As sete melhores atuações do Manchester City na temporada

Chegou ao fim uma temporada histórica para o Manchester City. Dois títulos, incontáveis recordes quebrados e a coroação de Pep Guardiola em solo inglês. O técnico catalão disse certa vez: “Quero ganhar o que muitos já ganharam, mas de um jeito que ninguém mais conseguiu”. E ele conseguiu.


Duvidavam que o estilo de jogo de Guardiola seria compatível com o futebol inglês, mas ele se mostrou extremamente adaptável às peculiaridades da liga e, no final das contas, o que foi frequente durante a temporada foram as equipes se restringindo a defender e tendo 25% de posse de bola contra o Manchester City.


Esse contexto nos proporcionou atuações incríveis, desde goleadas construídas de forma mais estética, até partidas de extrema maturidade e consistência de Kevin De Bruyne e companhia. Dito isso, selecionei o que entendo como as sete melhores partidas do City na temporada, avaliando a qualidade do jogo ofensivo, segurança na defesa, nível do adversário e consistência durante o jogo.



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7. Manchester United 1-2 Manchester City


Getty Images
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David Silva iniciou a festa do City em Old Trafford


O derby de Manchester aconteceu ainda em dezembro, mas foi ali que o City praticamente garantiu o título de campeão inglês. Já existia uma vantagem em relação ao United e uma vitória fora de casa deixou as coisas bem adiantadas para o time de Guardiola, até animicamente falando. A comemoração foi tão grande que resultou em confusão nos vestiários de Old Trafford.


Pep Guardiola sempre aparece com uma coisa nova nessas partidas. Com Agüero ainda voltando de lesão, o treinador escalou o ataque jovem Sterling, Leroy Sané e Gabriel Jesus, mas de uma maneira diferente do habitual. Gabriel jogou pela esquerda, Sané foi deslocado para a direita e Sterling fez a função de falso 9. O objetivo de Pep era confundir a marcação individual por encaixes que Mourinho utilizou, com Matic e Ander Herrera perseguindo David Silva e De Bruyne por dentro. Com Sterling ali, criava-se uma superioridade no setor, consequentemente abrindo espaços para os meias mostrarem seu futebol.


Os gols do City foram de bola parada, mas esse fator foi determinante para a equipe cada vez mais se colocar no campo de ataque e conseguir domínio territorial. David Silva abriu o placar, Rashford empatou em vacilo da defesa na reta final da primeira etapa e Nicolas Otamendi decidiu a partida. Após o segundo gol, City soube sofrer, com Ederson aparecendo muito bem em lance frente a frente com Lukaku, mas também soube cadenciar. Os últimos minutos da partida foram marcados por Bernardo Silva e Sterling segurando a bola no lado direito do ataque, conseguindo laterais e irritando a torcida do United.


6. Manchester City 2-1 Napoli
É frustrante relembrar as partidas contra o Napoli pela fase de grupos da UEFA Champions League e perceber que o City não fez nenhum proveito dessas experiências para ir mais longe na competição. A vitória por 4 a 2 fora de casa mostrou poder de reação da equipe, além de controle de jogo na reta final, evitando uma pressão do time da casa. No jogo do Etihad, foi diferente.


20 minutos de manual do City, talvez o período curto mais perfeito da temporada dado à exigência. O time abriu 2 a 0 com uma facilidade incrível, mostrando dedicação tática, inspiração técnica e concentração. Depois, naturalmente pela vantagem criada, o Napoli passou a ter mais a bola, mas o City conseguiu se segurar muito bem, tendo em vista que o Napoli em nenhum momento ensaiou empatar. Passar por esse tipo de desafio é o que falta ao City na Europa, mas seguimos estagnados na competição continental na medida que pouco ameaçamos o Liverpool nas quartas.


Destaque nessa partida para Walker, Fernandinho, De Bruyne, Silva, Leroy Sané e Raheem Sterling.


5. Manchester City 1-0 Chelsea


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Bernardo Silva coroou o domínio citizen e fez o gol da vitória


Calma, esse é o jogo do returno, ainda não a histórica vitória em Stamford Bridge. Foi um placar magro e o City até finalizou menos do que o habitual, mas essa atuação é uma das minhas preferidas, porque foi um controle total e nenhuma chance foi dada ao Chelsea. A fala de Hazard após o jogo é sintomática: “Poderíamos jogar mais três horas e eu não iria tocar na bola”.


Existia dúvidas em relação a essa partida: City vinha de dois jogos diante do Arsenal em quatro dias e já tinha que enfrentar o Chelsea com pouco tempo de recuperação. Para piorar: sem Fernandinho. O brasileiro não tem um reserva de característica parecida e Guardiola usou Gündogan em sua posição.


Surpreendentemente, o alemão correspondeu. Quebrou o recorde de passes em um jogo de Premier League (depois o próprio superou essa marca contra o Swansea) e a equipe não sofreu coletivamente nem na pressão pós-perda, que foi absurdamente excelente nessa partida.


