City: o fim da janela e os desafios de se defender um título

Em todas as entrevistas que Pep Guardiola concede nas vésperas do início dessa nova temporada, algumas perguntas estão sempre presentes: o City tem a capacidade de vencer a Premier League novamente? É possível fazer algo próximo do que o time dos 100 pontos fez mais uma vez?


Na resposta, Pep se comporta do jeito que deve ser. “Nós vamos tentar, é muito difícil, mas garanto que vamos tentar. Faz uma década que isso não acontece”, diz ele. Pois é, já se foram dez anos desde a última vez que um clube conseguiu vencer a Premier League em duas temporadas consecutivas. Sem menosprezar o feito dos outros, o City, para sonhar com tal feito, ainda terá um “adversário” a mais que pode dificultar tudo se a situação não for gerida da mesma maneira: seu próprio sucesso.


Convenhamos que é irreal imaginar uma campanha bem semelhante à de 17/18. O time pode e deve ficar melhor, mas isso não necessariamente irá se refletir em resultados semanais. Sendo assim, podemos viver o seguinte cenário em diversos momentos: “nessa altura do campeonato na temporada passada o City tinha X pontos, agora tem apenas Y”. Guardiola e o grupo devem fazer de tudo para neutralizar essas afirmações no momento em que surgirem, pois o que importa é estar na frente do segundo colocado na última rodada, independente da vantagem – o título histórico de 2012 no saldo de gols não me deixa mentir.


Outro ponto que é corriqueiramente relacionado com os campeões que falham em defender o título no ano seguinte é a acomodação. No entanto, isso não deve ser um problema no City. A maioria dos jogadores escolheram o clube por sua ambição, aceitando contratos longos e querendo aproveitar essa estadia para rechear seu currículo. 17/18 foi apenas o começo, mas o trabalho para chegar de fato ao sucesso ainda está em andamento – além do mais, ninguém pode dar mole, pois tem alguém sentado no banco de reservas com capacidade para fazer melhor do que você em caso de acomodação.


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Com Guardiola não existe acomodação: sempre por mais


Também podemos falar e usar o próprio City como exemplo para outra vertente: aliviar a mão nas contratações após um título. Após 2012, City contratou Maicon, Nastasic, Javi Garcia, Rodwell e Sinclair; após 2014, vieram Caballero, Sagna, Mangala, Fernando, Lampard e Bony. Esses nomes ajudam a explicar um pouco porque o City não chegou nem perto de lutar pela manutenção do título nessas temporadas.


Agora, em 2018, apenas Riyad Mahrez foi contratado. Isso indica algo parecido com o que aconteceu antes? Apesar da carência que existe na posição de volante defensivo, não necessariamente. Temos que considerar que Benjamin Mendy e Aymeric Laporte são como novas contratações. São jogadores que acrescentam diferentes possibilidades aos sistemas que Pep quer implementar. Em participação na Sky Sports, o treinador destacou a dificuldade que apresentamos em algumas partidas contra times no 5-4-1. Aí entram Mendy e Mahrez com um novo repertório de jogadas.


Sobre expectativas, obviamente o que esperamos é outra temporada onde vai prevalecer o prazer de ver esse time jogar semanalmente. Além disso, um pouco mais de competição: nosso desempenho nos grandes jogos foi impressionante, mas é preciso melhores respostas em casos de maior dificuldade. É a hora de promover de vez a maturação da equipe, mesmo com tantos jogadores ainda jovens.


As vitórias da temporada passada devem servir de caminho para o que tem que ser feito, mas sempre melhorando. Mais estabilidade para matar jogos, por exemplo. As derrotas, que foram poucas, mas algumas duras, devem ser a motivação na busca por mais.


O Shark Team está de volta e vai para cima do Arsenal no próximo domingo!


PS: o brasileiro Douglas Luiz não conseguiu visto trabalhista para atuar no Reino Unido, segundo informações de Alexandre Lonzetti do GloboEsporte e terá que ser emprestado novamente. Guardiola contava com o jogador caso essa permissão fosse conseguida. 


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