Imparáveis, Agüero e De Bruyne comandam massacre do City sobre o Leicester

Começar a escrever imediatamente após o fim de uma partida é uma prática que sempre tive antes mesmo de entrar no ESPN FC, lá em 2015. O jogo ainda está fresco na cabeça e, portanto, fica mais fácil sublinhar o que de mais importante aconteceu na partida e vale ser destacado.


Por outro lado, é complicado tentar tecer qualquer análise minimamente racional quando você acaba de presenciar seu centroavante marcando quatro gols, com o último sendo uma pintura de encher os olhos, ou quando o seu meia de criação deixa o jogo com três assistências na conta.


Foi justamente o que aconteceu hoje na vitória por 5 a 1 sobre o Leicester, com quatro gols de Agüero e um de Sterling. E, mais uma vez, só pra não esquecer: com três assistências de Kevin De Bruyne.


ESPN.com.br4 gols de Aguero e 3 assistências de De Bruyne; City deslancha no 2º tempo e bate Leicester


O placar de 5 a 1 reflete de maneira fiel o que foi a partida. O City dominou o jogo do início ao fim e o estrago só não foi maior porque Schmeichel fez um grande primeiro tempo. O Leicester, por outro lado, só ameaçou verdadeiramente o City num espaço de três ou quatro minutos – e justamente nesse período conseguiu o empate com Vardy numa bobeada do sistema defensivo.


Aliás, o gol do Leicester foi uma verdadeira sucessão de erros que começou num ataque desperdiçado. Sterling poderia ter acionado De Bruyne, mas preferiu Agüero. Por sua vez, o argentino não conseguiu limpar para fazer o arremate e foi desarmado. Na saída do Leicester do campo defensivo, o City conseguiu recuperar a bola, mas Otamendi passou mal para o meio, Gündogan não fez o movimento necessário e, sabendo do perigo que Vardy pode oferecer quando recebe em velocidade, o resto é bastante previsível.


Porém, verdade seja dita, foi o único momento ruim do City no jogo. É claro que os times desceram para o intervalo em pé de igualdade, mas muito mais pelo mérito defensivo do Leicester, que conseguia formar um verdadeiro muro na frente da área, do que da suposta incapacidade do City de furar o bloqueio adversário. Até mesmo porque, quando conseguia, Schmeichel era outro obstáculo difícil de ser batido.



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Mas se no primeiro tempo o City havia precisado de apenas dois minutos para abrir a contagem, na etapa complementar a história não foi diferente. Agüero precisou das mesmas coisas que o camisa 7: pouco mais de dois minutos de bola rolando e uma assistência de Kevin De Bruyne.


A partir dali, justiça começou a ser feita ao que as equipes haviam produzido até então no jogo. Ainda assim, o City queria mais e sabia que poderia fazer mais. E quando você tem um meia que tem uma capacidade incrível de encontrar espaço mesmo nas defesas mais fechadas e um centroavante que sabe como estar na hora certa e no lugar certo, o próximo gol parecia ser uma questão de tempo, e assim foi quando KDB novamente serviu Agüero para aumentar a vantagem. Neste lance em específico, a assistência e o gol são coisas que você normalmente espera. Aqui, vale destacar a insistência de Walker numa bola praticamente perdida que acabou gerando um erro de saída de bola de Schmeichel e a consequente criação da jogada.


Como era de se supor, o jogo deu uma esfriada por um certo período. Com 3 a 1 no placar, não faria nem sentido o City continuar jogando com a força e com a velocidade que vinha apresentando até então.


Por outro lado, o Leicester é um time perigoso, e ficou ainda mais quando Mahrez e Iheanacho saíram do banco, numa tentativa de Claude Puel de correr atrás do prejuízo. Até por conta disso, Pep acertadamente sacou Zinchenko, que não vinha tendo o melhor de seus dias, e colocou Danilo na lateral-esquerda para conter o ímpeto das peças ofensivas do Leicester que haviam acabado de entrar. Salvo uma chance ou outra criada por aquele lado pelos visitantes, o movimento de Pep deu certo.


Se no primeiro tempo Schmeichel havia sido um dos destaques do jogo, não dá pra dizer o mesmo sobre o goleiro dinamarquês no segundo tempo. Como o City havia sentido que a confiança de Kasper já havia ido pro espaço, sempre valeria a pena apertar um pouco mais a saída de bola, e foi justamente aí que o arqueiro adversário deu um verdadeiro presente para Agüero chegar ao hat-trick.


Getty
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Quatro gols ou três assistências? Quem leva a bola pra casa?


E se com 3 a 1 o City já havia tirado o pé do acelerador, com 4 a 1 dava pra parar de vez, correto? Nada mais errado. A entrada de Foden no lugar de Fernandinho e o recuo de Kevin De Bruyne para uma posição mais defensiva fizeram com que o time tivesse ainda mais dinamismo nas trocas de passe e na criação de jogadas, sem contar o fato de que sempre que Foden ou Díaz vêm do banco, eles sempre entram com muita fome de jogo.


Neste caso, a soma de um adversário combalido e um time que sempre joga pra fazer tantos gols quanto possível é sempre mais um gol antes do apito final. E que gol!


É até bem verdade que Agüero dispôs de todo o espaço que precisava para dominar a bola, levar até onde ele queria e ajeitar para o chute. Ainda assim, a paulada inapelável para Schmeichel foi o melhor desfecho possível para uma partida onde o City teve uma atuação praticamente irretocável – o que não deixa de ser simbólico, já que o Leicester era o adversário de uma das piores atuações do City na temporada passada.


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