Onze homens e um destino

Uma parte significativa da torcida do Liverpool ficou brava comigo por que eu soltei os cachorros depois do empate horroroso contra o Everton no Goodison Park, aquele, que nos tirou da liderança da Premier League. Ali eu disse que era o Fim do Mundo.


Mas eu acho que alguma coisa aconteceu entre 4 paredes depois daquela peleja. Se, para a imprensa Klopp ficou manso dizendo que nada tinha mudado, que estava tudo bem e que estávamos na briga, lá dentro, entre eles, acho que o alemão pancada chamou o time e deu no meio deles, com aquele jeito característico, rangendo os dentes: “Que p&@#% foi essa?”


Porque eu acho isso?


Porque vi sangue correndo na veia de homens vermelhos desde então. Primeiro uma vitória de virada, sobre o Burnley no Anfield, contra tudo e contra todos, num cenário fadado ao fracasso. Vitória essa que nos mantém vivos e fortes na disputada disputa pela Premier League.


E ontem.


Ganhamos o jogo do Bayern na Allianz Arena porque fomos mais homens que eles, lá na Alemanha, com a torcida bávara tomando o estádio. Ganhamos com o coração. Com a vibe firme e forte, que (in)felizmente Klopp ensinou o time a ter desde que chegou. Vibe essa que não foi ao Goodison aquele já fatídico dia.


Não jogamos um futebol vistoso, técnico e envolvente. Ganhamos na raça. No foco. Na concentração absurda de todos. Se todos esses ingredientes estiverem devidamente colocados, o talento, indubitavelmente, floresce. Certo, Mané?


Getty Images
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Fimino: "Você é o cara, Virgil!"


Temos alguns símbolos de tudo isso dentro dos 11 homens de Liverpool. O principal deles se chama Virgil Van Dijk. Hoje esse elogio já virou um baita de um clichê, mas esse cara é um MONSTRO mesmo. Na bola. No comportamento. Na raça. Robbo vai na mesma linha do holandês e, nitidamente, dá a vida pro Nosso Liverpool (aqui cabe uma reflexão: tente encontrar a mesma vontade de Robertson em um jogador do seu time aqui, em terras tupiniquins... será difícil achar...).


Apesar de Salah pipocar às vezes, não podemos dizer que o Rei do Egito é/está omisso. Tentou de tudo, até achar um tapa nojento de 2 dedos e meio para Mané fechar o caixão alemão, 3x1. E o que falar do Mané? Que falha e acerta. Mas que joga contra o Bayern em Munique como jogava futebol de rua lá na sua Senegal, na infância sofrida que teve.


11 Homens e um destino. Uma taça? Duas?


Todos sabemos que só ganha um time.


Mas se lutarmos até o fim, suarmos sangue, como fizemos nesses últimos dois jogos, tenho certeza que o orgulho por esses caras será enorme, não importa o que aconteça.


Não importa o destino.


#YNWA

Até o fim: a Liverpool FC Brasil acompanha o maior da Inglaterra until the end!