nada, diga-se. Diego rendeu absolutamente nada; Giandonato, Marrone, Paolucci e Candreva, tampouco. Em 1996-97, entretanto, o atual campeão europeu deu Zidane, Amoruso, Iuliano e Vieri ao técnico Marcello Lippi - Boksic e Montero, acréscimos daquela temporada, já eram um pouco mais velhos. 


A formação mezzo argentina, mezzo italiana não desprende as ideias de Cattani que a Juventus será essencial para a maturação de Dybala. Neste caminho de duas mãos, ele é um dos jovens com perspectiva altíssima em Turim. Se o setor de ataque, teoricamente, está bem encaminhado para o futuro, Pogba e Rugani são encaixados nas mesmas concepções em outras posições, findando um jejum de quase 20 anos sem jovens de valores ao mesmo tempo no time principal. O francês achado em Manchester já possui experiência internacional, enquanto Rugani tem criado sua própria expectativa desde que foi selecionado para representar a seleção sub-17 da Itália, há cinco anos.


Os três juntos, ah!, seria um sonho. Deixe essa possibilidade tomar forma e ganhar corpo. E mantenha os meiões baixos, Paulo.