City 3-1 Watford: tudo normal em Manchester

O empate contra o Crystal Palace em Selhurst Park no último dia 31 não foi exatamente bem digerido pela torcida. Apesar das circunstâncias, onde Ederson evitou o pior ao defender um pênalti já nos acréscimos do segundo tempo, a sensação era de que o City ficou devendo no empate em 0 a 0, ainda que a invencibilidade tivesse sido mantida.


Se o resultado foi bem digerido por time e treinador? Nesta terça-feira (2), o City precisou de menos de 40 segundos para mostrar que não, quando Sterling abriu o placar e pavimentou o caminho para a vitória por 3 a 1 sobre o Watford, com Kasabele (contra) e Agüero completando o placar, enquanto Gray descontou para os visitantes.


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Na verdade, a insatisfação com o resultado da rodada anterior já se via na escalação disposta por Pep Guardiola. Embora seja o fim da maratona de jogos de final de ano da Premier League, com o certame nacional voltando à ativa apenas no próximo dia 14, quando o City vai ao Anfield enfrentar o Liverpool, há ainda de se levar em conta que nos próximos sete dias, o City terá dois compromissos pela FA Cup e pela Carabao Cup, quando enfrentará o Burnley no dia 6 e o Bristol City no dia 9, respectivamente, com ambos os jogos no Etihad.


Claro que num calendário de quatro competições, as copas nacionais são “menos importantes” que a Premier League e a Champions, por assim dizer – o que nos leva a acreditar que haverá muitas rotações no onze inicial nestas próximas partidas, o que, por consequência, nos ajuda a entender o porquê de Pep ter colocado força máxima contra o Watford nesta terça.


E quando dizemos força máxima, passa longe de ser mera força de expressão. E mesmo que Stones, Silva e Delph tenham voltado ao time, é claro que a maior surpresa no time titular hoje tenha sido a presença de Kevin De Bruyne, que saiu carregado do jogo contra o Palace após uma entrada criminosa de Puncheon e hoje estava atuando como se nada tivesse acontecido.


Getty
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Ao que tudo indica, De Bruyne é feito de ferro


Ainda sobre o ocorrido em Selhurst Park, os primeiros vinte minutos da partida de hoje deixaram muito claro o estado da mentalidade dos jogadores do City: eles sabiam que podiam e deviam entregar mais do que foi visto no último fim de semana. Com 2 a 0 num espaço de quinze minutos, a partida podia ser dada como resolvida, mas a marcação alta do City, aliada a uma pressão absurda na área do adversário e a pressa em recuperar cada bola como se fosse a última do jogo mostraram uma equipe com o popular sangue nos olhos – o que diz muito sobre o espírito desse time.


Com mais algumas chances desperdiçadas ainda antes de vinte minutos corridos, é possível dizer sem exagero nenhum que naquela altura da partida, o City poderia estar batendo o Watford por 4 a 0 sem cometer nenhuma injustiça. O Watford, por outro lado, só proporcionou um único susto quando Gray saiu frente a frente com Ederson, que mais uma vez estava lá para evitar o gol.


É evidente também que à medida com que os minutos passavam, a intensidade do City e do jogo diminuíam. Mesmo que fosse no início de temporada e os jogadores estivessem longe de estar fisicamente desgastados, é perfeitamente compreensível saber que time nenhum no mundo consegue jogar em tal grau de intensidade além da primeira meia-hora de jogo.



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Se com pouco mais de quinze minutos no primeiro tempo a partida parecia estar bem encaminhada, com os mesmos quinze minutos já da etapa complementar, Agüero resolveu o jogo de uma vez por todas.


É até bem verdade que Agüero estava longe de fazer uma grande partida. Já havia desperdiçado algumas boas chances onde normalmente não o faz e parecia perder a bola em quase todas as vezes em que tentava o lance individual, embora estivesse se mostrando bastante participativo o tempo todo – inclusive se deslocando às pontas em diversos momentos do jogo.


Entretanto, o lance do artilheiro é justamente esse: ele pode não estar em um de seus melhores dias, mas normalmente ele está na hora certa e no lugar certo e, em algum momento, a bola vai acabar sobrando e lá estará ele para empurrar para dentro. Com o rebote de Gomes em um cruzamento mais do que defensável, hoje não foi diferente para o camisa 10.



Mais ao fim do jogo, era mais do que natural que o City começasse a se poupar e a trocar mais passes do que correr e criar chances. Com 3 a 0 no placar, não haveria nem como ser diferente. Mas há de se registrar também que quem entra no segundo tempo, normalmente entra pensando diferente e quer mostrar serviço para aparecer cada vez mais no onze inicial, como é o caso de Bernardo Silva, ou ainda porque simplesmente está com sede de jogo, caso de Yaya Touré.


Aliás, que se dê o devido destaque à participação do marfinense no jogo de hoje. Na maior parte dos pouco mais de vinte minutos que esteve em campo hoje, o marfinense mais deu passes do que qualquer outra coisa – sobretudo alguns lançamentos da medida de 30 ou 40 metros que quase sempre encontravam quem estava mais adiantado no campo. Contudo, houve um momento em que Yaya pegou a bola na intermediária defensiva e carregou com velocidade até o terço final do campo. No fim que a jogada acabou em nada, mas foi simplesmente impossível não olhar o lance com certo grau de nostalgia e lembrar de Yaya no auge na temporada 2013/14, carregando praticamente nas costas aquele time que terminaria campeão da Premier League.


No fim, o Watford ainda tentou dar o famoso calorzinho no City pra tentar estragar um resultado que já estava consolidado. Grey até descontou já aos 36’ num momento de desatenção da defesa do City e tirou o que seria mais um clean-sheet de Ederson.


Se o empate contra o Crystal Palace era visto (e comemorado) por alguns como um indício de que a forma do City estaria pra mudar, a atuação de hoje contra o Watford fez essa ideia cair por terra.


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