Wolves 1-1 City: time fora de sintonia e chances desperdiçadas

O City venceu 32 jogos de 38 em 2017/2018. Repito: 32 de 38. Discutimos nas últimas semanas como que se melhora isso e a conclusão foi: obviamente, em questão de pontuações e recordes, será impossível. O que poderia ser feito diferente seria os jogadores melhorando individualmente e oferecendo maior variedade de opções para Pep confundir os adversários.


Nas duas primeiras rodadas, vimos isso. Já nesse sábado (25), diante do Wolves, City deixou os primeiros pontos escaparem e o grupo e a comissão técnica têm que saber gerenciar a situação. Para quem já assistiu “All or Nothing: Manchester City”, vimos como Guardiola lida com cada tropeço de maneira diferente para manter o controle do grupo ou a motivação dos jogadores. No documentário, após o City vencer dezoito partidas seguidas, aconteceu o empate com o Crystal Palace na maratona de dezembro e ele chegou cuspindo fogo no vestiário, falando para os jogadores “voltarem para a Terra”.


Todo mundo sabia que o City tropeçaria em dezembro, mas Guardiola tinha que manter o nível de exigência lá em cima, pois não pode existir acomodação com o sucesso. Acredito que tenha acontecido reação parecida após o empate contra o Wolves. Falando de modo geral, é um resultado que pode acontecer, diante de uma boa equipe, fora de casa, com jogadores ainda mal fisicamente... mas a visão interna dos jogadores deve ser de indignação por algumas das circunstâncias: muitos erros de passe bobo, falta de postura para controlar o jogo desde o primeiro minuto e, mesmo com todas essas dificuldades, ainda criamos para vencer, mas pecamos na finalização.


O Wolves não seguiu a cartilha do que a maioria dos times fazem contra o City: marcou alto em diversos momentos, explorou a falta de presença e fisicalidade do nosso meio-campo para gerar contra-ataques com certa frequência, com velocidade pelos lados. City demorou para entrar no jogo – se é que dá para dizer que entrou – e teve dificuldades, sem conseguir colocar seu ritmo de jogo se estabelecendo no campo de ataque. Raheem Sterling e Bernardo Silva foram os únicos que tentaram alguma coisa, avançando o time em campo com jogadas individuais pelos lados ou entrelinhas, mas nada muito efetivo. Apesar de tudo isso, duas bolas na trave: Kun Agüero dentro da área e Sterling de longe. Um pecado.


No segundo tempo, o que esperávamos do City? Que o banco recheado de estrelas fosse bem utilizado para mudar o jogo. Mas Guardiola demorou demais e só mexeu após o Wolves marcar com gol de mão (vem, VAR). Gabriel Jesus entrou e teve sua chance para marcar de cabeça, mas parou no goleiro. Mahrez e Leroy Sané também entraram, mas tiveram pouco tempo e ainda erraram todas as jogadas que tentaram. Aí fica complicado.


Getty
Getty

Gol do Wolves foi de mão, professor...


City conseguiu buscar o empate com Laporte e poderia ter vencido, mas também poderia ter perdido. Faltou mais controle e precisão. Esse tipo de tropeço, que não acontecia temporada passada, infelizmente vai começar a acontecer agora. O grupo tem que superar a sombra do City 17/18 e se manter focado para brigar pelo título dessa temporada. Enfim, vamos às avaliações individuais:


Ederson: fez uma boa defesa na primeira etapa e não teve culpa no gol. Nota 6.


Walker: fez o que pôde defensivamente, como de costume. O sistema usado nessa partida não lhe favorece tanto. Nota 6.


Kompany: muitos erros no primeiro tempo, tanto na saída de bola como na marcação. Leve melhora no 2º. Stones é o titular. Nota: 5


Laporte: enfim marcou seu primeiro gol e voltou a mostrar segurança. Marca por ele e pelo Mendy. Nota: 6,5.


Mendy: quase decidiu o jogo com um cruzamento perfeito para Gabriel Jesus. Não foi a mesma bomba de semana passada, até pela mudança de esquema, mas nada mal. Nota: 6.


Fernandinho: Guardiola disse durante a coletiva que ele não se recuperou muito bem fisicamente... espero que realmente seja isso. Está em uma rotação abaixo dos colegas e precisamos dele mais do que de ninguém – exceto De Bruyne. Saudades. Nota: 5.


Gundogan: está complicado aceitar sua titularidade, apesar das circunstâncias... não faz nada de efetivo perto da área adversária e segue perdendo bolas bobas. Nota: 4.


David Silva: nosso meio-campo não teve influência do jogo, incluindo Silva. Muito por mérito de Moutinho-Neves, diga-se. Partida abaixo do espanhol. Nota: 5.


Bernardo Silva: fez primeiro tempo aceitável, mas sumiu no segundo e foi o primeiro escolhido para ser substituído. Coloca ele no meio, Pep! Nota: 5,5.


Sterling: melhor jogador do time na primeira etapa, avançando a equipe com seus dribles e boa movimentação. No segundo tempo, desapareceu. Nota: 6.


Agüero: Kun manteve sua boa movimentação e acertou a trave duas vezes. Poderia ter tentado um pouco mais no segundo tempo, mesmo com o time o deixando na mão. Nota: 6.


Entre os reservas, ninguém ajudou muito, mas Sané conseguiu se destacar negativamente. Ficou evidente porque, hoje, é a última opção entre os seis homens de frente.


Próxima partida é contra o Newcastle em casa, antes da primeira Data Fifa. Obviamente, uma vitória boa é mais do que necessário. Vamos, City!


Siga @igorjuni0 e @ManCityStuffBR