Obrigado, Yaya

Nesta última quarta-feira (9), o City fez seu último jogo no Etihad na temporada 2017/18, vencendo o Brighton por 3 a 1, com gols de Danilo, Bernardo Silva e Fernandinho, enquanto Ulloa descontou para os visitantes.


Apesar de não valer nada para nenhum dos dois times em termos práticos na tabela, o jogo foi importante porque o City estabeleceu três novos recordes máximos na Premier League. Com a vitória, o City chegou a 31 triunfos na competição – mais que qualquer outro time na história do certame. O equipe de Pep ainda chegou a 97 pontos, quebrando o recorde atual que era de 95, além de chegar a 105 gols feitos – outra marca jamais alcançada na liga até então.


Não há dúvida de que estes são recordes históricos e que vão demorar muito tempo a serem batidos – se é que algum dia serão. Vale lembrar ainda que estas marcas estabelecidas pelo City ainda podem ser aumentadas no próximo domingo, quando o time vai ao St. Mary’s enfrentar o Southampton.


Contudo, tudo o que foi alcançado ontem foi uma mera nota de rodapé em relação ao maior acontecimento do dia. Depois de oito anos de muitíssimos serviços prestados, Yaya Touré vestiu a camisa do City pela última vez.


Passa ao largo do exagero dizer que Yaya deixa o clube com status de lenda. Afinal de contas, foram 316 jogos, 82 gols, 50 assistências e sete títulos na bagagem, sendo três da Premier League, outros três da Copa da Liga e um da FA Cup.


Aliás, no que diz respeito à última, pode se dizer que Yaya teve um papel vital em tirar o City de uma incômoda fila de títulos e, por consequência, colocou o time no caminho de uma era vitoriosa que vem se seguindo ao longo destes últimos oito anos.


Para quem não se lembra, se é que isso é possível, Yaya fez os gols na semifinal contra o United e na final contra o Stoke em 2011 e, assim posto, é perfeitamente possível dizer que coube a Yaya abrir os portões para esta nova era vivida pelo clube.


Além disso, não dá para esquecer também que Yaya carregou o time nas costas rumo à conquista da Premier League em 2013/14. Ao terminar a liga não só marcando 20 gols, um número absurdo para um jogador de sua posição, mas dominando o meio de campo como ele fez naquela temporada, é possível dizer que nesta década Yaya não só foi o símbolo máximo do que é ser um box-to-box, mas também redefiniu o conceito da posição.


É claro que em suas últimas temporadas Yaya passou a ter uma participação menor no elenco, especialmente após a chegada de Guardiola. Além disso, ainda com Pellegrini, já no último ano no chileno, Yaya já não mais apresentava sua melhor forma, com sua popularidade entre os torcedores vivendo alguns altos e baixos neste período.


Entretanto, tal condição enfrentada pelo jogador é algo menor. Tudo o que Yaya representou e representa para o City não só ao final destes oito anos, mas para a história do clube como um todo, é algo que não só é extremamente difícil colocar em palavras, mas também é algo que talvez só tenhamos a real dimensão no dia em que Yaya resolver pendurar as chuteiras.


Em tempo: em uma nota menor que qualquer outra coisa envolvendo os acontecimentos recentes sobre o City, aproveito para me despedir deste espaço que ocupei ao longo dos últimos três anos e meio.


Primeiramente, gostaria de agradecer Felipe Arce, do MCFC Stuff BR, que foi quem primeiro me avisou que a vaga neste espaço estava aberta. Em segundo lugar, ao nosso editor Fabio Chiorino pelo aprendizado adquirido ao longo destes últimos anos e pela oportunidade de trabalhar neste ambiente fantástico onde alcancei uma audiência que jamais imaginaria conseguir escrevendo em veículos menores.


Preciso registrar também que no ESPN FC fiz alguns amigos que certamente vou levar pra vida, além de reforçar algumas amizades que já trazia de outros tempos escrevendo sobre futebol. Não vou me alongar nos nomes porque são muitos, mas vocês sabem quem vocês são.


Aproveito ainda para agradecer Ted Simões, Kaio Esteves e Guilherme Bianchini por cobrirem este espaço na ausência deste que vos escreve ou por sugerir pautas que enriqueceram o debate sobre o City ao longo dos últimos anos.


E por último, mas não menos importante, ao Igor Junio, também do MCFC Stuff BR, que foi com largas passadas o principal colaborador do blog nestes últimos três anos e meio, e é quem assume o espaço a partir de hoje. Take it over, buddy. It’s yours.


Até a próxima.


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