Na Suíça, quem distribuiu chocolate foi o City

*Por Lucas Kurz


Os 4 a 0 do Manchester City sobre o Basel nesta terça-feira de Carnaval não foram apenas uma goleada, mas uma representação da força do elenco. Confesso, quando saiu a escalação, fiquei meio desapontado de não ver David Silva como titular ao lado de Kevin de Bruyne, mas sim Gundogan. Errei feio. O alemão fez sua melhor atuação na temporada e foi o maestro da partida que praticamente nos colocou nas quartas de final da Champions League.


ESPN.com.br | Goleada na Basileia: City domina, vence e encaminha vaga nas quartas da Champions League


Se há apenas 10 dias, no empate contra o Burnley, Pep Guardiola sequer conseguiu fechar uma formação completa do banco, levando apenas 6 opções, hoje a fartura voltou. Todo o lado esquerdo recuperou-se de suas lesões, embora apenas Delph tenha sido titular. Leroy Sané, miraculosamente, retornou em 15 dias de uma lesão que deveria lhe deixar, pelo menos, seis semanas de molho. Mas vamos à partida.


Logo de início, ficou claro como seria o jogo. City atacando, pressionando, e o Basel, mesmo em seus domínios, defendendo-se com cinco zagueiros, quatro meias recuados, e o atacante Oberlin tentando a sorte contra Otamendi e Kompany. Façamos justiça, o camaronês naturalizado suíço conseguiu levar um pouco de perigo, e aos 13 minutos, após uma trombada com Otamendi, reclamou de pênalti, mas o juiz mandou seguir.


E seguindo o jogo, o City abriu o placar. Em escanteio cobrado por Kevin de Bruyne, Gundogan desviou livre no primeiro pau para abrir o placar. Logo no início, o alemão já tinha levado perigo com uma cabeçada, mas o goleiro Vacilík desviou. Mas a partir do gol, o jogo tomou aquela forma conhecida: City dominando, o adversário tentando dar um bico para frente e tentar a sorte.


Oberlin seguiu levando perigo nas arrancadas entre os zagueiros, mas Ederson, para variar, estava sempre atento e suas saídas de gol, embora deem frio na barriga, foram sempre precisas. Se os suíços tentavam pelo meio, o City tentava abrir o jogo tentando fazer os pontas Bernardo Silva e Sterling aproveitarem o espaço deixado entre os laterais e os zagueiros.


E sem deixar a defesa adversária respirar, o City logo aumentou a vantagem. Quatro minutos após dar a assistência para abrir o placar, Kevin de Bruyne fez mais uma de suas especialidades: a pré-assistência. E seguindo o padrão de tentar explorar o espaço entre o lateral e o adversário enfiou a bola milimetricamente para Sterling na esquerda. O inglês girou e cruzou para Agüero. No meio do caminho, a bola desviou na zaga e sobrou limpa para Bernardo Silva dominar de peito e encobrir o goleiro.


Dois a zero em 17 minutos, fora de casa. Hora de segurar um pouco o jogo, certo? Não para um time de Guardiola. Aproveitando que Vacilík, com o perdão do trocadilho, vacilava e nos dois primeiros gols mal viu a bola, o City seguiu em cima. Aos 23, Fernandinho avançava pelo meio e foi desarmado. E a bola sobrou limpa para Sergio Kun Agüero. De fora da área, o monstro argentino dominou, cortou para a direita e bateu no cantinho. Um golaço, e para variar, o goleiro do Basel sequer se mexeu.


Aqui, um adendo para falar de Agüero. Mais um partidaço do argentino. Se movimentou, trabalhou em todos os setores, criou e deu opções de passe. No último sábado, contra o Leicester comemorou ter feito um gol de fora da área, algo que há tempos não fazia. Hoje, repetiu o feito e agora chega a 14 gols no ano. Marca boa para quem, diziam alguns infiéis, estava ultrapassado para jogar no City.


