Bernardo Silva e mais 10: City vence Chelsea mostrando como vem forte

Algumas semanas atrás discutimos por aqui quais poderiam ser os efeitos de Bernardo Silva nessa temporada, após mostrar poder de decisão em grandes jogos no ano passado e ter feito um grande jogo por Portugal na Copa do Mundo. O centro discussão foi pensar ele recebendo oportunidades pelo meio-campo, e foi o que vimos na Community Shield deste domingo (05) diante do Chelsea.


Na abertura oficial da temporada em Wembley, Pep Guardiola mandou praticamente o que tinha de melhor a campo e o City mostrou que a temporada é nova, mas o nível de futebol segue alto: dois gols de Sergio Aguero para garantir o primeiro troféu em 2018/19 e já mostrando vários pontos positivos.


Primeiramente, era de se considerar que Walker, Stones, Mendy, Fernandinho e Agüero estavam fazendo sua primeira partida desde a volta, enquanto o Chelsea escalou o mesmo time base durante toda a pré-temporada. Ou seja, poderíamos esperar uma diferença física significativa, mas a parte técnica e tática se sobrepôs a isso e vimos um City dominante desde os primeiros minutos.


A titularidade de Benjamin Mendy me surpreendeu. O lateral francês ainda não tinha jogado na pré-temporada e foi titular no tradicional 4-3-3. No entanto, como sempre, algumas modificações precisaram ser feitas para encaixar Mendy: Kyle Walker, que já costuma apresentar como grande virtude sua fisicalidade, ficou preso quase que como um terceiro zagueiro pela direita – isso na saída de bola para gerar superioridade e ficando fixo para proteger a equipe de possíveis contra-ataques. Laporte, canhoto, faz a cobertura enquanto Mendy tem mais liberdade para se adiantar no campo.


De resto, sem muitas novidades em questão de posicionamento, apenas de característica. Você não pode esperar de Phil Foden e Bernardo Silva as mesmas coisas de De Bruyne e David Silva. Perdemos um pouco de controle (Chelsea teve mais posse de bola no primeiro tempo, por exemplo), mas ganhamos em objetividade e plasticidade. Cercado de jogadores do time principal, Foden mostrou mais ainda o que pode fazer: o meia de 18 anos participou muito do jogo, esbanjou sua técnica e deu assistência para o primeiro gol de Agüero.


Pep Guardiola definiu a atuação de Bernardo Silva como uma obra de arte e ainda disse que, no momento, é o português e mais 10 em sua equipe. E está coberto de razão: apesar da forte concorrência, hoje Bernardo se mostra como o jogador mais preparado da equipe, e mais capaz de fazer coisas diferenciadas em campo. Jogando por dentro, acrescenta mais drible para superar pressões, além de soluções criativas com passes. É um jogador de progressões que certamente vai fazer sua equipe avançar em campo.


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City mostra fome por mais. Que elenco!


A estreia na Premier League é contra o Arsenal e seria bom continuar mostrando força. Para isso, vamos precisar dos que estão em melhores condições e Bernardo tem que estar entre os titulares.


Riyad Mahrez foi mais discreto. Mostrou toda sua capacidade de drible em curtos espaços em alguns momentos, mas não se aproveitou das aproximações dos meias para criar mais. Talvez sentiu falta do apoio do lateral daquele lado. A melhora vai ser gradual e evidente.


Sergio Kun Agüero chegou ao gol de número 200 (e 201) com a camisa do City. O maior jogador da história do clube, após a cirurgia que fez no joelho meses atrás, parece revigorado e promete muitos gols nessa temporada. Perdeu uma chance clara hoje, mas as duas convertidas mostram como o argentino vai, no mínimo, ainda manter o nível altíssimo de atuações que apresenta há anos.


Chelsea que, inclusive, se tornou o segundo time em que Aguero mais marcou (12 vezes, contra 14 no Newcastle). A paternidade continua e os números contra o Arsenal também costumam ser animadores. Apenas venha, Premier League!


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