Um City diferente erra muito, mas ainda bate Arsenal com facilidade

 Premier League está de volta e o atual campeão já mostrou suas caras. Não teve para o estreante Unai Emery e o Arsenal no Emirates Stadium: mesmo ainda longe do ideal, o Manchester City venceu por 2 a 0 e começou a atual edição do campeonato nacional com o pé direito.


No início de temporada, nossas análises costumam ser cheias de ponderações e boa vontade pois ainda é o início do trabalho, com razão. Porém, quando a exigência é muito alta, todo jogo já é decisivo desde agosto e a equipe tem que se mostrar preparada. Nessa estreia do City, muitos sinais positivos, mas também alguns defeitos que precisam ser corrigidos para que o time alcance a plenitude que estamos acostumados.


Como eu disse, o City começou a Premier League com o pé direito... o pé direito de Raheem Sterling. O atacante inglês foi uma surpresa na escalação, após apenas uma semana de treinos depois das férias. Leroy Sané mostrou dificuldade contra o Chelsea e Pep resolveu apostar em Sterling aberto pela esquerda e o menino aproveitou sua oportunidade. Um começo de jogo incrível, com muitos dribles e conduções, além da ótima jogada que resultou no seu gol abrindo o placar. Uma resposta importante para os imediatistas que pensam que ele vai perder muito peso no elenco após participar de mais de 30 gols na temporada passada.


Getty
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Raheem Sterling já calando os críticos exagerados


Ainda não escrevi diretamente sobre isso aqui, mas quem me segue no Twitter sabe como já bati na tecla sobre o lado esquerdo do City. Mendy é um lateral de explosão física e de apoio, precisando do espaço no corredor para ser atacado. Nesse cenário, faz todo sentido Sterling ali, pois ao contrário de Sané, que se mantém aberto, Raheem vai procurar o jogo por dentro, abrindo espaços.


No começo do jogo foi isso que aconteceu, mas um ponto interessante - e arriscado – foi perceber a mudança no decorrer da partida. Mendy passou a ser, de fato, um “lateral-interior”, fazendo função semelhante à de Delph, mas sem perder sua característica de arranque com a bola. Sempre progredia quando tinha a posse. A questão é que Mendy não tem um exímio controle da pelota e isso custou várias perdas de posse em posição perigosa durante o jogo.


Esse é um ponto que precisa ser corrigido. O City sempre vai trocar passes entre sua linha defensiva para atrair a marcação e abrir espaços, mas todo cuidado é pouco para não perder o domínio da bola por ali. Por falar em linha defensiva, não existem desatenção quando o assunto é Stones e Laporte. Por favor, que início da dupla de zaga nessas duas partidas jogando juntos. Além da saída de bola de qualidade, também estão jogando o fino em defender a área com bloqueios, combates e desarmes. Não há nada que Kompany e Otamendi possam fazer no momento.


Além dessas perdas bobas de posse, o grande problema do City foi o meio-campo. Ou a falta de um. Gundogan falhou em qualquer que fosse seu objetivo na partida, enquanto Bernardo Silva, no primeiro tempo, praticamente não foi acionado. City não conseguiu controlar o tempo e espaço de seus ataques, desperdiçando jogadas e promovendo contra-ataques adversários. A dependência de De Bruyne e David Silva ainda existe quando o assunto é atacar com paciência.


Intercalando pontos negativos e positivos, agora é hora de falar de Riyad Mahrez. Um dos princípios de Pep Guardiola que mais funcionou no jogo foram as invertidas para achar os pontas com liberdade. Assim, Mahrez teve bons duelos contra Niles e Lichtsteiner, criando nossas melhores jogadas após o gol de Sterling. Quase marcou de falta. Tem que continuar jogando, pois já mostrou evolução.


Por fim, isso é que o vimos na partida. Um City por vezes desatento, fora de sintonia e sem controle, mas que ainda sobressai bastante por sua qualidade técnica e algumas ideias estabelecidas que impulsionam o desempenho individual. Com mais controle e concentração, será bonito de ver.


Vamos às notas individuais dos jogadores:


Ederson – Fez uma defesa importante, mas mostrou desconcentração nos minutos finais. 6/10.


Walker – Sempre importante com seu vigor físico. No meu time, joga sempre. 7/10.


Stones – Defendendo cada dia melhor. Personalidade, cortes, interceptações. 7.5/10.


Laporte – A lucidez desse cara é incrível. Corta tudo e sai jogando. 8/10.


Mendy – Primeiro tempo abaixo, mas sempre mostra suas virtudes. Duas assistências. 7/10.


Fernandinho – Precisa de mais ritmo de jogo para encontrar seu melhor. Apareceu menos. 6.5/10.


Gundogan – Não conseguiu fazer nada certo. Erros técnicos e falta de competitividade. 3/10.


Bernardo – Escondido no 1º tempo, mas cresceu no segundo. Marcou em momento importante. 7/10.


Raheem Sterling – Início de jogo incrível e belo gol. Se manteve como um dos mais perigosos enquanto esteve em campo. 7.5/10.


Riyad Mahrez – Fácil perceber como é bom tecnicamente. Começando a se entrosar com Walker e Agüero. 7.5/10.


Kun Aguero – Perdeu um gol incrível cara a cara com Cech, mas na circulação de bola foi bem. Muito técnico. 7/10.


De Bruyne entrou correndo muito, mas falhando nas execuções. Jesus e Sané tiveram pouco tempo para mostrar algo.


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