Com um enorme Laporte, City evolui todo seu sistema defensivo

Quando pensamos em um time de Guardiola, inevitavelmente as duas primeiras coisas que vem na cabeça são um meio-campo controlador e um ataque alucinante – a defesa fica sempre em segundo plano. Para equilibrar esse ponto, temos uma das teorias do futebol, que diz que “a melhor defesa é o ataque”.


Baseado nisso, Guardiola é um devorador de ligas nacionais, quebrando recordes por Barcelona, Bayern de Munique e agora aqui no Manchester City. O ataque sempre se destaca, mas suas equipes passam a ser completamente dominantes a partir do momento que encontram quase que uma total estabilidade entre todos os setores, promovendo a superioridade semanal que lhe é característica.


No City, em sua primeira temporada, o time sofreu. Falhas individuais e um sistema ainda inseguro, sem os jogadores necessários para competir da maneira que Guardiola exigia. Além de pontos perdidos após sair ganhando, tivemos outras partidas que se transformaram em goleada dos rivais por pura falta de competitividade. Já na temporada passada, a do Centurions, com Stones e Otamendi já mais entrosados e laterais mais competitivos, o cenário mudou e uma campanha histórica foi consequência.


Durante posts na pré-temporada e nos primeiros jogos de 18/19 aqui nesse blog, já foi dito como o City poderia, talvez, ter alcançado o teto e precisaria se reinventar semanalmente para seguir no topo na atual temporada. A resposta do time vem sendo excelente: apenas uma derrota até aqui, pela Champions League, além de liderança na Premier League mesmo com Kevin De Bruyne passando cerca de dois meses machucado.


A questão é que agora, com três meses de temporada já jogados, já podemos chamar de constatação o que vai ser dito a seguir: a defesa do City, enquanto sistema e individualmente em alguns pontos, melhorou em relação à temporada passada e isso vem sendo um diferencial para 2018/2019!


Para começar, é preciso dizer o que é, na minha opinião, o principal fator para que isso esteja acontecendo – deixemos a maturidade da equipe e a surpresa de Mendy para depois: Aymeric Laporte é um dos melhores zagueiros do mundo e chegou para colocar a defesa do City em outro patamar.


Quando chegou, Laporte deixava algumas dúvidas: é rápido o suficiente pra Premier League? Vai se adaptar? Não é mais um daqueles zagueiros que tem bom passe, mas não defendem? Bom, todas essas questões já estão respondidas, na medida que Laporte passa uma segurança que só o melhor Kompany no início da década nos transmitiu.


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Craque


Aymeric tem tudo: saída de qualidade, não se incomoda com pressão, conduz e lança bem, é rápido para fazer a cobertura pela esquerda, chega firme nos combates e tem excelente presença nas jogadas aéreas. Está para ser dominante até na Europa caso o City enquanto instituição, em sintonia com a torcida, comece a levar a competição mais a sério.


Dando sequência, outro ponto interessante é destacar Mendy. Durante sua trajetória no Monaco, adquiriu fama de ser um lateral que não sabe muito bem se posicionar defensivamente, sendo uma debilidade, e isso causava uma preocupação para sua chegada ao City, pelo menos na minha cabeça, vendo toda a consistência que a equipe conseguiu com a improvisação de Fabian Delph.


Mas dentro de campo o resultado é diferente: Mendy não compromete, longe disso, e ainda adiciona outras opções ao jogo do City. Somos a melhor defesa da Premier League ao lado do Liverpool, com apenas três gols sofridos; quando a defesa considerada ideal jogou junto (Ederson, Walker, Stones, Laporte e Mendy), em quatro partidas, apenas o Newcastle conseguiu furar a defesa do City, sendo que os outros adversários foram Chelsea, Arsenal e Liverpool.


Por fim, uma maior maturidade da equipe também ajuda os impressionantes números defensivos do City. Fazendo valer a máxima de que a melhor defesa é o ataque, vemos um City buscando retomar a bola o mais rápido possível sem dar brecha nenhuma ao adversário – ao mesmo tempo que, contra o Livepool, Guardiola tirou ao máximo a velocidade do jogo, abaixou sua linha defensiva e mesmo assim se saiu muito bem, o que reforça uma esperança de resultados ainda melhores em jogos desse tamanho.


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