Empilhando vitórias, o City faz a Premier League parecer fácil

A tabela da Premier League, especialmente em dezembro, tem algumas peculiaridades. Neste sábado (23), pudemos testemunhar uma delas, quando o City fez o primeiro jogo do returno sem ter necessariamente dado a volta na tabela na primeira perna do certame – e assim o fará na próxima quarta-feira (27), quando vai ao St. James’ Park enfrentar o Newcastle.


De qualquer modo, a vitória de hoje por 4 a 0 sobre o Bournemouth só fez confirmar o que todo mundo já sabia: nunca em 19 rodadas um time havia feito uma campanha tão avassaladora quanto a do City, que agora tem 18 vitórias e um mísero empate.


Para efeitos de comparação, o invincible Arsenal sequer figurava no topo da tabela em 2003/04 com 19 rodadas disputadas. Na ocasião, o time de Arsène Wenger acumulava 13 vitórias e seis empates, tendo 45 pontos no total, um a menos que o então líder Manchester United, com 46.


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Desta maneira, é seguro dizer que a partida deste sábado contra o Bournemouth foi significativa por diversos motivos. Por exemplo, no primeiro turno foi justamente contra o time de Eddie Howe que o City começou a sequência de vitórias que se vê até hoje. Além disso, hoje Agüero chegou aos gols de nº. 100 e 101 no Etihad, desde que chegou ao City em 2011.


Aproveitando o gancho do jogo do primeiro turno, por mais que a lógica dissesse que o City era franco favorito para a partida de hoje, aquela partida em questão no Vitality Stadium nos faz lembrar que não existe adversário que já entra batido na Premier League.


Além disso, todos nós temos visto ao longo da temporada que o City volta e meia passa alguma dificuldade contra times que vêm dispostos a se fechar tanto quanto for possível. Inclusive, vale destacar que a goleada por 4 a 0 só foi construída após o Bournemouth se arriscar um pouco mais na segunda etapa, quando o City já tinha dois gols de vantagem.


Talvez a maior prova de que o Bournemouth foi relativamente bem-sucedido em sua tentativa de armar um ferrolho em seu campo defensivo foram as atuações de Kevin De Bruyne e David Silva, que se não fizeram uma partida ruim, também passaram longe de terem o papel decisivo que lhes é habitual. Assim sendo, coube a Fernandinho o papel de motor do meio de campo, tanto no aspecto defensivo, quanto na intermediária ofensiva – e há de se dizer que o brasileiro não decepcionou, registrando uma assistência em seu nome para a cabeçada de Agüero que abriu o placar.



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Quando Sterling fez o segundo gol, já com dez minutos da etapa complementar, o City já incorria ao exercício de tocar a bola de um lado pro outro e assim exercer domínio sobre seu adversário. Quanto ao gol em si, há de se dizer que foi uma consequência. E claro, vale registrar o belíssimo passe de Agüero e a inteligência de Kevin De Bruyne na leitura da jogada para não ser pego em impedimento e perceber Sterling passando em velocidade por trás da defesa.


Em termos de criatividade, na maior parte do jogo o City entregou até menos do que aquilo que normalmente se espera do time. Com o adversário jogando em dados momentos num 5-5-0 sem fazer cerimônia nenhuma para tal, com 2 a 0 no placar o City havia dado apenas sete chutes ao gol, ainda que tivesse ampla superioridade no que diz respeito à posse de bola.
Com o prejuízo já certo, Eddie Howe tinha duas opções: se fechar ainda mais para não transformar uma derrota honrosa numa goleada, ou tentar ir pra cima pra ver se conseguia tirar alguma coisa do jogo.


Eis então que Howe cometeu o pior erro possível e escolheu a segunda opção, justamente contra o melhor time europeu da atualidade. Ao mandar o atacante Afobe para o campo, o Bournemouth de fato conseguiu sair mais de seu campo defensivo, mas, como não poderia deixar de ser, acabou abrindo mais espaços para que o City pudesse trabalhar a bola de maneira mais rápida e efetiva.


No terceiro gol do City, é até bem verdade que o time precisou trabalhar a bola pela ponta-direita porque foi num momento em que o Bournemouth estava com sua composição defensiva bem postada – ainda que Agüero tenha encontrado espaço entre os dois zagueiros para completar o bom cruzamento de Bernardo Silva.


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Ele resolve


No quarto, no entanto, foi o momento em que a estratégia suicida de Howe se provou equivocada e cobrou seu preço. Quando Sterling partiu na velocidade que lhe é característica e entregou para Danilo fazer seu primeiro gol com a camisa do City fechar a conta no Etihad, pode-se perceber que o City tinha todo o espaço do mundo para fazer o gol da maneira como bem quisesse.


Quanto ao placar em si, podemos dizer que foi mais consequência do amplo domínio que o City exerceu no meio de campo e das escolhas equivocadas de Eddie Howe do que se pensarmos simplesmente em chances criadas. Fisicamente falando, o City não precisou se esforçar tanto quanto em outros jogos – o que é um certo alívio nessa época do ano.


Em números gerais, alguns times impõem mais dificuldades, outros menos. Se considerarmos apenas a frieza dos números na tabela, até dá aquela impressão de facilidade, mas eu prefiro chamar de competência.


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