Você caminhará sozinho, sim, Liverpool

Texto escrito por um torcedor, que não faz parte da Liverpool FC Brasil, traz uma outra visão da Novela do nosso 10 que se foi. A ideia é trazer um contraponto ao último texto sobre o tema publicado neste blog


por Alysson Rodrigues


Não há por que chorar a saída de Philippe Coutinho. Nem ao menos chamá-lo de Judas. O trecho traduzido no título vem da icônica música que qualquer torcedor dos Reds sabe cantar: o refrão “You Will Never Walk Alone”, significa que a equipe jamais caminhará sozinha. Está certa. Nós sempre estaremos com o Liverpool com ou sem o ex-camisa 10 da equipe.


E essa separação evidente nos últimos dois anos tem muita culpa do Liverpool. Um atleta como Coutinho sonha chegar aos 25 anos brigando por títulos e sempre nas principais competições como um dos favoritos, e não como coadjuvante. E o Liverpool não deu isso a ele. Nunca foram montados times para brigar de fato pela Premier League (o jejum já supera idade do Coutinho) ou pela Champions League. A última final de Champions completou uma década ano passado! Muito pouco para nossa camisa que é de respeito, mas que, dentro das quatro linhas, não faz jus hoje aos 125 anos do lado vermelho de Liverpool.


Claro, a forma como pediu sua saída no começo da temporada não foi a mais correta e profissional, mas, quando retornou, seguiu nos dando alegria. Também sei que ele tem uma gratidão com a gente, não acho que ele nos deva, e sim o inverso!


Getty Images
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Primeira coletiva no novo clube


Ao chegar da Inter de Milão em janeiro de 2013 com 20 anos e com valor próximo dos oito milhões e meio de libras, todos esperavam essa oportunidade de mercado deslanchar após um tempo emprestado no Espanyol de Mauricio Pochetino, hoje no Tottenham e que tentou à época atravessar o negócio e levá-lo para o Southampton, o primeiro time do argentino na Premier League.


Na temporada de estreia que pegou pela metade, Coutinho fez 13 jogos e anotou seu primeiro gol já na segunda partida. O confronto era diante do Swansea, no templo Anfield Road. O Liverpool acabou aquela Premier League em 7º lugar, com 61 pontos - a 28 pontos do campeão e maior rival, Manchester United.


Quando chegou à terra natal dos Beatles, o elenco contava com o nosso ídolo para vida Steven Gerrard em condições plenas de jogo, além de Luis Suárez, Lucas Leiva, Pepe Reina, Carragher, Skrtel, Agger, Henderson, Sterling (recém-promovido) e Sturridge. De lá até esse dia 8 de janeiro de 2017, o elenco nunca se fortaleceu. Companheiros que subiam o nível do Liverpool raramente eram repostos à altura, como agora com Sadio Mané e Salah. Olhem nossos goleiros depois de Reina. Só calafrios com Mignolet e Karius. Não há Klopp que faça milagres com um mercado horrível para esta temporada.


Ainda para infelicidade de Philippe Coutinho, passaram como companheiros de equipe: Sahin, Luis Alberto, Iago Aspas, Moses, Joe Allen, Rickie Lambert, Downing, Balotelli, Borini, Markovic, Manquillo, Lovren e Klavan (ainda estão lá), Benteke e Origi. Como impedir sua saída com a falta de ambição da nossa equipe? A única exceção nestes anos foi a temporada 2013/14, quando os Reds perderam a taça nas rodadas finais para o Manchester City. Teve até um Leicester campeão de forma genial na Premier League 2015/2016, com muito menos investimento que a gente.


Nesses 201 jogos com o camisa 10 vermelha de Merseyside, Coutinho fez 54 gols. Coincidência que o último gol dele foi também contra o Swansea, em Anfield Road, também num jogo que terminou 5 a 0. Marcou seu nome na história da Inglaterra e do time. Mas faltaram taças. Não venceu sequer uma pelos Reds.


Fatalmente há um erro do criador com a sua criatura. E o Liverpool tem que assumir isso e aproveitar esses mais de 140 milhões de euros recebidos na transferência e suprir essa saída para melhorar a equipe como um todo, e não só na posição de Philippe Coutinho. Bye, “pequeno mágico”, como o apelidamos em Anfield.


Alysson Rodrigues