Fabian Delph, peça chave para o City alcançar a excelência

A vida de Fabian Delph mudou da água para o vinho nos últimos 12 meses. Na janela de transferências da última temporada, o jogador esteve muito perto de ir para o Stoke City, que terminou na lanterna da Premier League em 2017/2018. Agora, um ano depois, Delph está com a Inglaterra para a Copa do Mundo e deve ganhar um novo contrato de dois anos com o Manchester City. 


Contratado em 2015, Delph sempre conviveu com muitas lesões, mas também tinha dificuldades de oferecer algo diferente ao time enquanto estava em campo. Seu destino parecia inevitável: voltar a um time do meio de tabela da Premier League. Mas o atleta decidiu ficar no City, mesmo com o risco de ter pouquíssimos minutos em campo - e acabou sendo a melhor decisão que ele já tomou em sua carreira. 


Pep Guardiola iniciou a temporada com Danilo improvisado na lateral-esquerda, com Sané às vezes fazendo as honras como um ala no esquema com três zagueiros, até Mendy ganhar condição de jogo. Porém, não demorou muito para o lateral ex-Mônaco se lesionar gravemente, o que poderia colocar em risco a temporada do City. No fim, o efeito foi reverso: Guardiola superou essa situação de um modo genial, montando um sistema de jogo ainda mais estabilizado e tirando o melhor de cada jogador. 


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Delph entrou para dar equilíbrio ao time e ajudar Sané


Após a lesão de Mendy, o próximo desafio era nada mais nada menos que o atual campeão Chelsea, ainda em boa fase. Guardiola, acusado por muitos de apenas escalar os melhores, se vê sem um lateral-esquerdo, olha para seu elenco e resolve transformar Fabian Delph em um jogador para a função. A partir daí, o City fez história. 


Com Mendy, Guardiola apostava mais na dupla Gabriel Jesus e Agüero jogando juntos e com os laterais chegando mais no ataque. O time tinha certa letalidade, mas era algo mais prevísivel, sem jogadores com capacidade de drible e desequilibrio (Sané e Sterling eram reservas até então). Com Delph, o 4-3-3 entra em total harmonia quase que de forma imediata. Laterais dando apoio mais por dentro, ajudando na circulação de bola, posicionados para a pressão pós-perda  e em condições de "correr para trás" em caso de contra-ataque adversário. Sterling e Sané ganham protagonismo e começam a colecionar números incríveis mesmo tendo pouca idade. 


A entrada de Fabian Delph na equipe foi fundamental para a grande temporada de Leroy Sané. Ainda com 22 anos, o alemão precisa de um contexto favorável para render seu melhor futebol e foi exatamente o que Guardiola lhe ofereceu: Sané ainda sofre para jogar entre as linhas, com espaço reduzido por dentro, então o sistema do City foi criado com o intuito de Leroy receber com mais liberdade e bem aberto na faixa esquerda do campo. Aqui também entra o mérito do jogador, que tem a paciência para se manter posicionado, confiando que seus companheiros vão fazer o passe quando favorável. 


Delph foi titular durante toda a arrancada e sequência invicta do City entre setembro e dezembro, tendo papel fundamental para o encaixe do sistema da equipe. Na segunda metade da temporada, voltou a sofrer com algumas lesões e perdeu ritmo de jogo, o que resultou em um City passando por algumas dificuldades nos jogos maiores - Delph não jogou contra o Liverpool na Liga dos Campeões, por exemplo. 


Obviamente, Guardiola sabia muito bem o que estava fazendo e tem muitos planos para extrair o melhor de Benjamin Mendy, mas o encaixe não é tão simples, o esquema muda. Dessa forma, talvez a equipe vá encontrar dificuldades de adaptação a um novo sistema, ainda mais com a pré-temporada comprometida pela Copa do Mundo. Assim, o plano B com Delph já estabilizado pode ser vital, fazendo justiça a seu novo contrato. Tanto que o City nem está no mercado para outro lateral-esquerdo de origem, confiando no poder físico de Mendy e na obediência tática de Delph. 


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