Com susto, mas sem desespero: City bate o Burnley e avança na FA Cup

Não é de hoje que o Burnley pode ser considerado um time difícil de ser batido. Na última temporada, se manteve na Premier League graças à força que mostrou jogando dentro de seus domínios, ainda que apresentasse certa fragilidade em suas partidas fora de casa.


Em 2017/18, o time de Sean Dyche parece disposto a alçar voos ainda maiores. Apesar de a forma recente dos Clarets não ser das melhores, o Burnley passa ao largo de sequer flertar com o rebaixamento. Estando em 7º na atual edição da Premier League, se permite até mesmo sonhar com uma vaga na Europa League na próxima temporada.


Quando o sorteio da FA Cup definiu que o City pegaria o Burnley na entrada dos times do top flight na competição, sabíamos desde o princípio que não se trataria de um jogo fácil. O 3 a 0 feito pelo City sobre o adversário deste sábado em outubro passado foi um resultado enganoso, como escrevi aqui na ocasião.


ESPN.com.br | Comandado por Agüero, City goleia e avança na Copa da Inglaterra


A mera possibilidade do Burnley proporcionar um jogo difícil não passou longe das ideias de Guardiola. Levando isso em conta, Pep escalou algo bem próximo daquilo que seria seu melhor onze inicial possível, poupando apenas algumas peças como Ederson, Walker, Delph e De Bruyne.


O jogo, no entanto, não fugiu do panorama que já era esperado desde o início: o City teria mais a bola e criaria muito mais oportunidades de gol. Armado num 4-4-1-1 que poderia se transformar num 4-5-1 dependendo da conveniência, o Burnley se fechava da maneira que podia pra evitar que o City entrasse na área do goleiro Pope.


Neste caso, há de se dar o devido crédito a Sean Dyche e à eficiência do time do Burnley em reproduzir aquilo que seu comandante desejava. Como prova disso, o City falhou nos primeiros 45 minutos na missão de chutar uma bola que fosse na direção do gol. Além disso, não foram poucos os chutes de fora da área, sobretudo dados por Zinchenko, já que o City encontrava enorme dificuldade para criar no terço final.


No que diz respeito ao aspecto ofensivo, os visitantes raramente se atreviam a tentar criar alguma coisa. No máximo, alguns de seus homens de meio de campo, auxiliados pelo único homem de referência à frente, tentavam fazer uma marcação mais alta e pressionar a saída de bola do City.


O Burnley jogava por uma bola, por um erro. Numa falha de Stones, que raramente tem falhado nessa temporada, Barnes teve todo o espaço que precisava para fuzilar Bravo, que nada pôde fazer.



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É claro que podemos apenas imaginar como deve ter sido a conversa de Guardiola com o time no intervalo. Interessante, porém, é notar como o time em nenhum momento perdeu a calma mesmo com o placar adverso e a dificuldade imposta pelo adversário, o que mostra a solidez da mentalidade dessa equipe.


Se no primeiro tempo o City não conseguiu dar um mísero chute diretamente à meta de Pope, no segundo, o time não precisou de mais do que 90 segundos para virar o placar e fazer com que todos os números onde o City era superior como finalizações e posse de bola, finalmente se traduzissem em vantagem no placar.


Por mais que Agüero tenha feito os dois gols que colocaram o City à frente, e haja a necessidade de registrar a calma que ele teve em ambas as ocasiões – especialmente na segunda, há também de se dar o crédito a Gündogan pela velocidade de raciocínio demonstrado nas duas assistências dadas para os gols de Kun. Na primeira, ao perceber que não houve contagem de passos para a barreira, o que permitiu que ele pudesse cobrar a falta rapidamente, e na segunda, a calma para achar o único espaço possível para dar o toque de calcanhar no ponto-futuro.


Todo mundo sabe que, na atual temporada, jogar contra o City é uma das tarefas mais inglórias do futebol mundial. Quando o City tem o conforto de ter o placar a seu favor, essa missão se torna praticamente impossível.


Para quem está acostumado a ver esse time, com o 2 a 1 feito, a sensação é de que mais gols e a garantia de mais um resultado positivo era apenas uma questão de tempo.



Aqui, há a necessidade de se dedicar algumas linhas única e exclusivamente para a atuação de Leroy Sané. O winger alemão vinha passando muito, mas muito longe de ter uma boa atuação. Nada do que o camisa 19 tentava parecia dar certo, incluindo uma chance perdida praticamente embaixo do gol aberto.


A bem da verdade, há alguns jogos já se nota que Sané parece afoito, sempre tentando definir as jogadas da maneira mais rápida possível, o que nem sempre é o jeito mais eficiente de fazê-lo – ainda mais num time como o City, que tem como característica construir as jogadas com muita paciência e levando o tempo que for necessário para chegar ao objetivo.


Inconsistência, aliás, tem sido a palavra-chave para definir as atuações de Sané ao longo das últimas semanas. O alemão tem oscilado entre atuações muito boas e outras muito ruins. Neste sábado, ele conseguiu juntar tudo isso em uma partida só e precisou de dois passes de quem melhor passa a bola no time para fazer isso: David Silva e Kevin De Bruyne.


No primeiro lance, ele recebeu uma bola enfiada e usou toda a sua velocidade para fazer o terceiro gol e jogar uma pá de cal em qualquer ambição do Burnley em voltar à partida. No segundo, fez exatamente a mesma coisa, mas, ao invés de tentar o gol após passar pelo goleiro, tomou a decisão mais inteligente possível ao rolar para Bernardo Silva bater para o gol aberto e fechar a conta no Etihad, indo da água para o vinho num espaço de vinte minutos.


Com a goleada, o City avança e o sonho de vencer os quatro títulos possíveis na temporada segue vivo. Alguém se atreve a dizer que não é possível?


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