A vice Juventus: em 1983, a derrota antes do título

Hamburgo 1 x 0 Juventus


A Juventus de Giovanni Trapattoni era muito melhor se comparada àquela vice-campeã em Belgrado. Individualmente e coletivamente. Em 1981-82, Pietro Paolo Virdis liderou o ataque da equipe vencedora da Serie A com somente 12 gols, contudo, o sistema defensivo sofreu apenas 14 em 30 partidas. Para jogar a Copa dos Campeões, o presidente Giampiero Boniperti tirou Michel Platini do Saint Etienne e comprou Zbigniew Boniek, do Widzew Lodz.


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Cabrini fez uma boa partida. Nesta chance, o ala foi travado por Hieronymus


O crescimento de produção de Paolo Rossi foi notável durante a temporada, assim como a adaptabilidade dos dois novos gringos ao time titular com seis campeões mundiais pela Itália - Dino Zoff, Claudio Gentile, Antonio Cabrini, Gaetano Scirea, Marco Tardelli e o supracitado atacante. Os croatas do Hvidovre foram presas fáceis na estreia. Antonio Cabrini não participou da partida de volta contra o Standard Liége por conta de uma lesão no menisco, mas os jovens Massimo Bonini e Cesare Prandelli deram conta do recado, na defesa, para eliminar os belgas do torneio.


O Aston Villa, detentor do título europeu, foi o primeiro time inglês a ser derrotado por um italiano na Copa dos Campeões com uma partida perfeita de Sergio Brio e momentos de Roberto Bettega. Logo após o confronto ante o Hvidovre, o Pena Branca começou a bater de frente com o corpo técnico juventino porque não queria ficar no banco de reservas - no fim da temporada, ele se transferiu ao Toronto Blizzard, extinta equipe canadense.


O sorteio da semifinal colocou Boniek para enfrentar o antigo time, que havia eliminado o Liverpool de Bruce Grobelaar, Ian Rush e Kenny Dalglish. A vitória por 2 a 0 na ida - quando teve arrecadação recorde no Olímpico de Turim: 1,1 bilhão de liras - deixou a Juventus mais tranquila. O meia-atacante polonês foi a diferença entre os times. Na Itália, correu metade do campo, driblou três marcadores, tabelou com Rossi e deixou Bettega em condições de marcar o segundo gol. No segundo jogo, sofreu pênalti de Józef Mlynarczyk e deixou a cobrança para Platini, que converteu e sacramentou a ida à final.


O problema é que a decisão na Grécia foi exatamente contra a equipe de um dos melhores técnicos daquele período. Ernst Happel impôs seu estilo físico e rápido no Hamburgo de 95 gols do Campeonato Alemão de 1982. Todo mundo corria, Felix Magath armava e Horst Hrubesch balançava as redes sempre que podia.


Hamburg 1982-83 vs Juventus 1982-83 - Uefa Champions League - Football tactics and formations


O goleador alemão não marcou naquela decisão. O autor do único tento foi exatamente Magath, com um chute absurdo de fora da área, no ângulo esquerdo. Manfred Kaltz ainda acertou a trave no primeiro tempo, enquanto Bettega e Platini - ambos depois de cruzamento de Gentile - pararam em Ulrich Stein. O goleiro do Hamburgo ainda defendeu dois tirambaços de Cabrini, um em cada etapa.


A Juventus reclamou de um pênalti não marcado de Stein em Platini (e foi muito pênalti), entretanto, para o outro lado teve um gol mal anulado de Lars Bastrup por suposto impedimento. Nem Platini, nem Boniek conseguiram exercer a mesma influência de Magath no jogo. Rossi, autor de seis gols no torneio, saiu aos 60 minutos depois que tocou poucas vezes na bola.


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Boniek também não acreditou que Magath achou o ângulo de fora da área


A confiança do início da temporada foi dissipada ao término da época, com o título italiano da Roma. A equipe teria de se reformular - e aconteceu em dois anos - para vencer o Liverpool em 1985.


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