Esqueçam formações e titulares: City de Guardiola está acima disso

As primeiras etapas do trabalho de Guardiola no City foram complicadas. Alguns jogadores não acompanhavam seus pensamentos, até que chegamos em uma fase estável que rendeu todo o sucesso da temporada passada. No entanto, apesar do elenco já qualificado, a equipe parecia mostrar certa dependência de um time titular preferido e de determinadas ideias de jogo.


Mas o que estamos vendo nessas primeiras partidas de 2018/2019 é um City com uma variedade incrível de ideias, formações, estratégias e jogadores. Na vitória contra o Chelsea, ainda o City da temporada passada com Sané; diante do Arsenal, já algumas mudanças com Sterling e Mahrez jogando abertos cortando para dentro; nesse domingo (19), na goleada por 6 a 1 diante do Huddersfield, esses três atletas ficaram no banco de reservas e Pep nos apresentou outra versão para lá de mortal do Manchester City.


A escalação surpreendeu: além dos três pontas acima fora, Kompany estava de volta ao time enquanto Walker ganhava um descanso. Assim, City se comportou com três zagueiros atrás, Bernardo Silva e Mendy como alas, Fernandinho-David Silva-Gundogan pelo meio e Aguero-Gabriel Jesus como dupla de ataque.


Como isso funcionava em campo? David Silva era o “De Bruyne”, jogando pela direita e ditando todo o ritmo da equipe. O espanhol, que levou seu filho Mateo, que nasceu prematuro e lutou pela vida por meses, para o Etihad e a festa foi linda. Nada mais justo do que um recital de El Mago. Na esquerda, Mendy era um completo animal oferecendo profundidade. Se o City de 17/18 obviamente já era perigoso, Mendy agora oferece um tremendo argumento para levar ainda mais perigo aos adversários. Além de tudo, tem técnica – aplicou caneta e conduziu bem a bola no início da jogada do segundo gol.


Por fim, Agüero e Gabriel Jesus voltando a atuar juntos como dupla de ataque depois de tanto tempo. Jesus pecou na finalização e poderia ter feito mais gols, mas mostrou determinação, mobilidade e também um excelente jogo de costas fazendo a parede para companheiros. Gol importantíssimo para sua confiança. Imagina duvidar.


Descrever o que está fazendo Sergio Agüero é até complicado. O atacante passou os últimos cinco anos com pequenas dores no joelho e meses atrás finalmente fez uma cirurgia para corrigir. Podemos dizer que, fisicamente, esse é o melhor Agüero desde seu auge em 2013 e o resto também acontece melhor por consequência. O argentino é completo: recuperou seu faro de gol (2º gol e 3º gol), esbanja habilidade e técnica (1º gol) e possui um jogo fora da área acima da média para jogadores da posição, sendo associativo, driblando, abrindo espaço para companheiros... Agüero se igualou Teddy Sheringham como 10ª maior artilheiro da história da Premier League com 146 gols. A diferença é que Kun tem apenas 208 jogos e conta com a melhor média de gols por jogo: 0.70 – Henry, o segundo, tem 0.68.



Hora da avaliação individual dos jogadores.


Ederson: pouquíssimo trabalho com as mãos. Passou um pouco de insegurança em algumas jogadas aéreas, mas deu uma assistência! Sim, o passe para o primeiro gol. Nota 7.


Stones: dessa vez como zagueiro mais agressivo e não líbero, outra grande atuação de John. Joga de cabeça em pé, tem desarme, faz cobertura... Nota 7.


Kompany: a verdade é que a defesa do City não teve trabalho algum na partida. Jogaram praticamente o jogo inteiro no início do campo de ataque sob o comando do líbero Kompany. Nota 7.


Laporte: suas grandes atuações nos deixaram mal-acostumados o suficiente para dizer que foi sua pior partida. Perdeu algumas jogadas bobas de velocidade pela esquerda e não apareceu tão bem na construção. Nota 6,5.


Fernandinho: com o resto do time brilhando, Fernandinho precisa apenas fornecer equilíbrio. E foi isso que fez. Nota 7,5.


Gundogan: o alemão não foi mal, mas também não foi brilhante. Fez bem a circulação de bola da equipe, mas nada muito diferente. Nota 7.


Benjamin Mendy: já tínhamos visto coisas boas de Mendy contra Chelsea e Arsenal, mas diante do Huddersfield ele mostrou sua melhor versão. Participativo, agressivo, técnico e eficiente, Mendy é outro poderoso argumento para o City superar as defesas adversárias. Nota 8,5.


Bernardo Silva: como um ala pela direita, Bernardo fez grandes associações e foi importante para David Silva brilhar. Nota 7.


David Silva: com seu novo e guerreiro filho observando, uma aula do mago espanhol. Ditou o ritmo, foi genial para criar chances de terço final e deixou sua marca com um golaço de falta. Nota 9.


Gabriel Jesus: O atacante brasileiro precisa recuperar sua confiança e só vai fazer isso jogando. Pep fez boa escolha e Jesus correspondeu – finalizou mal algumas jogadas, mas mostra uma química muito boa com Agüero. Nota 8.


Kun Agüero: o que Sergio fez na partida já foi descrito acima. Participação irretocável do argentino em todos os aspectos a fim de mostrar como a Premier League deve se preocupar ainda mais com ele. Nota 10.


Mahrez, Sané e Foden foram as substituições e se mostraram muito dedicados querendo aproveitar esses minutos, pena que o time não acompanhou tanto.


Tenho pena dos analistas táticos dos adversários... como fazer um plano para enfrentar o City se tudo pode mudar de um jogo para o outro mantendo a qualidade em um nível altíssimo? Guardiola sabe que esse é o próximo passe do seu trabalho para seguir no topo e começa essa transição de forma magnífica.


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