Sempre ele: Agüero decide no fim e City abre vantagem na semi da Copa da Liga

Que o City é um especialista em marcar nos minutos finais, todo mundo já sabe. Só na temporada 2017/18, já foram 10 gols feitos depois dos 44 minutos do segundo tempo, contando o de hoje, marcado por Agüero na vitória por 2 a 1 sobre o Bristol City no jogo de ida das semifinais da Copa da Liga.


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O placar e a forma dramática como o City terminou o jogo dão a exata dimensão da dificuldade proporcionada pelos visitantes nesta terça-feira. O City precisou de mais de 90 minutos para sair com o resultado positivo e, verdade seja dita, passou sufoco em diversas oportunidades ao longo desse período.


Mesmo com a derrota, há uma justiça que precisa ser feita ao Bristol City por dois motivos: o primeiro, é que eles não chegaram às semifinais da Copa da Liga à toa, tendo derrubado nada menos do que quatro times da Premier League, incluindo o United, para alcançar essa fase da competição. O segundo, é que o Bristol foi uma das raríssimas equipes em 2017/18 que, mesmo dentro de suas limitações, tentou jogar de igual para igual contra o City em pleno Etihad.


Apesar de algumas mudanças no que pode ser considerado o time titular, Pep mandou um time que pode ser considerado forte, especialmente do meio pra frente, com Yaya, Gündogan, De Bruyne, Sané e Bernardo Silva, além de Sterling como homem de referência.


Sendo um dos goleadores máximos do City na temporada ao lado de Agüero, teoricamente até faria sentido escalar Sterling numa função em que o camisa 7 ficasse mais propício a marcar. Na prática, a opção de Pep deu menos resultado do que o esperado – embora Sterling tenha tido uma chance claríssima de empatar a partida logo na sequência do gol sofrido na cobrança de pênalti de Reid.


Falando no pênalti, há se registrar um fato: Mangala não reúne as condições mínimas necessárias para ser um jogador do City. E não é só pelo erro que originou o pênalti cometido por Stones, mas em vários momentos do jogo Mangala insistentemente tentava, como dito no popular, entregar a paçoca ao adversário.


Fosse a atuação de hoje algo isolado, de repente haveria um jeito de ponderar. No entanto, de todos os zagueiros do City, Mangala é o que mais falha com largas passadas. Nem Kompany, que tem vivido às turras com as lesões e quando entra, peca pela falta de ritmo, falha tanto quanto o camisa 15. Em suma, seja agora em janeiro, ou seja na próxima janela de transferências, o City precisa ir ao mercado em busca de um novo nome para a posição – ao passo que precisa se desfazer de Mangala tão logo quanto possível.


O jogo em si foi bom do começo ao fim. Diferentemente do jogo contra o Burnley pela FA Cup, hoje o City conseguiu ser mais criativo, embora no primeiro tempo só tenha acertado três chutes ao alvo. É bem verdade também que teve mais espaço porque o Bristol se arriscou mais e não se contentou em apenas se defender, especialmente após fazer 1 a 0.



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Na volta pro segundo tempo, demorou menos de trinta segundos para percebermos uma mudança de posicionamento. Sterling começou a cair mais pelo lado direito, posição onde tem tido melhor êxito na temporada, enquanto coube a Bernardo Silva fazer o papel de falso 9.


Contudo, como são jogadores leves, não foi surpresa nenhuma ver uma movimentação intensa do trio, especialmente com Sterling e Bernardo trocando de posição. Sané podia até parecer mais limitado ao lado esquerdo, mas era auxiliado pelas constantes subidas de Zinchenko, que enquanto o City estava no ataque, deixava de ser lateral e se apresentava como mais um homem de meio campo. E verdade seja dita, hoje vimos mais uma apresentação onde o jovem ucraniano mostrou qualidade e muita personalidade.


O Bristol foi valente não só em ir pra cima e fazer 1 a 0, mas ao não se contentar em meramente segurar o placar e tentar fazer o segundo gol, continuou abrindo espaços em sua defesa. A valentia dos visitantes cobrou seu preço logo aos 10 minutos da etapa complementar, quando De Bruyne recebeu de Bravo e puxou o contra-ataque com o meio de campo todo aberto. Jogou para Sterling, que devolveu de primeira, e precisou apenas bater com força para vencer o goleiro Fielding.


A partir disso, as coisas voltaram ao seu rumo natural, com o City dominando a posse de bola e criando muito mais oportunidades de gol. E claro, o Bristol entendeu que era melhor levar um empate para o jogo de volta do que tentar vencer e abrir ainda mais espaços contra um time como o City.



No começo do texto, disse que esse é o 10º gol que o City marca após os 44 do segundo tempo. Na maior parte desses tentos, é facilmente perceptível que paciência é a palavra-chave para o City chegar ao seu objetivo – e hoje não foi diferente.


Mesmo com o relógio já no período de acréscimos, o City trocava passes na frente da congestionada área do Bristol como quem procura fazer 1 a 0 nos primeiros minutos de um jogo qualquer. Sem desespero, sem afobação.


No que pode ser considerado praticamente o último lance do jogo, Bernardo Silva achou a cabeça de Agüero num passe preciso, daqueles que é até uma ofensa chamar de cruzamento, para, mais uma vez, salvar o dia no Etihad.


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