No restante do primeiro tempo, aí sim, o City passou a controlar mais a partida. Uma escapada aqui, outra ali, mas poucas chances de gols. Em uma, Sterling driblou o goleiro mas perdeu o equilíbrio. Em outra, De Bruyne recebeu de Delph e bateu por cima. Delph, aliás, é um retorno a ser comemorado. Foi firme na marcação, segurando as subidas de Lang e Frey, e ajudou a bola a rodar melhor pela esquerda.



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Após o intervalo, o Basel pareceu lembrar-se que o jogo era em casa e ir com um três a zero contrário para Manchester não seria nem um pouco benéfico. Começou avançando as linhas e chegou bem com chutes fortes de Elyounoussi. Ainda assim, Ederson seguia ligadaço e fazia defesas difíceis com ar de tédio tamanha a facilidade demonstrada para parar o ataque adversário. A calma dele me deixa nervoso.


Mesmo tentando mais no segundo tempo, não demorou muito para o Basel ser novamente punido pelo ataque do City. Aos cinco, foi a vez de Sterling receber nas costas da zaga, mas o garoto não estava nos seus dias, carregou demais e perdeu o timming para o chute. Agora, o City buscava atacar mais pelo meio.


E aos oito, novamente, Gundogan brilhou. Sob o olhar do técnico da seleção alemã, Joachim Löw, ele mostrou por que é um baita jogador, e poder ter um reserva como ele é questão de luxo para nós. O meia recebeu de Agüero com calma e bateu na gaveta. Novamente, sem chances para Vacilík, que resolveu dessa vez pular em direção à bola, mas não alcançou novamente. Quatro a zero e um show de Gundogan. Ele, aliás, poderia ter levado a bola do jogo para casa com um hat-trick. Aos 28, Agüero fez uma jogadaça e pifou ele na marca do pênalti, mas o chute foi torto e o goleiro do Basel finalmente fez uma defesa.


No restante da partida, o City passou a controlar mais. Guardiola, acertadamente, rodou o elenco. Sacou Sterling para a milagrosa volta de Sané, claramente sem ritmo. Ainda assim, ele levou algum perigo em arrancadas pela esquerda e mostrou por que é importante. Logo depois, foi a vez de Kevin de Bruyne ir descansar para o retorno de David Silva. O Mago também entrou sem ritmo, mas mesmo assim fez alguma mágica.


Do outro lado, o Basel seguia levando perigo com as bombas de Elyounoussi e com as arrancadas venenosas de Oberlin. Mas Ederson seguia fazendo defesas enquanto parecia bocejar e coçar-se para espantar o tédio. Enquanto isso, Agüero também ia descansar um pouco, já que Gabriel Jesus só deve voltar em março, e Danilo entrava, dessa vez como volante ao lado de Fernandinho. Outro cara útil.


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Mais que um belo resultado para espantar qualquer chance de zebra, como eu disse lá no início, o jogo serviu para demonstrar a força do elenco. Kyle Walker foi perfeito pela direita. Jogou em todas pela direita. Por vários momentos, foi zagueiro. Em outra parte do jogo, vinha para dentro jogar ao lado de Fernandinho, e não foram raras as vezes em que apareceu na ponta para fazer grandes cruzamentos. Já Gundogan e Bernardo provaram por que são os reservas mais titulares do elenco, com suas belas atuações. Agora, só Jesus e Mendy estão fora.


Para a volta, no dia 7 de março, Pep pode pensar até em rodar o elenco. Mesmo com a Champions sendo o grande objetivo da temporada, essa folga pode deixar o título da Premier League praticamente garantido. Além de que, nos dias precedentes à volta, enfrentaremos duas vezes o Arsenal, sendo um dos jogos a final da Carabao Cup, e o Chelsea, três dias antes da volta. Com a vaga nas quartas 99% garantida, seria ótimo poder ir em busca do mais importante dos quatro troféus sendo disputados tendo dois já garantidos no armário.


*Autor convidado, Lucas Kurz é repórter do Diário Popular, em Pelotas.