City vence mais uma: alguém conseguirá parar esse time?

*Por Ted Simões


Pouco antes de começar o jogo, meu interfone tocou. A camisa da temporada 17/18 que havia comprado pela internet no início de setembro finalmente havia chegado (obrigado, Correios!). Rasguei a embalagem como se fosse uma criança pequena. O cheiro de camisa nova contrasta com o escolhido da vez: a camisa 21 de David Silva já é uma velha conhecida em Manchester. Mas sabe como é, algumas prioridades vieram antes (Yaya, Sergio, Fernandinho e - pasmem - até uma de Robinho). Antes tarde do que nunca. E essa decisão tardia parece ter dado sorte ao Mago Espanhol, que marcou dois gols na fria noite no País de Gales.


ESPN.com.br | Sem esforço, Manchester City faz quatro no Swansea e vence a 15ª seguida na Premier League


Quando Javier me convidou para escrever mais uma vez aqui no blog, eu comemorei. Falar do City é bom demais. Ainda mais na era Guardiola. E principalmente nessa temporada, em que - de repente - o City virou o melhor time do planeta. Vale lembrar que o dono deste blog tem o trabalho mais mole do mundo nesses últimos meses: os jogos do City têm sido iguais, graças ao medo de todos os times (incluindo o nosso primo rico). Todo mundo estaciona o ônibus e joga por uma bola. No início, não adiantava muito, mas ultimamente a tática funcionou um pouco mais. Os jogos só foram resolvidos nos minutos finais, ou até mesmo no último lance, como aquele golaço de Sterling. Brincadeira, Javi. Você tem o melhor emprego do mundo!


Aí eu fiquei me perguntando: o que escrever sobre esse jogo? O Swansea vai estacionar o ônibus, o City vai martelar, a lei do ex vai valer e Bony vai abrir o placar, vai ser aquele sofrimento até o fim e quem sabe Sterling acerte outro chute daquele no ângulo aos 98'59'' para manter a sequência de vitórias seguidas.


Será? Esqueçam tudo.


Pois bem, o último colocado teve a coragem que o segundo colocado não teve no fim de semana. Não que ele tenha se lançado ao ataque, longe disso. Mas fez seu jogo, por mais limitado que seja, tentando criar um mínimo de surpresa ao time de Pep Guardiola. Uma atitude louvável que o Sr. José Mourinho deveria ter assistido, caso não tivesse jogo no mesmo horário. O Swansea até deu trabalho ao goleiro Éderson Leite, digo, Éderson Moreira, grande amigo do treinador dos Reds.


O City dominou o primeiro tempo como era de se esperar e foi eficiente para marcar logo seus dois primeiros gols. O primeiro foi uma produção da família Silva: Bernardo cruzou e David completou, meio de canela, meio de coxa, meio de calcanhar. O segundo veio numa cobrança de falta de Kevin de Bruyne que desviou ou não desviou em Otamendi. Gols feios, diriam um certo Português. Mas não importa. Os dois responsáveis pelo funcionamento da máquina assumiram o posto de goleadores do primeiro tempo.


Vira 2, acaba 4?


Sim. E logo no início do segundo tempo, uma linda triangulação entre Kevin de Bruyne, Sergio Aguero e David Silva, o camisa 21 perdeu um gol incrível que poderia ter ampliado o resultado. E se ele perdeu o mais fácil, fez o mais difícil, numa tabelinha com Sterling. Num curto espaço, ele conseguiu se livrar de vários defensores e deu um leve toque na saída de Fabiánski. Um golaço daquele que, para mim, é o melhor jogador da história do clube.


Getty
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Fala-se muito em Agüero e Yaya Touré - e com razão. Mas David Silva é tão grande quanto


Tenho que abrir parênteses (ou um parágrafo, nesse caso) para falar do El Mago. Tenho um prazer inexplicável em vê-lo em campo. Sua classe, sua forma de conduzir a bola, de dominar o meio de campo e de ser uma máquina de assistências são um absurdo. Sempre muito discreto, o que talvez explica não ser tão bajulado como outros jogadores da sua época. Na atual temporada, já são 5 gols e 8 assistências, em apenas 17 jogos.


Para fazer uma comparação, na temporada anterior, considerando apenas os jogos de Premier League, ele fez 4 gols e distribuiu 8 assistências. Em sua oitava temporada com a camisa 21 que comprei hoje, seus números são fenomenais: 237 jogos, 44 gols e 72 (!) assistências. 14.251 passes, uma média de 60 por jogo. 89 chances criadas. 310 desarmes. E diziam que ele não vingaria na Premier League. Dá gosto de ver o carequinha em campo.



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Depois do terceiro gol, Pep fez o que era esperado: rodou o elenco e descansou peças importantes: saíram Fernandinho, Delph e Kevin de Bruyne e entraram Yaya, Zinchenko e Gundogan, para administrar o jogo. Deu tempo até de Sergio Aguero marcar o quarto gol e igualar Sterling na artilharia do time da Premier League. Mais um para ampliar seu recorde no clube. Agora são 182 pelo City. E contando.


O City continua brilhando. Mesmo poupando nomes importantes como Walker, Sané e Gabriel Jesus e com os desfalques de Kompany, Stones e Mendy, o time de Pep chega a 15 vitórias consecutivas, quebrando um recorde que já durava 15 anos. É simplesmente a melhor campanha em 129 anos de futebol inglês. Assim, vai ficar cada vez mais fácil para o Sr. Javier Freitas escrever seus textos por aqui.


*Autor convidado, Ted Simões é colaborador de longa data do blog e colunista do jornal A Tarde, em Salvador.