O Chelsea não conseguiu sair de trás o jogo inteiro, enquanto o City acumulava jogadores em campo ofensivo, retomava bola e procurava modos de criar chances de gol. Bernardo Silva foi o responsável para fazer o tento da vitória.


4. Watford 0-6 Manchester City


Aqui o time ainda estava em formação. Mendy era titular e Gabriel Jesus jogava junto à Agüero no ataque, partindo da ponta-esquerda – Leroy Sané ainda lutava por minutos. Um dos grandes momentos de Kun Agüero na temporada: hat-trick com direito a um golaço, deixando vários marcadores para trás.


O volume de jogo nessa partida foi incrível. Com 30 minutos já estava tudo decidido, mas isso não impediu o City de seguir criando chance atrás de chance na segunda etapa. Para se ter ideia, Benjamin Mendy tentou nove cruzamentos durante a partida; foram 13 chances criadas por David Silva (5), De Bruyne (4) e Sterling (4) somados.


Jogo ainda simboliza como Agüero agora tem papel de “papai” dentro do vestiário e também no campo. O argentino poderia brigar por artilharia tranquilamente, mas naquele dia cedeu pênalti para Sterling cobrar.


3. Chelsea 0-1 Manchester City


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Kevin De Bruyne é o cara


O dia que o mundo olhou para o Manchester City e pôde falar: “esse time vai longe”. O Chelsea era o atual campeão e ainda mostrava boas impressões na temporada – venceu o Atlético de Madri na Espanha, por exemplo. Jogo fora de casa e sem Agüero: o desafio que faltava para o time de Pep se provar como grande favorito ao título. Outro ponto importante, que vimos o reflexo na comemoração histérica de De Bruyne, foi o péssimo histórico contra times do top6 na primeira temporada de Guardiola (apenas duas vitórias). Era um alívio voltar a mostrar competitividade.


No jogo, mais uma aula de Guardiola. Já com Mendy machucado, Fabian Delph foi o escolhido para assumir a posição e isso ajudou a resolver dois problemas de uma vez só: maior segurança defensiva para evitar contra-ataques com Delph subindo pouco, além de faixa esquerda do campo liberada para Leroy Sané brilhar.


Para se adaptar ao jogo do Chelsea, Guardiola usou Walker como um terceiro zagueiro pela direita, Delph se juntou a Fernandinho no meio e Sterling e Sané se manteram bem abertos no campo para incomodar os alas do time londrino. A definição de consistência foi alcançada pelo City nesse jogo: segurança na defesa, estabilidade durante os 90 minutos e precisão no ataque. O cheiro de campeão começou a exalar após essa atuação.


2. Manchester City 7-2 Stoke City
Apesar dos dois gols sofridos por desatenção, é impossível não citar essa partida entre as melhores. Tudo que funciona no City foi visto em sua melhor versão nesse dia: desde John Stones na defesa, o papel de Fabian Delph, Leroy Sané e Sterling somando números impressionantes ao seu jogo e, claro, Kevin De Bruyne em sua essência.


Ele conseguiu participar de quase todos os gols da partida. Acionou Walker que deu assistência no primeiro gol; deu passe muito inteligente para Sané, que deu assistência no segundo gol; serviu Gabriel Jesus de forma genial para o quarto gol e deu a assistência mais impressionante da temporada para Sané no sexto.


O detalhe é que essa partida foi a seguinte à vitória em Londres contra o Chelsea, mas separada por duas semanas por causa de uma Data FIFA. Havia a dúvida se o time voltaria da pausa com o mesmo nível apresentado no Stamford Bridge e vimos algo ainda melhor.


1. Manchester City 4-1 Tottenham


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Guardiola proporcionou entretenimento para os torcedores do City


O City abriu o placar no início da partida e só veio a ampliar aos 25 minutos do segundo tempo. Essa “resistência” do Tottenham nos permitiu ver a versão mais avassaladora do City em jogos grandes por um extenso período dentro de uma mesma partida. Foram cerca de 80 minutos de um domínio incrível, com 20 finalizações, e tudo dentro do contexto que os jogos contra o Tottenham oferece: transições e mais espaço.


Tudo isso sem David Silva. O espanhol começava a sofrer com seu drama pessoal e ficou de fora da partida – Gündogan assumiu. Mas quem brilhou mesmo foi, para variar, Kevin De Bruyne. Sua atuação mais impressionante na temporada, talvez. Seis chances criadas e seis desarmes para o meia belga, que é absurdamente completo. Além do gol no momento mais crítico da partida, pois já passava da hora do City matar o jogo.


Ainda teve tempo para Raheem Sterling inflar seus números com dois gols, transformando a vitória em goleada. O City passeava na Premier League e fechava o primeiro turno vencendo todos seus “concorrentes”.


Para finalizar, gostaria de agradecer ao Javier Freitas pelo espaço cedido durante seu período de autor aqui e agora pela indicação para ser seu sucessor. Será um prazer falar de Manchester City aqui com vocês. No twitter, vocês podem me encontrar no @igorjuni0