No Derby de Manchester, venceu quem jogou para vencer desde o primeiro minuto

Ao longo das últimas semanas, o City passou certo aperto para vencer times tecnicamente inferiores – alguns mais, outros menos. Dada a dificuldade tida nestes últimos jogos, questões sobre o desempenho do City em relação ao início da temporada começaram a ser levantadas.


Com isso, o Manchester Derby poderia tornar as coisas mais claras com alguns possíveis cenários: ou o City sucumbiria diante de um adversário igualmente competitivo, ou se afirmaria ainda mais como a grande força da Premier League.


No que se refere à questão do City ter dificuldade contra adversários bem postados defensivamente e que se contentam com um empate, este panorama muda de figura quando o jogo é contra um dos times do Top 6, que na maior parte das vezes costumam jogar de igual para igual e agridem tanto quanto possível.


Entretanto, abre-se um parêntese para o United neste caso. Como todos sabem, Mourinho não tem o menor pudor em estacionar o ônibus na frente de sua área quando enfrenta um time que lhe é superior, mesmo jogando dentro de Old Trafford – exatamente como foi hoje. E isso levando em consideração que a escalação do United foi, de certa forma, enganosa. Dada a disposição do time da casa, até se pensou que teríamos um confronto com duas equipes dispostas a jogar. Ledo engano.


De qualquer forma, o City venceu porque jogou para vencer desde o primeiro minuto, mesmo que não tenha apresentado seu melhor futebol e a forma escolhida para atacar não tenha sido a mais acertada. Naquele setor, vimos algumas trocas de posição entre o trio Sané, Sterling e Jesus, com o último caindo mais pela esquerda, com o camisa 7 jogando mais enfiado, enquanto o alemão entrava mais pela direita.


Apesar da visível falta de organização da parte ofensiva, o City foi capaz de criar algumas boas chances até finalmente conseguir vencer o ferrolho armado por Mourinho.


Depois do gol de David Silva, o jogo mudou. E o United, que parecia mais o Crystal Palace, resolveu querer ir pra cima. E de certa forma, o City pagou o preço de não ter aumentado a vantagem quando pôde, porque na primeira e única bola em que o United conseguiu passar para o campo ofensivo sem ser numa ligação direta de Marcos Rojo, Delph falhou bisonhamente e permitiu que Rashford tivesse apenas Ederson à sua frente para marcar.



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Quanto ao sistema defensivo de modo geral, até pode-se dizer que a falha de Delph foi mais um lance isolado do que qualquer outra coisa. Ainda assim, o sistema precisou ser alterado na segunda etapa, já que Kompany precisou sair no intervalo por lesão, cuja qual ainda não se sabe a gravidade.


Com o City tendo consciência de que poderia ganhar o jogo e, da forma como vinha dominando o adversário, tinha até certa obrigação moral de fazê-lo, Pep não pensou duas vezes antes de mandar Gündogan a campo e recuar Fernandinho para fazer dupla com Otamendi na zaga central.


Era uma aposta arriscada, mas como o City já estava ganhando o meio de campo com a belíssima partida que já estavam fazendo Fernandinho e David Silva, por que não?


Mas como foi dito há pouco, o City, mesmo sendo melhor, não fez uma de suas apresentações mais brilhantes plasticamente falando, embora taticamente Pep tenha engolido Mourinho – de novo.


Nesse caso, isso justifica que o segundo e decisivo gol do City tenha saído não de uma jogada trabalhada ou de um lançamento bem feito, mas de um bate-rebate dentro da área que só terminou quando Otamendi botou a bola na rede de David De Gea.


Claro que com o gol o panorama do jogo mudaria de novo. Tanto que não surpreende saber que Pep quase que imediatamente sacou Gabriel Jesus para colocar Mangal, para que o estado da defesa fosse reestabelecido e o City passasse a jogar de forma mais conservadora, por assim dizer.


A partir de então, não deixa de ser engraçado o que aconteceu. Mourinho, que parecia plenamente satisfeito com um empate num jogo que teoricamente ele precisava vencer, resolveu ir pra cima ao colocar Ibrahimovic para que este se juntasse a Lukaku na linha de frente do United.


E logo ele, Mourinho, que tanto gosta de mind-games, teve que se conformar em ver o City tocando a bola e prendendo-a na lateral de campo nos minutos finais.


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Mind the gap, Jose


Pelo conjunto da obra, há de se dizer que o City até poderia ter vencido por um placar mais elástico, já que com o espaço dado pelo United na metade final do segundo tempo, boas chances foram criadas e só não foram convertidas porque lá estava De Gea para intervir.


Mas se é pra falar daqueles que protegem a meta, é preciso reconhecer que muito dos três pontos hoje conseguidos em Old Trafford passam diretamente pelos dois milagres operados por Ederson nas chegadas de Lukaku e Mata em sequência – e à queima-roupa (!).


Quanto às marcas, elas seguem sendo quebradas semana após semana. Agora, são 14 vitórias seguidas e são 15 vitórias em 16 possíveis na liga – o melhor início da história. São 46 pontos de 48, e onze de vantagem para o segundo colocado.


Como se não fosse o bastante, o City ainda quebrou a sequência de 40 jogos do United sem perder em Old Trafford desde... justamente a derrota para o próprio City na temporada passada.


No 20º confronto entre Pep e Mourinho, deu a lógica. Sem falar em números, é possível apenas dizer que o maior rival do primeiro é o empate.


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