Não se enganem com o placar: o City jantou o Chelsea e palitou os dentes

Apesar do placar magro, 1 a 0 com gol de Bernardo Silva logo no primeiro minuto da etapa complementar, o City teve neste domingo (4) uma das melhores apresentações coletivas sob o comando de Pep Guardiola. Simples assim.


ESPN.com.br | Com gol de Bernardo Silva, City vence Chelsea pela Premier League


Pressionar o adversário na saída de bola é uma estratégia que, se bem executada, dá resultados. No entanto, é o tipo de ideia que requer muito treinamento e vigor físico. Ver times pressionando o oponente nos primeiros vinte ou trinta minutos é comum, mas o que o City fez hoje ao sufocar o Chelsea ao longo dos noventa minutos definitivamente não é normal. Não é algo que se vê todo dia.


A escalação do Chelsea, com Hazard como homem de referência e o esquema no 3-4-3, podendo se transformar num 5-4-1 dependendo da conveniência defensiva já escancarava algo: Conte sabia que jogaria contra um time amplamente superior e não tinha a menor intenção de buscar o jogo. A ideia era torcer para que Hazard recebesse em velocidade e tentasse arrumar alguma coisa a partir disso. Na teoria, poderia ter funcionado. Na prática, não poderia ter passado mais longe.


Com a estratégia de apertar o Chelsea a partir do primeiro toque no sistema defensivo, era como se Pep tivesse previsto cada movimento de Conte. Ao pressionar os zagueiros e até mesmo o goleiro na construção feita de trás, Pep anulou qualquer possibilidade do Chelsea fazer a transição da defesa para o ataque com o mínimo de qualidade que Conte esperava para poder fazer a bola chegar em suas peças com mais recursos, sendo Willian e Hazard.


Deste modo, invariavelmente o Chelsea se via obrigado a recorrer ao chutão e, de forma não surpreendente, dava a bola para o City. Aliás, neste quesito alguns dados do jogo de hoje são, no mínimo, assustadores. A posse de bola de 70% não chega a ser exatamente uma surpresa, mas o fato do City ter dado 975 passes ao longo do jogo e desses ter acertado 902 é algo que impressiona – até pelo fato da Premier League jamais ter registrado esses números até então numa única partida.


É preciso fazer uma ressalva ao dizer que o City criou menos do que normalmente o faria contra um time mais frágil defensivamente, como foi contra o Arsenal, por exemplo. Se não saía com qualidade, ao menos a linha defensiva de cinco do Chelsea resistiu às investidas do City tanto quanto foi possível.



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Contudo, dizer que a fase do City é boa chega a ser até mesmo uma ofensa ao trabalho que tem sido desenvolvido ao longo da temporada. Fase boa é quando um time ganha cinco ou dez jogos seguidos. Qualquer coisa além disso, como vem fazendo o City, é fruto de um trabalho intenso que faz com que o time mantenha um padrão elevado de jogo semana após semana, dominando os adversários independentemente da sua força.


Neste caso, pra explicar dois momentos capitais do jogo, podemos dizer que quando as coisas estão dando tão certo, mas tão certo, o City ainda conta com a ‘sorte’. Se é que podemos dizer assim.


No lance do gol, a jogada toda foi muito bem construída, mas nos parece evidente que Bernardo Silva não pegou na bola como gostaria ao finalizar. Ainda assim, ele conseguiu fazer o suficiente para tirar Courtois da jogada e abrir a contagem. Já naquele que foi o único momento em que o Chelsea verdadeiramente ameaçou o City, quem teve a chance de empatar o jogo foi Moses. Não Willian, nem Hazard. Moses.


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Melhor a cada semana, Bernardo Silva novamente foi um dos destaques em uma vitória do City


Destacar se a vantagem para o vice-líder é de 16 ou 18 pontos à essa altura é algo secundário. O City caminha em largas passadas para ser campeão e daqui pra frente os maiores adversários parecem ser os dados históricos, se vai terminar com mais de 100 gols, ou mais de 100 pontos. Ou as duas coisas.


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