Como o City irá agir no mercado de transferências?

Após uma janela de transferências movimentada do primeiro ao último dia em 2017, o verão de 2018 deve ser muito mais tranquilo para o Manchester City, após temporada com dois títulos, incluindo a desejada Premier League. O chairman do clube, Khaldoon Al Mubarak, concedeu tradicional entrevista aos canais oficiais do City e declarou: "agora não precisamos mais de seis ou sete jogadores. Precisamos de um ou dois, de um nível mais alto, que vão adicionar qualidade e competitividade a esse elenco jovem". 


Foram muitas contratações e dispensas na última janela, que culminaram em uma reformulação brusca do elenco em busca de juventude e jogadores mais capazes de se adaptar às ideias de Pep Guardiola. Agora, já com o sucesso alcançado, o City precisa de peças cirurgicamente escolhidas, que possam trazer ainda mais versatilidade e poder de fogo para o que está por vir em 2018/19. 


O curioso é que o City já foi atrás desses jogadores desde janeiro. Além de Aymeric Laporte, também negociamos com o meio-campista Fred e com Riyad Mahrez na janela de inverno, mas, como de costume, por ser meio de temporada, foi difícil fechar um acordo. As experiências vividas na janela anterior fizeram com que a direção tentasse se antecipar ao mercado e resolver boa parte dos problemas com a temporada em andamento, mas não deu certo. Fred ficou na Ucrânia e agora parece estar a caminho do Manchester United, enquanto nem um pedido formal para ser negociado foi suficiente para tirar Mahrez do Leicester. 


Analisando o elenco atual, existe apenas uma carência que deve ser tratada com urgência: Yaya Touré já não esteve nos planos durante sua temporada final no City e agora está fora de vez. Fernandinho já tem 33 anos. Um jogador para ser alternativa ao volante brasileiro é a prioridade do City para o mercado, mesmo com Gündogan tendo mostrado capacidade de jogar na função. Como já dito, Fred foi cotado em janeiro, mas as últimas informações são de que o City se afastou de um acordo. O novo alvo principal também é brasileiro, apesar de outra nacionalidade: Jorginho


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Capacidade criativa de Jorginho pode ajudar bastante


Quando se pensou em já preparar uma passagem de bastão de Fernandinho, Jorginho não aparecia entre os principais candidatos. Pelas características da Premier League e do volante da Seleção Brasileira, parecia mais adequado o City ir atrás de um jogador com mais fisicalidade para lidar com o contexto da Inglaterra. Porém, a diretoria resolveu ir em outra direção - de maneira correta, ao meu ver, já que Fernandinho ainda tem lenha para queimar - e as negociações por Jorginho já estão iniciadas. 


Podemos dizer que Jorginho é um meia-armador que joga na posição de volante, por trás do ataque, como um quarter-back. Sua capacidade e velocidade em gestos técnicos para achar espaços e lançar companheiros é invejável. Durante dezembro, o City sofreu em algumas partidas em sequência, vencendo todas por apenas 2 a 1, pois os adversários estavam extremamente fechados. Jorginho seria um criador a mais para esse tipo de ocasião, fazendo a bola girar mais rápido e percebendo possíveis desmarques de ruptura dos homens de frente. 


Mas há de se dizer que Jorginho não é Fernandinho. O atual titular do City tem diversos papéis muito importantes no sistema de Pep: seu passe pode não ser tão criativo como o do napolitano, mas também é ótimo. Ele sabe muito bem como verticalizar o jogo quando o City precisa e também domina passes mais longos. Ademais, seu trabalho na pressão pós-perda de bola é vital para o funcionamento da equipe, além de realmente ser um bom marcador. Ainda causa dúvidas como Jorginho se encaixaria nessas funções mais defensivas, apesar de jogar em um sistema de jogo que também presa por não deixar o adversário respirar após perder a bola. Dito tudo isso, ainda acredito que Jorginho pode até vir a ser titular e se consolidar como um dos melhores da europa em sua posição. Tomara que as negociações evoluam rapidamente. 


Outro setor que o City chegou a sofrer um pouco durante a temporada, mas por causa de lesões, foi o ataque. Após se desfazer de Jesus Navas, Nolito e Iheanacho em 2017, apenas Bernardo Silva foi contratado. Em janeiro, quando Sané e Gabriel Jesus se lesionaram, houve uma pequena crise no setor, com Agüero, Sterling e Bernardo Silva tendo que jogar todas as partidas - e ninguém no banco. Como não é novidade para ninguém, o plano inicial era trazer Alexis Sanchez desde o início, mas o City não cedeu aos pedidos de seu empresário. 


Agora, em 2018, pelas experiências vividas na temporada, o City sonhara em trazer um grande nome para o ataque, capaz de desequilibrar em noites de Champions League, mas teria que abrir o bolso demais e o mercado ainda restringe as opções. Não é tão simples contratar jogadores como Griezmann, Gareth Bale ou Paulo Dybala. Eden Hazard é o grande sonho da diretoria, mas não é realístico por atuar  em um rival. Dessa forma, a solução parece ser voltar para os planos de janeiro e negociar por Riyad Mahrez ou apostar em Leon Bailey


Getty Images
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Mahrez já se provou na Premier League e teria a chance de sua vida


Riyad Mahrez é o único jogador da Premier League que alcançou dois dígitos (pelo menos 10 gols e 10 assistências) em gols e assistências em duas das últimas três temporadas do campeonato nacional. 


Apesar da queda mais do que compreensível do Leicester após o milagre do título em 2016, o argelino manteve um belo nível de atuações, mesmo se mostrando insatisfeito e desejando sair do clube em várias oportunidades. Mahrez fez um grande esforço para se transferir ao City em janeiro, com relatos de que ele ficou depressivo após as negociações falharem. Dentro de um elenco com atacantes jovens, a fome por vitória e maior experiência de Mahrez deve ser bastante importante durante uma temporada longa. Além disso, não seria um daqueles jogadores que são titulares absolutos, mas sim criaria uma competitividade ainda maior com Leroy Sané e Raheem Sterling para iniciar os jogos de semana a semana. 


Por ter sido uma referência durante todos esses anos no Leicester, ainda pode trazer consigo algo que Sterling e Sané ainda não garantem: maior hierarquia em grandes jogos. Em outro patamar, claro, mas se acostumou a jogos decisivos no Leicester e poderia ajudar também no City. 


Dentro de campo, é um jogador com peculiaridades que o difere dos outros atacantes: é canhoto e criativo como Bernardo Silva, mas ainda tem excelentes números em seu jogo, pois é vertical. Guardiola precisa que seus homens de frente marquem gols, visto que seus meias estão definitivamente mais concentrados na criação e não vão tanto às redes. 


É uma janela de transferências que tem tudo para ser tranquila. O trabalho mais duro já foi feito, agora restam apenas pequenas engrenagens para a obra maior. 


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