A pior semana do ano ainda não acabou: o City está eliminado da Champions

A julgar pelo título desse texto, há quem possa imaginar que o City foi eliminado com requintes de crueldade ante o Liverpool nas quartas-de-final desta edição da Champions. Longe de ser o caso.


Se serve de algo, até dá pra dizer que o City teve bons 90 minutos – ou quase isso – ao longo da disputa. O problema é que foram em jogos distintos. O time tentou fazer o que parecia ao seu alcance no segundo tempo no Anfield, e nos primeiros 45 minutos do jogo desta terça-feira (10), até deu a impressão de que a remontada seria possível.


Afinal de contas, com Jesus fazendo 1 a 0 com menos de dois minutos de jogo e o City colocando uma pressão absurda no adversário, quem ousaria duvidar de que o time não poderia ser capaz?


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No segundo tempo o time sucumbiu, tomou a virada e a história nós já sabemos. E por mais que possa parecer mesquinho colocar a eliminação na conta da arbitragem quando você sofre 5 a 1 no agregado, há de se fazer algumas ponderações sobre as atuações dos homens de preto.


Algumas decisões tomadas tanto no jogo de ida, quanto na volta, foram determinantes para a construção do resultado, embora, nem de longe haja qualquer intenção de desmerecer o esforço e o mérito do Liverpool pela classificação – até porque o time de Klopp foi melhor ao longo dos 180 minutos.


Na semana passada, Salah estava impedido no lance do primeiro gol e, além disso, o tento de Jesus não teve nada de errado para ser invalidado. Mas até aí, são erros comuns que acontecem todo dia no futebol.



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Hoje, no entanto, o que se viu foi algo completamente diferente. Antonio Mateu Lahoz, que já havia apitado City x Monaco nas oitavas da última Champions, parecia estar claramente mal intencionado. A expressão facial com que ele tratava qualquer assunto do jogo com os jogadores do City demonstrava isso.


Os pênaltis pedidos nos lances com Sterling podem até ser discutíveis, mas não havia nenhuma razão de ser em anular o gol de Sané, já que o lance todo foi legal. Além disso, percebe-se a incerteza sobre o que marcar no lance tanto do árbitro quanto de seu assistente. Um erro que certamente mudou os rumos da partida. Ou vocês acham que com 2 a 0 no intervalo o segundo tempo não teria sido outro?


Getty
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A expressão de quem sabe que mexeu errado no intervalo


No segundo tempo, no entanto, o que se viu foi mais do mesmo do que já havíamos testemunhado no Derby no domingo, contra o United.


À medida que o City esbarrava nas linhas bem postadas pelo Liverpool, o time ia ficando cada vez mais apático. Além disso, a mudança de esquema executada por Pep também não ajudou em nada. Ao contrário: o deslocamento de Laporte para a lateral esquerda e de Fernandinho para o miolo de zaga anularam completamente a excelente partida que o brasileiro vinha fazendo até então jogando no meio de campo.


Com as mudanças, o time também perdeu poder de fogo no ataque. Por mais que David Silva e De Bruyne não estivessem tendo seu melhor dia, o City tinha sido muito propositivo no primeiro tempo ao atacar pelas pontas com Sané, Sterling e, ocasionalmente, Bernardo Silva.


Quando David Silva foi sacado para a entrada de Agüero, já estava claro que a questão tática era um mero detalhe e que ter tantos homens de ataque quanto possível para tentar sufocar o Liverpool era um último esforço em busca da classificação.


Em suma, o City não foi eliminado hoje. Como se sabia, precisava operar um verdadeiro milagre para reverter uma desvantagem enorme graças a uma atuação tenebrosa em Anfield, especialmente no primeiro tempo daquele jogo.


Por 45 minutos, o time foi valente, acreditou e lutou para que o final da história fosse outro. Mas, verdade seja dita, não foi o suficiente. Longe disso.


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