A vice Juventus: a Nova Senhora de fraldas

A ideia desta série surgiu a partir da reflexão acerca dos valores de determinados atletas para os outros clubes. Excluindo os primeiros vices, a Juventus da virada do século sempre teve jogadores valiosos. Para si e para os outros.


Significa que Zinedine Zidane chegou a Turim com pompa, cumpriu as expectativas e saiu cinco temporadas depois para ser o centro da reformulação galática do Real. Não fosse em Madri, seria em Barcelona, Munique, Manchester ou Milão. Zidane tinha vaga cativa em qualquer equipe.


Não aconteceu, mas Edgar Davids seria titular no Manchester United do mesmo período (perdão, Paul Scholes…). Angelo Di Livio e Alen Boskic seriam perfeitos ao Liverpool pré-Rafa Benítez. A visão fantasiosa de Pavel Nedved no Barcelona é completamente plausível, assim como Didier Deschamps ou Antonio Conte no Bayern de Munique e Ciro Ferrara no próprio Real Madrid. Isso sem falar em Gianluigi Buffon e Alessandro Del Piero…


Getty Images
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Pogba e Dybala estão entre os atletas bianconeros que não tem valor somente para a Juventus


Pouco mais de uma década depois, o futebol italiano deixou de ser o celeiro dos craques. A Itália não é o destino final de grandes atletas como fora nos anos 80 e 90. Não vemos mais a Serie A no topo do ranking de arrecadação. O grande campeão europeu do Belpaese, o Milan, conseguiu passar somente uma vez das quartas de final desde o título de 2007.


Foi tudo numa leva só: manipulações de resultados, queda de público nos estádios sucateados, crescimento de outros centros (como França e Portugal, além das afirmações de Inglaterra e Alemanha), fuga de investimentos em uma Itália em crise, federação tão confusa quanto a CBF. Não tem como Palermo segurar Javier Pastore quando um novo rico oferece uma bolada de dinheiro. É extremamente complexo para o Torino garantir as presenças de Matteo Damian e Bruno Peres - conseguiu, por enquanto, de apenas um deles. Nem mesmo a outrora poderosa Inter teve a manha de prender Mateo Kovacic por mais alguns anos.


A pergunta “a Juventus tem atletas de altíssimo rendimento?” cabe ao questionamento do artigo. Se aqueles grandes jogadores teriam vaga entre os maiores clubes do período, o mesmo pode ser dito para aqueles que hoje vestem a camisa bianconera?


Desde o início da nova década, talvez oito - somando três que já saíram - entre 83 bianconeros. Arturo Vidal, Andrea Pirlo e Carlos Tévez certamente entrariam na lista com Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci, Giorgio Chiellini, Paul Pogba e Buffon. Separados, os caras que compõem o trio defensivo conseguiram a titularidade em um outro grande clube da Europa - apesar das besteiras do camisa 3.


Stefan Lichtsteiner foi importantíssimo para a reconstrução do time em 2011. Não à toa o PSG quis tirá-lo do Piemonte em quatro janelas do mercado. As contratações do suíço, de Patrice Evra e Alex Sandro fizeram com que a Juve tivesse atletas decentes para aquela posição pela primeira vez em muito tempo. Os laterais das gerações das pratas continentais eram inferiores aos que compõem o elenco atual.


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Gostaria de ter esse trio para sempre


É possível questionar se Claudio Marchisio é um desses jogadores world class. Tenho minhas dúvidas, apesar da Juventus andar em função dele. Sami Khedira é fantástico, contudo, as lesões diminuem o valor do meio-campista. Mario Mandzukic pode ser ótimo para empurrar a bola para o fundo do gol, porém, também não pode integrar esta lista.


Relembrar Christian Vieri, Filippo Inzaghi ou até mesmo Marcelo Salas (com passagem terrível em bianconero) soa como saudosismo. As lembranças, por outro lado, não pregam essa peça: há 20 anos, os jogadores que atuavam na Itália eram vistos de uma forma diferente. Como um colega mencionou em uma conversa, “muitos desses caras de hoje não soam sexy”. Não existe mais apelo. Não tem mais Kaká ou Alessandro Nesta no Milan. Não existe Gabriel Batistuta na Fiorentina ou na Roma, fazendo parceria com Vincenzo Montella.


A Velha Senhora atual é jovem demais para ser tão dominante em comparação às equipes de Marcello Lippi. Entretanto, é tão boa quanto àquelas. E pode se tornar ainda melhor quando Dybala, Sturaro e Rugani, astros em potencial, saírem das fraldas.


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