City não consegue criar clima para prosperar na Champions

Viver grandes tardes e noites é o que faz uma equipe adquirir uma mentalidade forte para conseguir se sobressair em duelos futuros. Assistindo “All or Nothing: Manchester City”, percebemos como a vitória diante do Chelsea em Stamford Bridge foi vital para o sucesso da equipe na temporada passada. 


Nas últimas temporadas, com exceção da última temporada de Pellegrini no comando (15/16), nos acostumamos a ver o City ter certa dominância nos confrontos contra os outros grandes clubes da Premier League, tirando o fato de não conseguir vencer em Anfield de maneira alguma. E até nos jogos menores, nos momentos de mais dificuldade, o City arrancava vitórias importantes com gols decisivos nos minutos finais.


Na temporada passada, apesar do sucesso contra Chelsea e no derby em Old Trafford, o City tinha a chance de ouro de viver outro momento marcante em Liga dos Campeões como foi diante do PSG em 2016, mas desperdiçamos com duas derrotas para o Liverpool. Quando Gabriel Jesus marcou no início da partida de volta, parecia que um grande clima seria instaurado, mas as coisas não continuaram a funcionar.


Na última quarta (19), o City estreou na atual edição da Champions e, como foi dito anteriormente nesse blog, o grupo já se mostrou mais difícil do que o senso comum dizia. Uma derrota inesperada para o Lyon em um jogo estranho, mas que não chega a ser novidade.


Qual a diferença de todo o ambiente que vimos no Etihad nessa quarta para um jogo de Copa da Liga? Desde lugares vazios na arquibancada e chegando em um time sem concentração e com falta de ambição para o que está sendo disputado. Tudo que Guardiola fala sobre displicência e o espírito necessário para prosperar na Champions parece ser prontamente ignorado pelos jogadores, que não conseguem demonstrar seriedade.


O início de calendário pegando os times recém-promovidos na Premier League parece ter relaxado o City, mas esse clima em jogos de meio de semana não é de hoje - a questão é que Champions não é Copa da Liga. Esse elenco parece estar esperando pelos jogos maiores (eu espero que seja isso, porque se não…), mas precisam perceber que o rendimento não será satisfatório se a confiança não for mantida em vitórias autoritárias diante das equipes mais modestas.


Essa derrota contra o Lyon pode ter vindo no momento certo? Talvez, espero que sim. Já disse em textos anteriores como seria impossível manter a regularidade da temporada passada e deveríamos nos preparar para tropeços… mas jogar mal é uma coisa, acontece. Mas jogar de salto alto e sem ambição é inadmissível.


Mudando um pouco de assunto e visando os próximos jogos, a lesão de Kevin De Bruyne está escancarando como ele era, de fato, o grande jogador da equipe - alguns rivais inseguros diziam que ele era apenas favorecido pelo sistema de Pep. Não apenas pela parte técnica, mas por ser um líder técnico dentro de campo. Quando complica, De Bruyne aparece e busca por soluções, além de arriscar (e acertar) mais durante a partida. David Silva nunca teve esse perfil de decidir jogos, então sobra para, nesse momento, Agüero ou Bernardo Silva assumirem esse papel.


O português parece determinado a isso, mas para tal, Guardiola precisa lhe dar de vez papel protagonista no meio-campo. Outro ponto é que Sané faz por merecer sequência do time titular, além de Sterling que também vem atuando bem. Mahrez está mal e fica a dúvida: coloca pra jogar para desencantar ou espera um pouco?


City precisa de sequência de vitórias até a próxima parada das competições para Data FIFA, a partir desse sábado diante do Cardiff. Perspectiva sem De Bruyne sempre é de dúvida, mas os jogadores ainda merecem crédito. Vamos!


Siga @igorjuni0 e @mancitystuffbr