Na estreia de Laporte, City passou o carro pra cima do West Brom

A vitória por 3 a 0 do City sobre o West Bromwich com gols de Fernandinho, De Bruyne e Agüero reflete com precisão o abismo que existe entre as duas equipes. Não à toa, o City agora lidera a Premier League com 15 pontos de vantagem graças à derrota do United para o Tottenham, enquanto o West Brom parece cada vez mais destinado a jogar a Championship a partir da próxima temporada.


ESPN.com.brFernandinho marca, City derrota lanterna West Bromwich e segue folgado na liderança do Inglês


O roteiro se desenhava exatamente como já estamos acostumados quando equipes da parte de baixo da tabela vêm ao Etihad: um time muito fechado jogando por uma bola. Contra o lanterna da Premier League não haveria como ser diferente.


Mas se o West Brom se fechou e concentrou todos os seus esforços em marcar as peças mais criativas do City, uma das soluções encontradas foi o elemento surpresa, e foi assim que Fernandinho abriu o placar com uma bola que parece ter sido jogada com a mão por De Bruyne. Que surpresa.


Na ausência de Sané, lesionado, Sterling foi deslocado para o lado esquerdo, enquanto coube a Bernardo Silva fazer o lado direito. É até bem verdade que o camisa 7 tem rendido muito mais na ponta direita, mas há de se registrar que Raz fez uma ótima apresentação jogando do outro lado. Aliás, com a trinca Zinchenko, David Silva e Sterling, o City criava muito mais problema para o West Brom por aquele lado do campo, já que no lado direito Bernardo trazia muito mais do canto para o meio – isso quando não voltava para recompor e ajudar nas funções defensivas.


Todavia, sabendo da fragilidade do West Bromwich, não surpreende saber que com vinte e poucos minutos de jogo o City não só já tinha a vantagem no marcador, mas bem como poderia estar ainda mais adiante não fosse pelas oportunidades perdidas e por uma ou outra boa intervenção do goleiro Foster.



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Na volta do intervalo, o City sabia que precisava ir pra cima pra matar o jogo de vez. O grande perigo de jogar contra um time que já parece morto e enterrado é justamente esse: eles normalmente não têm o que perder. Um vacilo e dois pontos são perdidos num jogo onde isso não pode acontecer.


O City seguia criando e desperdiçando chances, até que em mais uma aula de contra-ataque, assim como já vimos tantas vezes ao longo da temporada, Kevin De Bruyne orquestrou todo o lance e só precisou contar com a inteligência do camisa 7 para devolver e matar o jogo. A partir disso, o cenário estava do jeito que precisava estar.


No outro lado, defensivamente falando o City não foi ameaçado em momento algum durante os 90 minutos do tempo regulamentar. Agüero já tinha feito o 3 a 0 quando os primeiros chutes à meta de Ederson foram dados. O primeiro foi pra fora, e no segundo o goleiro brasileiro defendeu.


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Melhor estreia do que isso? Impossível!


Entretanto, isso não inviabiliza a possibilidade de fazermos uma análise da estreia de Laporte. Muito pelo contrário. Quando exigido, o recém-chegado zagueiro francês deu conta do recado não só com alguns bons desarmes, mas principalmente na condução da bola da defesa para o meio de campo com bons passes – incluindo aqui o cartão de visitas, com um lançamento de uns 60 metros para Bernardo Silva logo nos primeiros minutos, dando a sensação de que Laporte já joga pelo City há muito tempo. Adaptação imediata?


O placar de 3 a 0 em si é até bondoso com o West Brom pelo que produziu o City nesta quarta-feira. Poderia ter terminado em 4 ou 5 até com certa tranquilidade, especialmente após a entrada de Brahim Diaz, que mostrou muita fome de jogo.


Como ponto fraco da partida e algo a ser realmente lamentado, mais uma vez vale destacar a conivência da arbitragem com lances violentos contra jogadores do City. Que James McClean é bastante indisciplinado isso não é novidade alguma, mas que o irlandês deveria ter visto o cartão vermelho no lance do segundo gol do City, não há discussão. Kevin De Bruyne poderia ter se machucado de forma séria se o camisa 14 do West Brom tivesse obtido sucesso em sua empreitada.


Não fosse o bastante, Matt Phillips entrou de forma criminosa em Brahim Diaz mais ao fim do jogo. Mesmo não tendo visado a bola em momento algum e com a intenção única e exclusiva de machucar o adversário, o jogador dos Baggies não viu nada além de um amarelo.


De qualquer modo, mesmo com os adversários batendo forte, com a imprensa falando sobre o quanto o City empenhou em defensores, o time segue em passadas largas rumo ao título da Premier League como quem não se importa com nada disso. E não poderia estar mais certo.


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