Manchester is blue: City trata de colocar ordem no Etihad

Desde novembro de 2014 que o Manchester City não vencia o rival United dentro de casa. Desde 2015 o vencedor do derby não era o mandante. Apesar de reinar em grande parte dos jogos grandes desde o início da temporada passada, o City precisava e muito dessa vitória, por todo esse retrospecto e pelo que aconteceu no último derby no Etihad, aquela partida que não deve ser mencionada.


Rivalidade a parte, enfrentar o sétimo colocado em casa, para quem briga pelo título, é obrigação de vitória. Essa disparidade também era visível nas escalações, na medida que o United ainda perdeu Pogba e usou Lukaku e Sanchez desde o banco de reservas. Enquanto o City tinha a escalação ideal, com um ataque de Bernardo Silva, David Silva, Mahrez, Sterling e Aguero.


Os primeiros quinze minutos do clássico entregaram o que estávamos esperando: City não dando um centímetro de espaço ao United, atacando por todos os lados e retomando a bola rapidamente após perdê-la. Cerca de quatro chances de gol nesse curto espaço de tempo e David Silva tratou de colocar o City na frente. Mas depois disso...


Ok, o United não criou chances de gol. Inclusive, excluindo bolas paradas, o United não finalizou nenhuma vez na partida inteira, mas esperamos mais do City. O restante do primeiro tempo foi muito ruim para os padrões do time de Guardiola. Uma circulação de bola lenta, nenhum chute na meta e falta de um maior controle. David Silva jogou em uma posição muito adiantada e Bernardo não deu a dinâmica que o time precisava. E olha que Ander Herrera, violento meio-campista do rival, ainda fez o favor de perder duas ou três bolas no meio-campo que resultaram em contra-ataque.


Getty
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Tava com saudade desse chute forte e cruzado!


No segundo tempo, Agüero mostrou suas garras. Estava há uma quantidade considerável de jogos grandes sem marcar, mas o jejum finalmente acabou. Tabelou com Mahrez e deu um chute potente, como nos velhos tempos, para vencer De Gea. Parecia tudo tranquilo e caminhando para uma vitória com bastante autoridade, mas novamente o City resolveu dar chance ao azar em um derby.


Ederson, que precisa urgentemente de um puxão de orelha, cometeu novo pênalti assim como na rodada anterior da Premier League, convertido por Martial. Está difícil crer que poderemos confiar no goleiro brasileiro em grandes momentos.


Depois disso, o filme do último derby começou a passar na cabeça de todo citizen. Até por essa lembraça, digo que foram os minutos que mais fiquei com raiva em toda a minha vida. Um misto de raiva e nervoso, aliás. Mesmo sem o United assustar, a sensação era de que a qualquer momento a equipe ia pipocar.


Com a entrada de Gundogan no lugar de Agüero, City ganhou “passes extra”, como o próprio Guardiola disse na coletiva. Isso em resultou em maior capacidade para cadenciar, sem perder velocidade nos contra-ataques. E após trocar 44 passes seguidamente, por mais de um minuto, Gundogan tratou de matar o jogo para o City na reta final. Era o gol do alívio que a torcida e os jogadores tanto precisavam.


Sobre atuações individuais, dois nomes merecem destaque positivo. John Stones está afiadíssimo, coordenando a saída de bola e sendo implacável nas antecipações e bloqueios. O melhor em campo foi Fernandinho. O brasileiro fez de tudo: desarmou, cadenciou, marcou firme e criou chances de gol. Está em excelente fase.


Pelo que estamos acostumados, repito que não das melhores atuações do City. Mas quem liga, se mesmo assim a gente recebe diversos elogios de todo mundo e ainda coloca o United na roda nos acréscimos? Manchester é azul, o Agüero tá loiro e o City é líder. Só isso importa.