Contra o Burnley, City pagou pelo excesso de preciosismo

Jogos contra o Burnley não costumam ser fáceis, especialmente no Turf Moor. O time de Sean Dyche é uma das equipes mais difíceis de serem batidas na Premier League e, não à toa, lidera o bloco da parte de fora do Top 6.


Em que pese o agregado dos confrontos diante do Burnley ser um sonoro 7 a 1 a favor do City antes do jogo de hoje, é preciso levar em consideração uma série de fatores, como a interminável boa fase do City, o fato dos dois jogos terem sido no Etihad, o momento da temporada ser outro, num período em que o calendário não estava tão apertado. Enfim.


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Uma boa prova de que o City estava particularmente desfalcado neste sábado? Pep não fechou o banco de reservas com sete jogadores. Poderia ter subido alguém da base para fazê-lo? Poderia, mas preferiu não. De qualquer modo, dimensiona bem o tamanho das ausências no elenco para o jogo de hoje.


Até por conta disso, não haveria como inventar muito na escalação do time titular. Dadas as baixas recentes de David Silva, Sané e Stones, naturalmente Gündogan, Bernardo Silva e Kompany herdariam as respectivas vagas. É até possível questionar a opção de Pep por Kompany e não por Laporte, já que o francês foi muito bem em sua estreia diante do West Brom, mas há de se levar em conta também a proposta do Burnley, que deveria ser mais focada em ligações diretas e jogo aéreo de forma geral.


A bem da verdade, salvo um erro pontual ou outro, Kompany teve um desempenho bastante sólido. Ainda está longe do ideal, mas que o capitão vem ganhando ritmo a cada semana que passa, isso já é bastante perceptível. Alguns bons desarmes feitos pelo camisa 4 no primeiro tempo, com ele se antecipando ao atacante adversário não teriam sido possíveis em outros momentos da temporada.



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O fato de o City ter aberto o placar com um bonito chute de Danilo de fora da área ilustra bem a dificuldade que o time vinha tendo em se infiltrar na área adversária. Como eu disse, o Burnley é um time chato de ser batido e, normalmente, vende caro uma derrota.


Sendo o bom time que é, não podíamos esperar outra coisa do Burnley a não ser a tentativa de correr atrás do prejuízo. Se outras equipes normalmente se fechariam numa situação como essa no intuito de evitar uma goleada, o Burnley preferiu sair para o jogo e tentar tirar o melhor de suas chances.


Como consequência disso, mais espaços se abriram e o City passou a ser ainda mais produtivo e, finalmente, conseguindo entrar na área adversária com certa frequência. Se nos primeiros minutos De Bruyne parecia estar bem marcado, após o gol de Danilo o belga teve muito mais liberdade para criar.


E foi justamente a partir daí que o que se viu foi um verdadeiro caminhão de chances desperdiçadas, com o City pecando pelo excesso de preciosismo em lances protagonizados por Agüero, Gündogan e Sterling. Aliás, no caso do último, teve um lance em especial que sai do preciosismo e entra na categoria de gols inacreditavelmente perdidos.


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Resultado passa diretamente pelo gol perdido por Sterling? É possível, mas ele ainda tem muito crédito


Como se sabe, o futebol não costuma deixar passar batido esse tipo de oportunidade perdida e bem diz o ditado que quem não faz, toma.


O empate em 1 a 1 passa ao largo de poder ser considerado um resultado injusto por si. Se o City produziu mais, teve mais posse de bola e comandou as ações do jogo é porque tem mais recursos para tal, mas não é como se o Burnley tivesse jogado por uma única bola e achado um gol através da mera obra do acaso. O time de Sean Dyche até fez por onde e, verdade seja dita, não tivesse sido por Ederson em pelo menos duas ocasiões, os Clarets teriam encontrado o caminho das redes muito antes.


No contexto do jogo, o resultado pode ser lamentado por conta dos gols perdidos. No que tange ao campeonato, passa longe de poder ser lamentado. A diferença para o segundo colocado é de 16 pontos e, caso o United vença o Huddersfield, cai pra 13.


Qualquer princípio de ataque de pânico é mais histeria adolescente em rede social do que qualquer outra coisa.


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